Na segunda-feira, 16, quem gosta da cultura japonesa tem dois motivos para ir ao Teatro Amazonas: primeiro, comemorar os 90 anos de imigração japonesa para a Amazônia e, segundo, prestigiar o show, gratuito, do grupo On Ensemble e da cantora Sumie Kaneko, com início às 20h.
Sumie e o On Ensemble começaram a se apresentar juntos há cinco anos. Desde então vêm realizando várias apresentações pelo mundo. A mais recente foi na Nicarágua e na Guatemala.
Sumie Kaneko iniciou sua carreira em 1995, quando ganhou a Competição Internacional Takasaki com uma performance tocando o koto (instrumento de corda japones). Após graduar-se em artes pela Universidade Nacional de Tokyo, em 2002, Sumie mudou para Boston/EUA, para estudar canto/jazz na Faculdade Berklee de Música. Nos Estados Unidos ela realizou performances no Carnegie Hall, Lincoln Center, Blue Note NY, TED talk, Regattabar, Getty Center, Boston Ballet, entre outros, além de viajar pela América Latina, depois Oriente Médio, sul da Ásia e Europa, sempre a convite do governo do Japão. Sumie já lançou dois álbuns.
O On Ensemble foi formado em 2002 e é um dos mais respeitados grupos de taiko (percussão japonesa) do mundo. Liderado por dois amigos de infância, Sho Kameda e Masato (Maz) Baba, e composto por mais dois artistas, Eien Hunter-Ishikawa e Abe Lagrimas Jr (que não estará se apresentando neste concerto no Teatro Amazonas). O grupo lançou três álbuns reconhecidos, ‘Dust and Sand’, ‘Ume in the Middle’ e ‘Bizarre Heroes’. Além disso, a música deles foi destaque no curta-metragem ‘Yamasong’. O On Ensemble é patrocinado por um dos mais importantes portadores da cultura tradicional do Japão, o Miyamoto Unosuke Shoten. O grupo organiza turnês anuais de oficinas, ensinando taiko em cidades ao redor do mundo.
Vasta natureza tropical

Durante sua apresentação no Teatro Amazonas Sumie e On Ensemble não cantarão e tocarão apenas músicas típicas japonesas.
“Suas músicas autorais sofrem constante influência de diversos gêneros musicais internacionais. Além disso, eles não consideram que os japoneses se resumem à população que nasce e cresce no Japão, mas também aos descendentes (nikkeis) que estão espalhados em diversos países, como no Brasil. Desta forma, eles sempre levam em consideração estes descendentes, compondo músicas que enfatizam cada cultura destes nikkeis”, explicou a assessoria dos artistas.
Sumie Kaneko já veio ao Brasil algumas vezes, mas o On Ensemble será a primeira vez, ou seja, a estréia de ambos em Manaus, uma das capitais amazônicas que recebe japoneses desde o final do século 19.
Perguntados sobre o que os artistas conhecem sobre a Amazônia, eles responderam: “ao imaginarmos a Amazônia, vem à nossa mente a natureza e a flora, com uma vasta diversidade tropical e bacia amazônica, animais típicos da região e músicas tradicionais”, disseram.
O show no Teatro Amazonas será uma apresentação conjunta de Sumie Kaneko e On Ensemble, estes, tocando em sua maioria, músicas compostas e autorais da banda acompanhados da performance de Sumie com o koto e o shamisen.
“A Fundação Japão realizou os trâmites para a vinda dos artistas a fim de prestigiar este ano com a Comemoração dos 90 Anos de Imigração Japonesa para a Amazônia. O grupo passará primeiramente em Belém, em concerto musical no Teatro da Paz, e fechará a sua vinda com chave de ouro na apresentação no Teatro Amazonas”, finalizou a assessoria.
Chega a Tomé-Açu, em 1929
A imigração japonesa na Amazônia foi iniciada 21 anos depois da vinda dos primeiros imigrantes do navio Kasato Maru, em 1908. Os colonos pioneiros vieram para Tomé-Açu (1929), no Pará e, para em Maués (1930) e Parintins (1931), no Amazonas. Na época em que foi iniciada a imigração japonesa na Amazônia, a economia regional era essencialmente extrativista e estava estagnada desde 1911, devido à crise da borracha, que chegou a participar como terceiro produto de exportação do país. O sucesso da colonização japonesa decorreu do modelo baseado na introdução de recursos da biodiversidade exógena, numa época em que era um comportamento normal. Recursos genéticos da Amazônia eram levados para outras partes do país e do mundo e por sua vez os migrantes trouxeram estes recursos de outros locais para a região. O novo enfoque de desenvolvimento induzido pelos descendentes dos japoneses está baseado no aproveitamento da biodiversidade local associado com plantas exóticas introduzidas no passado e outras mais recentes, de forma clandestina. O Japão pode ajudar muito a Amazônia, mediante convênios técnico-científicos que sejam complementares, na recuperação das áreas degradadas e da fauna pesqueira, controle da poluição dos rios, tecnologia de madeira, aproveitamento dos recursos da biodiversidade na área de cosméticos, fármacos, corantes naturais, entre os principais. Quanto às exportações há necessidade de equilibrar a balança comercial do Amazonas, Pará e Maranhão com o Japão, desfavorecida pelas importações da Zona Franca de Manaus e dos baixos preços dos produtos da natureza que são exportados.
Fonte: Embrapa







