Um americano andando e tocando entre os manauaras

Em: 18 de março de 2019
O Jazz, estilo musical tradicional americano, é tocado há décadas nas rádios de Manaus, mas só agora se populariza
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O Jazz, estilo musical tradicional americano, é tocado há décadas nas rádios de Manaus, mas só agora se populariza

O jazz surgiu em algum momento entre 1890 e 1910, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, tocado por negros, com influência no blues. Desde então vem passando por diversas formas sem, porém, perder suas principais características: a improvisação, o swing, e os ritmos lineares.

Em Manaus o estilo musical só passou a ser mais conhecido e popularizado através do comunicador Humberto Amorim, que o trouxe diretamente de Nova Iorque para a capital amazonense, em 1978, muito embora, com certeza, as rádios locais já tocassem Gleen Miller, Benny Goodman, Tommy Dorsey, Duke Elington e Count Basie, desde a década de 1940.

“Em 1970, então com 17 anos, eu estava estudando nos Estados Unidos. Um dia, na sala onde havia vários outros estrangeiros, cada um se apresentou dizendo de qual país era. Eu era o único brasileiro. Na hora do recreio, um dos alunos veio até mim e disse que na casa do pai dele, que era músico, sempre tinha brasileiros. E me convidou pra ir até lá no final de semana. Fui”, contou Humberto Amorim.

O pai do colega de Humberto era ninguém menos que Stan Getz, um dos mais renomados saxofonistas de jazz dos Estados Unidos. Os amigos brasileiros que viviam em sua casa eram João Gilberto, Tom Jobim, Sivuca, Flora Plurim, entre outros cantores da bossa nova. Stan Getz foi um dos principais responsáveis em difundir a bossa nova nos Estados Unidos e no mundo.

O saxofonista estranhou Humberto não conhecê-lo e muito menos o jazz. “Eu expliquei que o que tocava em Manaus era Roberto Carlos, Beatles, e Jovem Guarda”, disse.

“Ele gostou de mim e disse que eu poderia ir todo final de semana até sua casa, quando ele se reunia com os amigos brasileiros. Lógico, passei a ir. Foi então que comecei a conhecer o jazz e me encantar pelo estilo”, lembrou.

“Certa vez ele me levou pra um concerto dele onde tocava o pianista Chick Corea. Depois conheci Oscar Peterson, considerado um dos maiores pianistas de jazz de todos os tempos, além de também conhecer vários outros monstros sagrados do jazz”, recordou.

O pai do jazz

Em 1978, Humberto voltou a Manaus e, no começo da década de 1980, começou a cantar jazz, no Mandy’s Bar, acompanhado pelo tecladista Gerê. “Também cantava no Clave de Sol, acompanhado pelo pianista Assis Mourão, que também era o proprietário da casa. Enquanto isso, pesquisava sobre jazz, comprava discos, depois CD’s. Em 1995 tinha mais de dois mil CD’s de jazz quando me veio a idéia de apresentar um programa de rádio sobre o estilo musical, o ‘Momentos de Jazz’, que começou a acontecer em 7 de abril daquele ano, na rádio Amazonas”, contou. “O programa ficou 22 anos no ar, encerrando em outubro de 2017, mas nesse tempo, consegui formar uma verdadeira legião de fãs e admiradores do estilo musical, com certeza”, completou.

Em 2006, o então secretário de Cultura, Robério Braga, com o apoio de Humberto Amorim, criou o Festival Amazonas de Jazz. “Naquele mesmo ano formei a banda ‘All That Jazz’ que, diferente do Festival, continua atuando até hoje. Também foi criada pela secretaria de Cultura a Amazonas Jazz Band, ainda atuante, ou seja, existe um público que é fiel ao estilo. Eu ajudei, e ajudo, a formar esse público. Gosto de dizer que sou o pai do jazz, em Manaus”, riu.

E Humberto está voltando para o rádio. “Estou acertando o retorno de um programa para as próximas semanas, aos domingos, do meio dia às 14h. Aguardem. Gosto tanto de jazz que se ele não existisse, eu o inventaria”, finalizou.

Ouvindo na sala ao lado

Robson Silva é pianista. Começou tocando teclado na igreja e depois, com 19 anos, foi aprender piano no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro.

“Na época da igreja, um amigo tinha fitas K7 com jazz gravados. Desde lá comecei a gostar do estilo, da linguagem musical, da harmonia, da improvisação. Mas ficou naquilo”, falou.

“No Cláudio Santoro eu fui aprender música clássica mas, enquanto estava nas minhas aulas, ouvia as aulas que vinham da sala ao lado. Eram de jazz. Quando acabavam as minhas aulas eu ia pra lá e ficava ouvindo. O professor Célio Bulcão, ao ver meu interesse, passou a ficar depois das aulas dele somente para me ensinar”, recordou.

“No ano seguinte entrei na Faculdade de Música, da UEA, e passei a me envolver com todos os eventos musicais criados pela secretaria de Cultura. Fui conhecendo outros instrumentistas que gostavam de jazz, entre eles Humberto Amorim, com quem estou desde o começo”, contou.

Há seis anos Robson inaugurou o Conservatório de Música do Amazonas e de músico, se tornou empresário. “Meu tempo como instrumentista ficou reduzido, mas sempre que o Humberto me chama, eu dou um jeito de ir. Um piano, um baixo, uma bateria mais o Humberto cantando são o suficiente para se fazer graça”, concluiu.

Quer ouvir jazz?

Onde: Adega Grand Cru

Av. Efigênio Salles, 2.300, ljs. B1 e B2

Quando: Sextas-feiras, a partir das 19h

Informações: 3343-1070       

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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