Braga diz que o Brasil precisa de reforma, mas não essa do governo

Em: 25 de maio de 2019
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Descontraído, falante e até brincalhão. No entanto sério e preocupado com a atual situação do Brasil e do Amazonas. Esse foi o senador Eduardo Braga que se encontrou com jornalistas para  um “bate papo” descontraído, que acabou se tornando uma vasta fonte de pautas. Vários assuntos foram abordados de maneira sempre muito bem argumentados. Eduardo Braga que de vida pública vai completar 40 anos, já exerceu todos os cargos que um mandato pode ocupar. Ele já foi vereador, deputado estadual, prefeito,  governador, deputado federal e atualmente senador. Inicialmente, a conversa girou em torno dos governos. Para Eduardo ainda é muito cedo para uma avaliação, mesmo com os sinais de que em alguns setores os governantes estão deixando a desejar. Para ele não é uma questão de direita ou de esquerda é uma questão de que o Brasil está com 13 milhões de desempregados, é uma questão de que as pessoas voltaram para as esquinas de rua para pedir ajuda. As pessoas voltaram a ter problemas de crédito em tudo quanto é lugar.  Sobre prefeitura, o senador avisa que ainda tem muita água para rolar. “As conversas, fazem parte do processo”, lembrou.

Jornal do Commercio – Senador, como o senhor avalia o governo Bolsonaro?

Eduardo Braga – O governo precisa começar a governar. O Governo ainda não se instalou, mas já é tempo de se instalar. Eu acho que o Brasil não aguenta mais quatro anos de dificuldades. O Brasil precisa dar certo e não é uma questão de direita ou esquerda, é uma questão de que o Brasil está com 13 milhões de desempregados é uma questão de que as pessoas voltaram para as esquinas de ruas para pedir ajuda, as pessoas voltaram a ter problemas de crédito em tudo quanto é lugar. O “Minha Casa Minha Vida”, foi extinto por Decreto, na semana passada. Perdemos um programa habitacional estamos a espera de um novo programa. Eu não sou daqueles que quer que o Governo não dê certo, sou daqueles que quero que o Brasil dê certo, para isso o Governo precisa governar. Como ponto positivo, por enquanto, só o encaminhamento da Reforma da previdência. Como líder do MDB e da Maioria no Senado, tenho me colocado à disposição para ajudar o presidente da República. Não estou torcendo para dar errado, mas eu não posso ser cego para não enxergar o que está errado. Tenho que falar, até para ajudar. Ainda estou muito preocupado com a situação do contingenciamento no MEC que foi feito por decreto. Em agosto, o Ifam não tem dinheiro para funcionar. Eu fiquei 4 horas reunido com o reitor da universidade, com os pró reitores, com os diretores e o reitor do  Ifam e também com o pessoal do INPA. As bolsas de mestrado e doutorado do INPA estão sendo praticamente zeradas. E ninguém está falando nisso. A situação é grave porque os recursos estão minguando tanto na formação da UFAM na formação do IFAM quanto na pós graduação e doutorado do INPA .

JC – E essa reforma da Previdência, sai ou não sai esse ano?. O que o senhor pensa sobre isso?

Braga – Deixa eu dizer uma coisa,  o MDB a nível de Senado e de Câmara, tem uma posição de ficar independente em relação ao Governo Federal. Nós não somos, nem uma oposição automática, nem da base aliada. Aquilo que é bom, eu falo. Um exemplo, é a Reforma da Previdência. O Brasil precisa, mas não da forma como eles estão apresentando. Um exemplo que nós não concordamos é o que pode acontecer com  o Amazonas. Se aprovar o que eles estão propondo para o BPC, não sei se todos sabem, mas um amazonense idoso de cada 3,8, (25%) depende do BPC para comer. Então, assim, eu voto contra. Acho que vamos derrotá-los. Eles querem voltar para quatrocentos reais. Somos contra. Outro caso é a aposentadoria rural. Cem por cento dos agricultores amazonenses dependem da aposentadoria rural. Nós não temos aqui um agronegócio. Nós não temos nada, nós só temos agricultura familiar e de subsistência. Então, eu voto contra o que eles estão propondo para o Brasil.  O Brasil não precisa disso para resolver o seu problema fiscal. Dos 1.6 trilhões de reais da conta do Governo, aposentadoria rural e BPC, representam 80 bilhões, e portanto, representam menos de 8%. Isso nós vamos tirar. O que eles propuseram fazer com os professores, não têm sequer regra de transição. O MDB não vai apoiar. Outra questão é a Capitalização individual sem a contrapartida do empregador. O MDB está defendendo que haja um piso de cinco salários mínimos, e a partir daí a capitalização pode ser individual desde que o empregador contribua com a parte dele, aí a conta fecha. Pois, qual é o princípio da reforma que o Bolsonaro encaminhou?. É que ninguém  ao se aposentar, vai ter aposentadoria plena. Eles acham que 75% é um valor muito bom. Eu não acho, principalmente, para quem ganha pouco. O Brasil tem uma rede de proteção social, importantíssima dentro da seguridade. E o Brasil tem sim espaço fiscal para resolver essas questões, sem que isso impacte o resultado, que nós precisamos ter para poder voltar a ter confiança do investidor e voltar a ter investimentos privados para que o Brasil volte a crescer. O que o Mercado está esperando está esperando não é um trilhão e cem é algo entre 700, 800 bilhões de ajuste fiscal na Previdência. Outras coisas precisam ser feitas porque o mundo não acaba no dia seguinte da previdência é algo entre 700 800 milhões de ajuste fiscal na previdência E aí tem outras coisas que vão precisar ser feitas por que o mundo não acaba no dia seguinte da Previdência. Então, nós não fazemos oposição automática, não somos daqueles que dizemos, não tem que ser contra a reforma, não é isso, nós queremos a reforma, agora, qual é a reforma que nós queremos?. É uma que seja equilibrada do ponto de vista fiscal e equilibrada do ponto de vista social. E diante das declarações de vários congressistas, só depois de agosto, ela sai da Câmara e vá para o Senado. E o Senado não é cartório que apenas carimba o que vem da Câmara. Portanto, com muita boa vontade, setembro, outubro ou novembro, a Reforma da Previdência será aprovada. Com as devidas mudanças do texto original.

