Comércio volta a retrair em julho na contramão dos números nacionais

Em: 13 de setembro de 2019
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O comércio varejista do Amazonas interrompeu a trajetória de retomada dos meses anteriores e, na contramão dos números do Brasil, sofreu recuo entre junho e julho. O mesmo não se deu no varejo ampliado, que inclui produtos mais dependentes de crédito, como veículos e material de construção, e onde houve alta em todas as comparações. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE sobre a atividade, divulgada nesta quarta (11). 

O volume de vendas do varejo amazonense encolheu 1,9% entre junho e julho, número bem abaixo do levantamento anterior (+6,5%). Na comparação com o mesmo mês do ano passado, contudo, houve elevação de 17,9%. O setor também fechou no azul nos acumulados do ano (+5,1%) e dos 12 meses encerrados em julho (+3,8%). 

A queda de 1,9% do volume de vendas na comparação com junho levou colocou o Estado na última posição entre as 27 unidades da federação pesquisadas mensalmente pelo IBGE, acompanhado por Roraima (-1,6%) e Ceará (-1,5%). Em sentido contrário, as maiores altas ocorreram em Mato Grosso (+5,4%), Rio de Janeiro (+2,7%) e Bahia (+2,4%).

Já o resultado positivo de 5,1% nas vendas do acumulado de 2019, levou o Amazonas a alcançar a quinta posição no país, com pontuação acima da média nacional (+1,2%). As maiores altas ocorreram no Amapá (+10,6%), Acre (+7,6%), e Santa Catarina (+7,3%), enquanto as maiores baixas se situaram no Piauí (-9,7%), Paraíba (-5,6%) e Alagoas (-3%).

Em termos de receita nominal – que não considera a inflação do período –, a queda em relação a junho foi ainda maior: 2,9%. Na comparação com junho de 2018, contudo, o varejo do Amazonas se saiu melhor e subiu 20,4%. O saldo foi positivo também para os acumulados do ano (+7,4%) e dos últimos 12 meses (+5,8%).

Assim como ocorrido no volume de vendas, a queda da receita nominal entre junho e julho, levou o Amazonas a amargar a última posição do ranking nacional, sendo acompanhado novamente por Roraima (-1,7%) e Ceará (-1,6%). As maiores elevações ocorreram em Mato Grosso (+4,4%), Rio Grande do Sul (+2,7%) e Rio de Janeiro (+2,6%).

A receita nominal no acumulado do ano colocou o Amazonas na sétima posição do ranking do IBGE e bem acima da média nacional (+4,9%). Os melhores resultados vieram do Amapá (+14,2%), Santa Catarina (+10,9%) e Espírito Santo (+10,1%). Os piores, ficaram no Piauí (-6,3%), Paraíba (-1,4%) e Alagoas (-1%).

Veículos e construção

O varejo ampliado – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – teve resultado descolado do restante do varejo amazonense. As vendas subiram 0,7% entre junho e julho. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o aumento foi de 12,4%. Os acumulados do ano (+5,6%) e de 12 meses (+6,3%) também foram positivos.

A receita nominal expandiu 0,5% em relação a junho de 2019 e registrou incremento de 15,9% no confronto com julho de 2018. No acumulado do ano, o desempenho foi positivo em 8,5%, número superado pelo resultado do aglutinado dos últimos 12 meses (+8,8%). Tanto em vendas, quanto receita, os números situaram o Estado acima do patamar nacional.

“A despeito do fraco desempenho de um mês para o outro, julho trouxe ótimo resultado na comparação com julho de 2018. Assim, o acumulado de crescimento no ano ficou com uma boa alta. Outra boa notícia foi o comércio ampliado que apresentou resultados positivos em todas as comparações. Em uma leitura inicial, podemos afirmar que o comportamento da venda de veículos e de material de construção impulsionou o indicador”, avaliou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Demanda reprimida

No entendimento do presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, a ausência de datas comemorativas ajudou a reduzir os resultados do setor em julho, ao passo que a maior liquidez na economia ajudou a atender a demanda reprimida do consumidor por produtos mais dependentes de crédito.

“Os juros estão caindo e os bancos fazendo campanhas de recuperação de crédito, além de oferecer mais recursos para financiamentos. Já vemos bons resultados na Semana do Brasil. Os próximos meses devem ser melhores, graças à liberação do FGTS e o adiantamento da primeira parcela do 13º salário, entre outros recursos que devem fazer a diferença”, amenizou Ataliba David.  

Férias e dissídios

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, destaca que a diferença de dias úteis de um mês para o outro contribui para os resultados e lembra que boa parte da população de Manaus viaja de férias em julho, comprometendo o desempenho dos segmentos comerciais de alimentação e combustíveis, entre outros. O dirigente avalia, contudo, que os próximos meses serão melhores para o setor.

“Houve melhora de empregos, embora ainda não no nível desejado. Tivemos a inauguração de mais de 200 lojas no Amazonas, que ajudam nesse sentido. E o Distrito também contribui, com pequenas contratações e os dissídios das categorias, de 2,5% a 3,5%, que ajudam nas vendas do setor”, arrematou Ralph Assayag. 

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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