Polo Naval no Amazonas sente impacto do marasmo econômico

Em: 27 de abril de 2019
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O Sindnaval (Sindicato da Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas) refez suas contas e, diante do marasmo econômico atual, baixou suas expectativas de crescimento para este ano para uma faixa de 3% a 5%. A projeção inicial da entidade era que o segmento avançasse de 6% a 8%, de janeiro a dezembro de 2019.

“O mercado está cauteloso e vejo que o crescimento de 6 a 8% não será tão certo como se esperava, por conta da condução política e econômica que o nosso país vem enfrentando e um governo federal que nos surpreende a cada amanhecer”, lamentou o presidente do Sindnaval, Matheus Araújo.

Embora tenha sido embalado inicialmente pelo otimismo geral que tomou conta do mercado financeiro e setor produtivo brasileiro, a partir da mudança de gestão no governo federal, a indústria naval já vinha de um momento negativo em 2018, conforme os dados mais recentes da Suframa.

Os estaleiros incentivados do PIM registraram o maior declínio nas vendas em dólares ao final de 2018, entre os 23 subsetores elencados pela autarquia. O faturamento não passou de US$ 52.82 milhões, 40,27% a menos do que em 2017 (US$ 88.43 milhões). Convertido em reais, o resultado passou de R$ 280.44 milhões (2017) para R$ 189,07 (2018), caindo 32,58%.

O desempenho negativo veio após o segmento fechar 2017 com alta de faturamento, tanto em dólares (+54,20%), quanto em reais (+42,30%). Em ambos os casos, os sete estaleiros da ZFM (Zona Franca de Manaus) listados pela Suframa amargaram queda superior a 35% em 2016.

Em sintonia, os investimentos produtivos também caíram (-25,61%), ao totalizar US$ 19.66 milhões (2018), conforme a mesma base dados. O tombo chegou após um crescimento contínuo experimentado pelos aportes da indústria naval do PIM nos três anos anteriores: 2015 (US$ 21.79 milhões), 2016 (US$ 23.65 milhões) e US$ 26.43 milhões (2017).

O saldo de empregos do subsetor igualmente sofreu refluxo, de acordo com a Suframa. O somatório de trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados caiu 18,84%, para 685. Após atravessar um período positivo em 2013 (1.163), 2014 (1.548) e 2015 (1.675), as contratações entraram em rota de queda e encolheram sem parar: 2016 (1.346), 2017 (844).

No vermelho

O presidente do Sindnaval destaca, contudo, que os números não são representativos do segmento, uma vez que a lista da Suframa inclui apenas as companhias que trabalham com incentivos da Zona Franca. O universo de estaleiros amazonenses inclui 40 CNPJs, em uma escala que vai da ‘nano’ à grande empresa. Três anos atrás, o número total de estaleiros amazonenses chegava a 52.

De acordo com o dirigente, “os números se agigantam”, já que o subsetor responde atualmente por em torno 4.200 postos de trabalho diretos nos estaleiros de Manaus – contra os 6.500 de 2017. Somados os empregos indiretos, a massa de trabalhadores do polo naval totaliza 9.000.

Embora não disponha de números, Matheus Araújo admite que o ritmo de encomendas desacelerou bastante no primeiro trimestre, deixando as empresas no vermelho. A queda do volume de produção em 2018 foi de 16%, conforme depoimento anterior do dirigente. Já o crescimento do reparo naval segue na contramão e cresce em torno de 6% ao ano.

O momento atual contrasta com o de meros cinco anos atrás, quando o polo naval recebia visitas periódicas de delegações estrangeiras de empresários interessados em conhecer a realidade do mercado local, prospectar negócios e “fincar raízes industriais” no Amazonas.

“Nossos políticos e governos não estavam – como ainda não estão – preparados para recepcioná-los, com um pacote de incentivos e área para instalações. Essa atitude tirou o interesse de investir aqui, pois os empresários sabiam que não havia uma política de desenvolvimento regional alinhada com o que é apresentado em países como EUA, Coreia, China, Alemanha e Holanda, entre outros”, desabafou.

Distrito Naval

Matheus Araújo diz, entretanto, que a mudança de governo estadual “acendeu uma luz no fim do túnel” para a tão aguardada criação do Distrito Naval. Conforme o dirigente, o Arranjo Produtivo Local já está sendo reativado e o edital para o credenciamento das empresas que farão o estudo social nas comunidades tradicionais afetadas pelas obras está sendo lançado neste semestre.

“A expectativa é que, após essas consultas públicas, o Ministério Público libere o decreto de implantação do Distrito Naval. Pelos cálculos da Seplancti [Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação], o projeto dará o avanço descompensatório dos tempos parados, ainda neste ano”, arrematou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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