JC – e o Governo Local? Como o senhor avalia a questão de mais uma greve na Educação?.

Braga – – Assim como Bolsonaro,  o Governador Wilson Lima está se instalando. A questão da Educação aqui no Amazonas é grave. O assunto de reposição vem sendo procrastinado ao longo de alguns governos. Houveram alguns acordos que não foram cumpridos. Os professores foram ludibriados. A questão é que está faltando fazer da Educação uma prioridade. E não é falta de recursos. É uma questão de prioridade. O Estado terá que cortar em algumas áreas para poder ter espaço para valorizar o salário do professor, repito, é uma questão de prioridade. Quando eu cheguei no governo alguns anos atrás, em  2003, nós vivemos esse embate no primeiro momento. Criamos uma regra valorizada e baseada na qualificação da educação, nos índices do Ideb, criamos a escola de qualidade, com prêmio financeiro para cada uma das escolas. Criamos um plano de cargo carreira e salário que estabelecia 14º 15º 16º salário, em função de cumprimento de metas de qualidade de ensino. Isso fez com que o Amazonas, juntamente com outras políticas públicas, tivesse saído das penúltimas posições no ranking do Ideb nacional, tanto nas séries iniciais, quanto nas séries finais do ensino fundamental, bem como no ensino médio. Eu entreguei o Amazonas ao meu sucessor com o Ideb,  entre os 13 melhores do Brasi,l em todos os níveis, lamentavelmente hoje, o Ideb, voltou a estar nas últimas posições. Fruto de que?, de que a Educação deixou de ser prioridade.

JC- Senador o seu partido já fala em candidatura para a prefeitura de Manaus?

Braga – – No MDB nacional vai ter eleição em setembro. Hoje, tá todo mundo conversando com todo mundo. Mas, ainda tá longe. Muita coisa vai depender da performance dos atuais mandatários. O quadro é muito dinâmico e eu torço para que dê certo.

JC –  O MDB vai acabar?

Braga – – O MDB vai se reestruturar olhando para um novo partido que vai surgir. Acho que o MDB encerra um ciclo. Vários líderes estão aposentados. Eu espero que o MDB, em Manaus,  tenha candidatura própria. Mas nem sempre, a nossa vontade prevalece. Temos ótimos nomes. Posso citar a deputada Alessandra Campelo que vem fazendo na Assembleia um ótimo trabalho e vem crescendo. Manaus, nunca teve uma mulher na prefeitura, quem sabe?. Ela vem amadurecendo, era muito impetuosa e a prudência para quem quer governar, é fundamental. Ímpeto é bom para ganhar eleição, mas para governar tem que ter a capacidade de ser ousado sem perder a prudência. Vejo nela um quadro muito interessante para governar Manaus. Outro detalhe é que as mulheres, politicamente estão em alta. Admiro o trabalho da bancada feminina na Assembleia pela qualidade das deputadas. Terezinha e Alessandra já estão experientes. Mayara e Joana Darc, estão sendo agradáveis surpresa.

JC – Senador, a refinaria de Manaus pode acabar?

Braga – – A Petrobras  deixou de investir no Amazonas. Nós vemos mais planos estratégicos no Estado. Algumas pessoas estão muito acomodadas. Pois, quando você importa derivados de petróleo, o Estado arrecada mais. No entanto, gerar emprego e renda, não é arrecadação de ICMS, é política de desenvolvimento. Perder a refinaria e perder o arranjo produtivo do petróleo e gás, será muito danoso para o Amazonas. Além disso, tem as questões ambientais que o os governos precisam destravar. Exemplos, temos muitos. BR-174, Exploração da Silvinita, são casos que precisam ser encarados. É preciso fazer, como fizemos no caso do gasoduto. Fizemos o licenciamento ambiental  de 800 kms no meio da Floresta Amazônica e o gasoduto está hoje funcionado. No meu governo os programas implantados sempre tiveram a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Isso nos deu credibilidade para propor ousadia no meio ambiente. Foi por isso que nós conseguimos fazer o gasoduto. Foi por isso que nós conseguimos licenciar o Linhão de Tucuruí até Manaus. Acho que o Amazonas precisa voltar a ter protagonismo nisso. Reconheço que as políticas ambientais precisam ser novamente mitigadas. Por que?, porque a BR – 319 não pode mais continuar do jeito que tá. O mesmo caso é o da Silvinita. Não podemos continuar levando ao desemprego e a estagnação econômica de determinadas regiões do Brasil, simplesmente porque nós não somos capazes de reformular as políticas ambientais.  Aqui no Amazonas é o que eu disse, nós estamos com vários projetos estratégicos que deveríamos estar enfrentando para que a gente pudesse voltar gerar emprego, renda e novas fronteiras econômicas. Tem duas dessas áreas que reputo, extremamente importante que é a questão mineral com a silvinita, o petróleo e gás que vem se arrastando sem uma ação nos últimos 8 anos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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