O Amazonas emendou, em maio, seu quarto mês seguido com aumento no saldo de empregos com carteira assinada em todas as comparações de períodos. A conclusão vem da análise dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo governo federal nesta quinta (27).
Em relação a abril, o saldo avançou 0,24%, impulsionado pela criação de 1.062 empregos celetistas, já que as admissões (11.661) superaram os desligamentos (10.599). Em 12 meses, a diferença entre contratações (142.995) e demissões (132.545) elevou sua margem, levando o Estado a abrir 10.450 vagas no período, com alta de 2,38% sobre o estoque anterior.
O quarto aquecimento consecutivo do Estado elevou o acumulado dos cinco meses. No total, 60.089 trabalhadores amazonenses ingressaram no mercado formal de trabalho, ao passo que 56.784 deram baixa na carteira até maio. O incremento foi de 3.305 postos de trabalho, gerando alta de 0,74% em relação ao estoque anterior.
Assim como ocorrido no levantamento anterior, os melhores números do Amazonas vieram dos setores mais fortes e dinâmicos: indústria de transformação, construção civil e serviços, que pontuaram bem em todos os cenários. Houve uma melhora nas atividades extrativa mineral e de administração pública.
Na passagem de abril para maio, a indústria de transformação foi a que obteve o maior saldo de empregos (436) e avançou 0,44% – tendo perdido o posto de maior variação percentual para a atividade extrativa mineral (+1,27%). Em 12 meses, houve alta de 1,84% e saldo de 1.788 empregos celetistas – contra os 383 do mês anterior. No quadrimestre, os números subiram para 2.052 e 2,12%, respectivamente – os maiores do período.
Dos 12 segmentos industriais listados pelo Caged, sete pontuaram bem em todos os cenários. Nos outros, as perdas se restringiram a um ou dois períodos. Em relação a abril, o maior saldo veio do polo mecânico (481 e respectivamente) e a maior variação ficou em minerais não metálicos (+1,89%). Em 12 meses, a indústria mecânica teve os melhores resultados (1.146 vagas e +8,87%). No ano, os maiores números respectivos vieram das divisões de material de transporte (476) vestuário e artefatos de tecidos (+4,37%).
A construção civil criou 231 postos de trabalho entre abril e maio (+1,15%), 1.398 em 12 meses (+7,38%), e 1.178 no ano (+6,15%). O setor de serviços, por sua vez, avançou 0,08% na comparação mensal (+163 vagas), 0,99% no saldo anual (+2.084) e 2,54% em 12 meses (+5.254). Os melhores resultados, neste caso, vieram do segmento imobiliário.
“Vale da crise”
O comércio, por outro lado, teve desempenho positivo na criação de empregos formais na passagem de abril para maio (+0,25% e +243 vagas) e em 12 meses (+2,42% e +2.259 empregos). Mas, os números não foram suficientes para recuperar o saldo do acumulado (-1,56% e -1.513 postos de trabalho), que ainda não saiu do vermelho neste ano, graças aos resultados do varejo.
O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, atribui a alta consistente dos empregos celetistas no setor de serviços à redução dos custos proporcionada pela terceirização, mas salienta que o comércio ainda não se recuperou plenamente da crise.
“O comércio é muito sazonal e dependente de datas, o que contribui para essas variações. Além disso, caímos muito e ainda atravessamos o vale da crise. E ainda vamos atravessar um mês de férias, logo após o consumidor ficar sem dinheiro, em virtude do Festival de Parintins. Mas, ainda confio na recuperação do setor até o final do ano”, ponderou.
Efeito cheia
A agropecuária foi a única atividade do Estado a amargar retração em todas as comparações de períodos. A diferença entre desligamentos (131) e admissões (129) foi de apenas dois empregos no comparativo mensal, mas produziu variação negativa de 0,05%. Em 12 meses, o setor cortou oito postos e encolheu 0,21%. Mas, acumula a extinção de 481 vagas no ano, correspondendo a um corte de 11,13% em relação ao estoque anterior.
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, atribuiu a queda no saldo de empregos aos efeitos da cheia dos rios. “Os segmentos mais atingidos do setor primário foram a fruticultura – principalmente banana –, além da mandioca e da pecuária”, finalizou.







