Candidatos mais jovens e do sexo masculino têm mais chances de serem absorvidos pelo mercado de trabalho do Amazonas. É o que aponta estudo da Seplancti (Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base nos dados do Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados) de julho.
Jovens de 18 a 24 anos conquistaram 1.245 vagas no período. De acordo com a sondagem, o grupo é o que têm as melhores oportunidades no mercado de trabalho no Amazonas, em uma escala decrescente de vantagens, à medida em que a faixa etária do candidato evolui.
Entre 25 e 29 anos, a oferta cai drasticamente para 475 postos de trabalho, diminuindo para 374 vagas para os trabalhadores que estão na faixa de 30 e 39 anos. Para os que têm entre 40 e 49 anos, a situação fica mais complicada, dado que a oferta de trabalho não passou de 57 vagas. Já para o grupo entre 50 e 64 anos houve redução de 207 empregos.
Para a diretora da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seção Amazonas), Leuza Medeiros, os números não surpreendem diante da atual dinâmica econômica brasileira, em que o mercado está reaquecendo lentamente e absorvendo candidatos para cargos dos níveis mas baixos e intermediários.
Apesar da preferência pelos mais jovens, o estudo aponta que a experiência ainda é um requisito importante para o empregador na hora de recrutar mão de obra. A admissão para os que tiveram o primeiro emprego alcançou 1.611 pessoas, apenas 12,11% das contratações. Reemprego ou recolocação para as pessoas que já estiveram no mercado de trabalho, respondeu por 87,89% do total de admissões (11.694 pessoas).
“Não se trata de um preconceito. Uma pessoa com menos idade ainda não teve tempo de consolidar uma carreira e aceita ganhar menos em níveis mais baixos na hierarquia corporativa, como analistas, assistentes e até coordenadores. Candidatos mais velhos tendem a ter mais experiência, uma produção mais robusta e miram em cargos de chefia e gestão, onde os salários são mais altos e a oferta é mais escassa”, justificou.
Menos mulheres
A mesma disparidade foi observada quando se leva em conta o gênero do postulante à vaga de trabalho. Do total de 13.305 pessoas contratadas em julho, 9.025 eram homens (67,83%), enquanto apenas 4.280 eram mulheres (27,31%).
A diretora da ABRH-AM diz que os dados informados no texto de divulgação da pesquisa não permitem concluir o motivo da discrepância de gênero na absorção de candidatos e discorda de que ela tenha se motivado por preconceitos contra o sexo feminino. A dirigente considera que muitos outros fatores e variáveis devem ser levados em conta para a análise.
“Não tem como explicar pela demanda, já que a quantidade de homens e mulheres que buscam emprego é praticamente igual. É necessário levar em conta o contexto do mercado, a realidade das empresas e o que elas buscam. Talvez tenha ocorrido um diferencial na oferta de vagas, com um perfil predominantemente masculino na atividade, como construção civil”, arrematou.
Vale notar que, entre junho e julho, a indústria foi o setor que obteve o maior saldo de empregos no Amazonas (630), conforme o Caged. Avançou 0,63%, puxada pelos segmentos mecânico, metalúrgico e de material de transporte. Houve alta de 2,28% em 12 meses (2.237 empregos) e de 3,34% no acumulado (3.241 vagas).
Já a construção civil foi o setor que registrou a maior variação positiva no Amazonas, levando em conta todas as comparações de períodos: 2,10% entre junho e julho (+434 vagas), 11,08% no ano (+2.123), e 8,94% em 12 meses (+1.747).







