Preço dos combustíveis sob ameaça após turbulência internacional

Em: 18 de setembro de 2019
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Os ataques a uma refinaria de petróleo da Arábia Saudita trouxeram a expectativa de uma nova rodada de alta de preços. Os postos de gasolina do Amazonas aguardam apenas a decisão da Petrobras para seguir o mesmo caminho, conforme o Sindicombustíveis/AM (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Alcoóis e Gás Natural do Estado do Amazonas).

A Petrobras informou, por meio de nota, que está monitorando o mercado internacional de petróleo e que ainda não há previsão de reajuste de preços nos produtos negociados pela estatal, como os combustíveis e derivados de petróleo. 

Logo depois dos ataques aéreos à refinaria de Abqaiq, o governo da Arábia Saudita revelou que sua produção diária caiu para cerca da metade. Na abertura dos mercados, a repercussão dos ataques resultou na elevação dos preços internacionais do petróleo.

“A cotação internacional do petróleo apresenta volatilidade e a alta súbita de preços pode ser atenuada, na medida em que maiores esclarecimentos sobre o impacto na produção mundial sejam conhecidos. A Petrobras decidiu por acompanhar a variação do mercado nos próximos dias e não fazer um ajuste de forma imediata”, assinalou a nota distribuída pela Petrobras à imprensa.

Indagado sobre o assunto na tarde desta terça (17), pela Agência Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se desvencilhou da pergunta e disse apenas que “petróleo quem resolve é a Petrobras”, ao sair de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro. 

Margens apertadas

De acordo com o vice-presidente do Sindicombustíveis/AM, Geraldo Dantas, se a Petrobras se decidir pelo reajuste na distribuição dos derivados de petróleo , não será possível segurar o preço nas bombas de combustível do Amazonas, já que as empresas trabalham atualmente com margem de lucro gradativamente mais apertada.

“Vamos aguardar para ver o que a Petrobras vai fazer. Se der uma subida, não vamos ter como segurar. A decisão da empresa vai depender muito de quanto tempo essa alta nos preços do barril de petróleo vai permanecer. Se for por tempo muito prolongado, a Petrobras não terá outra opção a não ser repassar a alta, dada sua atual política de preços”, alertou. 

Apesar de não descartar a possibilidade de uma nova rodada de reajustes, o vice-presidente do Sindicombustíveis/AM descarta a possibilidade de uma nova crise brasileira nos moldes das que se seguira após os choques de petróleo dos anos 1970 e 1990. “O nível de produção do Brasil já atende pelo menos 80% de sua demanda interna e nosso petróleo é de boa qualidade”, justificou.

Menos vendas

Outro fator que justifica um repasse imediato dos preços, conforme o dirigente, é que a redução das margens veio acompanhada também por uma queda substancial nos volumes de negócios dos postos de combustíveis do Amazonas, já que a crise resiliente na economia brasileira, segundo Geraldo Dantas, não está poupando nem mesmo segmentos de produtos básicos.

“Tivemos uma queda de pelo menos 5% nas vendas nos últimos dois meses, quando comparamos com os números do mesmo período de 2018. O consumidor busca alternativas para reduzir o custo do transporte, seja procurando transporte público ou aplicativos, seja compartilhando carona. E essa opção se reflete no movimento nos postos, assim como na suas intenções de investir e contratar”, encerrou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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