O índice de violência no Amazonas imprime um cenário de insegurança nada animador. Nas últimas 48 horas, o Amazonas dominou os holofotes de vários canais de comunicação com o registro de 55 mortos num massacre em quatro cadeias do Estado. As informações foram confirmadas pela Seap (Secretaria de Administração Penitenciária).
É perceptível o aumento de casos de assaltos, que afastam clientes, além estabelecimentos que fecham as portas. A insegurança tem afetado em cheio empresários e causando prejuízos para os negócios na capital.
Dono de um pet shop, o empresário, João Acácio Cavalcante, admite que o reflexo da insegurança desmotiva bastante os negócios. “Pouco mais de um ano sofremos um assalto e tivemos que nos adequar a este tipo de situação cada vez mais constante”. Embora o estabelecimento funcione próximo ao 1º BIS, onde sempre há movimentação de militares na área, os assaltos são recorrentes. Ao lembrar do ocorrido, o empresário relata que os ladrões levaram dinheiro da empresa e dos clientes que estavam na loja. “E ainda tiveram a audácia de levar o meu carro. A sorte é que a polícia localizou”. Para ele a situação afeta diretamente a rotatividade do fluxo de clientes e traz grande prejuízo para o atendimento. Para minimizar ou tentar coibir a prática, ele alterou a rotina de trabalho e encerra as atividades às 17h. “Ainda não tenho como investir em câmeras, mas até o fim do ano, pretendo instalar três. Sei que isso não vai adiantar muito, mas é uma forma de prevenir e minimizar o medo”, alertou.
Márcio Sampaio, que possui um empresa de transporte de cargas, teve um prejuízo estimado em R$45 mil com o roubo de mercadorias que transportava para uma fazenda. Até hoje ele não conseguiu recuperar e afirma que nem pretende mais reaver. Depois da experiência nada agradável, ele explica que adotou como medida o rastreamento do veículo. “O meu funcionário que faz o transporte, manda um alerta, acionando o botão de pânico e a polícia mais próxima é acionada. Com isso a gente consegue localizar bem rápido. É em tempo real”, conta.
Com um pequeno comércio na zona Oeste da capital, o aposentado, Aldenir Pinheiro, comenta sobre a falta de insegurança e os reflexos nas vendas. “Às vezes o movimento é muito fraco. Passamos o dia atrás do balcão para vender apenas alguns produtos. Fica complicado. Se o proprietário tem medo, imagina o cliente?”, indagou. Ele cita ainda que o vizinho fez um grande investimento num bar bem em frente ao seu comércio e precisou fechar em menos de um ano por conta dos inúmeros assaltos. “Todas as sextas-feiras, dia que era de maior movimento no local, tinha um assalto. Levavam toda a renda e ainda os bens dos clientes. Era uma verdadeiro prejuízo, porque além de arcar com as perdas de caixa o dono ainda tinha que repor os prejuízos dos clientes”, lembra. Aldenir comenta ainda que alguns amigos que trabalham também no segmento de mercadinho, adotaram a política de atendimento pelas grades dos estabelecimentos para se sentirem mais seguros.
A microempresária, Thássia Maia, decidiu abrir um negócio, mas precisou fechar após os inúmeros assaltos. “A nossa idéia era montar um negócio, para duas pessoas da família que estavam desempregadas e precisavam sustentar as famílias. Raspamos a poupança e investimentos pesado em um bar que apesar de ser em um bairro, tinha o estilo aconchegante dos barzinhos da área mais nobre”. Conforme Thássia, a cidade já estava enfrentando essa crise na violência. Sempre tiveram muito medo, mas mesmo assim decidiram ir em frente. Ela lembra que algumas vezes tentaram assaltar aos clientes, mas da última vez o ato foi concretizado. “Vieram quatro homens em um carro e roubaram todas as mesas. O bar estava lotado. Roubaram toda a renda e a minha irmã estava sozinha tomando conta nesta noite. Eu fiquei muito nervosa quando ela me ligou contando e na mesma hora decidi fechar”, recorda a microempresária sustentando que nada paga a nossa paz. Outros fatores como uso de drogas no ambiente também fizeram Thássia tomar essa decisão. “Tivemos um prejuízo altíssimo, vendemos tudo por menos que a metade que compramos. E hoje, anos depois o espaço se transformou em um ateliê de bolos”.
Depois de vários assaltos, o empresário Adelson Vieira, precisou implantar câmeras de segurança no na empresa de hortifruti. Ele explica que a família já sofreu assalto por duas vezes. “Além das câmeras optamos por um sensor que mantém a porta travada e só é aberta se acionarmos o botão próximo ao caixa”. Embora considerando que assalto não está estampado na cara, ele garante que a medida tem funcionado porque traz mais segurança.
Shopping
No mês passado, um possível tentativa de assalto pegou clientes de surpresa num shopping da capital. Mais de 30 viaturas da Polícia Militar do Amazonas foram acionadas para atender um possível assalto à loja Renner, que funciona no primeiro piso do centro de compras. A assessoria confirmou a tentativa de assalto, sem vítimas.
Vídeos e áudios gravados por frequentadores do local logo ganharam grupos de WhatsApp e redes sociais. Imagens feitas por câmeras de seguranças mostram funcionários e o cliente discutindo com um homem, que supostamente seria o autor da tentativa de furto.
Por dentro
Dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas), divulgados em janeiro deste ano, apontou que quase 80 mil roubos e furtos foram registrados na capital amazonense no ano passado. Conforme o órgão, 50 pessoas morreram vítimas em decorrência destes assaltos, em 2018.
Em entrevista a um jornal local à época, o delegado-adjunto da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), Demetrius Queiroz, explicou que a tendência é o crime continua aumentando devido a leis com penas brandas.
E declarou que muitos roubos e furtos, segundo o delegado, são coordenados de dentro dos presídios do Estado. O crime organizado precisa ser combatido, segundo Queiroz, também dentro das cadeias.







