O Amazonas emendou, em julho, seu sexto mês seguido com aumento no saldo de empregos com carteira assinada em todas as comparações de períodos. A informação está nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo governo federal nesta sexta (23).
A nota alta no estoque de empregos do Estado elevou o acumulado dos sete meses. No total, 87.925 trabalhadores amazonenses ingressaram no mercado formal de trabalho, ao passo que 79.974 deram baixa na carteira de janeiro a julho. O incremento foi de 7.951 postos de trabalho, gerando alta de 1,78% em relação ao número anterior.
Em relação a junho, o saldo avançou 0,47%, impulsionado pela criação de 2.128 empregos celetistas, já que as admissões (13.305) superaram os desligamentos (11.177). Em 12 meses, a diferença entre contratações (147.720) e demissões (135.899) elevou sua margem, levando o Estado a abrir 11.821 vagas no período, com alta de 2,67% sobre o estoque anterior.
Assim como ocorrido nos levantamentos mais recentes, os melhores desempenhos vieram dos setores mais fortes e dinâmicos: indústria de transformação, construção civil e serviços, que pontuaram bem em todos os cenários. Houve melhora nas atividades extrativa mineral e de agropecuária, mas a administração pública amargou quedas em todos os cenários.
Na passagem de junho para julho, a indústria de transformação foi a que obteve o maior saldo de empregos (630) e avançou 0,63%, puxada especialmente pelos segmentos mecânico, metalúrgico e de material de transporte. Em 12 meses, houve alta de 2,28% e saldo de 2.237 empregos celetistas. No acumulado dos sete meses, o total foi de 3.241 vagas, com alta de 3,34%.
Dos 12 segmentos industriais listados pelo Caged, sete avançaram em todos os cenários. Nos outros, as perdas se restringiram a um ou dois períodos. Em relação a junho, o maior saldo veio da indústria de material de transporte (487) e a maior variação ficou no polo metalúrgico (+3,20%). Em 12 meses, a indústria mecânica teve os melhores resultados (1.159 vagas e +8,59%). No ano, o incremento proporcional mais significativo veio da divisão de vestuário (+8,49%) e o maior número absoluto veio de material de transporte (1.105).
Na avaliação do presidente da Fieam, Antonio Silva, os números do Caged refletem a reação da indústria local, que está respondendo ao aumento das encomendas de produção de final de ano, mas as perspectivas “são alentadoras” de uma recuperação ainda maior com a melhora do ambiente econômico.
“Com a proximidade das festas natalinas há um aquecimento da demanda, que provoca aumento de produção e gera reposição de mão de obra. É importante para a ZFM que a classe política brasileira entenda e se convença da necessidade da inclusão desse modelo na Reforma Tributária para o desenvolvimento do Brasil e da nossa região. Aí sim, as nossas perspectivas para o fim de 2019 e início do próximo ano serão bem melhores”, asseverou o presidente da Fieam, Antonio Silva.
Sem comemorações
A construção civil foi o setor econômico do Amazonas que registrou a maior variação positiva em todas as comparações de períodos, conforme o Caged: 2,10% entre junho e julho (+434 vagas), 11,08% no ano (+2.123), e 8,94% em 12 meses (+1.747).
No entendimento do diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, ainda não há motivos para comemoração no setor, já que a atividade ainda se encontra em um momento de recuperação, que pode ser longo.
“Há meses, as construtoras estão com um estoque de 5.000 unidades de imóveis residenciais e pelo menos dois terços das obras públicas do Estado estão no interior. Ainda estamos em um período de ajustes e pode ser que até venha um número menor no final do ano. No ritmo atual, para chegarmos ao patamar de 2014, vamos demorar até 2025”, lamentou.
Abaixo do necessitado
O setor de serviços esteve entre os que menos avançaram proporcionalmente (+0,09%) na comparação mensal (+187 vagas). Obteve saldos positivos também nos acumulados do ano (+1,49% e +3.137) e de 12 meses (+2,52% e +5.247). Os melhores desempenhos vieram dos segmentos imobiliário e de transportes e comunicações.
E, como ocorrido nos levantamentos mais recentes, o comércio avançou nas comparações mensal (+0,42%) e em 12 meses (+2,69%), com incremento de 399 e 2.529 vagas, respectivamente. Mas seguiu devendo no saldo do acumulado, que sofreu corte de 724 postos de trabalho, com retração de 0,74% em relação ao estoque anterior. O impacto negativo veio novamente do varejo.
“O mercado está absorvendo devagar esses trabalhadores. Havia maior prudência das empresas quando a Reforma da Previdência estava na Câmara. E as datas comemorativas não renderam o que o setor necessitava. Vamos se no fim de ano, com a queda de juros e outras medidas, a coisa melhora”, concluiu o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho.






