Em novo ziguezague, a produção industrial do Amazonas voltou a encolher em julho, após emendar os dois meses anteriores com elevação da atividade, mantendo o acumulado da atividade em terreno negativo e reduzindo o desempenho do Estado em 12 meses – de 10,9% para 3%. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta terça (10).
Em relação a junho, a queda no ritmo da atividade chegou a 6,2%, colocando o Estado na última posição do ranking nacional e bem abaixo da média brasileira do setor (-0,3%). Os melhores desempenhos vieram do Rio de Janeiro (+6,8%) e do Mato Grosso (+5,5%). No sentido contrário, Amazonas e Pernambuco (-3,9%) amargaram os piores resultados.
No confronto com o número de julho de 2018, o crescimento foi de apenas 0,3%, e colocou o Amazonas na oitava posição dentro do mês e acima da média nacional (-2,5%). O primeiro lugar coube ao Paraná e ao Rio de Janeiro (empatados com 4,8%), seguidos pelo Pará (3,4%). Os piores desempenhos ficaram no Espírito Santo (-14,2%) e em Pernambuco (-10,2%).
Na variação acumulada dos sete meses iniciais de 2019, a indústria amazonense ainda não conseguiu sair do negativo (-0,6%), mantendo praticamente o mesmo valor de mês anterior (-0,7%). Os melhores desempenhos nessa comparação vieram do Paraná (+7,2%), Rio Grande do Sul (+6,9%) e Santa Catarina (+4,2%). Os piores ficaram com Espírito Santo (-12,2%), Minas Gerais (-4,7%) e Mato Grosso (-4,2%).
Eletroeletrônicos e combustíveis
Cinco atividades da indústria local tiveram bom desempenho na comparação de julho de 2019 com igual mês do ano passado: máquinas e equipamentos (+117,4%), derivados de petróleo (+18,8%), informática, eletrônicos e óticos (+28,8%) e indústria extrativa (+1,3%). As divisões de impressão e reprodução de gravações (-23,1%), máquinas e equipamentos e materiais elétricos (-0,7%), produtos de metal (-14,3%) e bebidas (-24,8%), contudo, puxaram os números da indústria amazonense para baixo.
Entre os produtos com desempenho positivo, os destaques ficaram na fabricação de condicionadores de ar de todos os tipos, terminais de autoatendimento, televisores, celulares e máquinas automáticas, além de gasolina, óleo combustível, gás e gás natural. Os resultados negativos ficaram nas linhas de produção de discos de vídeo DVDs, alarmes, condutores e garrafas plásticas.
“Resta à indústria amazonense cinco meses para tentar recuperar-se e fechar 2019 com um número positivo de crescimento. Ainda há esperança, uma vez que algumas atividades importantes do PIM estão apresentando crescimento. Nesse momento, seria importante que segmentos com fraco desempenho, pudessem se recuperar. Mas, não depende unicamente das indústrias, pois há todo um contexto econômico”, ponderou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.
Componentistas em alta
O vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, relativizou os números do IBGE, ao salientar que, apesar da retração mensal de julho, o desempenho de agosto já aponta para crescimento sustentado nos próximos meses.
“Não tenho essa leitura. O número de pedidos para o segmento componentista do PIM tem registrado bom desempenho. É um sinal que aponta para um possível saldo positivo de produção do PIM como um todo, até o fim de ano. Vamos aguardar que o próximo ano siga nesse ritmo e seja positivo também”, amenizou vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo.
Férias coletivas
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Mario Okubo, disse que os números do IBGE para julho estão dentro do esperado pela entidade, que hoje reúne principalmente indústrias de bens finais e intermediários do polo de duas rodas do PIM.
“Não sei o que dizer a respeito do desempenho dos outros segmentos industriais da Zona Franca. No caso do polo de duas rodas, era previsível que houvesse uma retração sazonal entre junho e julho, já que as empresas costumam dar férias coletivas nesse período. De uma forma geral, acredito que a produção está se encaminhando para o que foi projetado pelas empresas e pela Abraciclo”, justificou o presidente da Aficam, Mario Okubo.
Insegurança jurídica
Por motivo diferente, o vice-presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Celso Piacentini, também avalia que os números do IBGE já eram previsíveis para a indústria incentivada de Manaus, dado o atual nível de insegurança jurídica para investidores que miram a ZFM e até para os fabricantes já instalados no PIM.
“Não há nada de novo no horizonte e não vejo condições das coisas mudarem. Talvez até piorem. Com o ministro da Economia dizendo que a Zona Franca ‘tem que acabar’, as indefinições da Reforma Tributária e uma nova Lei de Informática sendo preparada, qual o investidor que vai querer vir para Manaus? Estamos em uma clima de indefinição brutal e de muita insegurança. E não há demanda para justificar as empresas já instaladas a produzir mais”, encerrou.






