Crônicas de Dom Sérgio humanizam o sacerdócio

Em: 2 de outubro de 2019
Em vias de deixar o arcebispado de Manaus, Dom Sérgio Castriani lançou primeiro livro
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Em vias de deixar o arcebispado de Manaus, Dom Sérgio Castriani lançou primeiro livro

Vez por outra algum padre aparece escrevendo para os jornais locais, principalmente a partir da década de 1950, crônicas, como o padre Nonato Pinheiro (1922/1994) que, durante décadas se fez ler pela população manauara nos diários impressos. Destaque para o padre Luiz Ruas (1931/2000) que, amante da sétima arte, depois de assistir a filmes, tinha suas críticas publicadas num jornal, elogiando, ou não, o que vira. O pesquisador Roberto Mendonça reuniu no livro “Cinema e crítica literária de L. Ruas” uma seleção das críticas escritas pelo padre Ruas. Agora, mais ou menos como Roberto Mendonça fez com Ruas, a escritora e membro da Academia Amazonense de Letras, Carmen Nóvoa, organizou as crônicas que o arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sérgio Castriani escreve desde 2013 no jornal Amazonas em Tempo e publicou o livro ‘Primeiras Crônicas’.

“Como o nome indica, é meu primeiro livro. Desde quando me tornei arcebispo metropolitano de Manaus, em 2012, e vim para cá, de Tefé, comecei a escrever as crônicas. Estas do livro são dos anos de 2013 e 2014”, lembrou o arcebispo.

“Semanalmente eu escrevo pro jornal, então, ainda tenho muitas crônicas de 2015 para cá”, adiantou.

Católica fervorosa, Carmen Nóvoa também atuou nos livros de Dom Luiz Soares Vieira (1937), antecessor de Dom Sérgio. Ela escreveu o prefácio dos três livros lançados por Dom Luiz, “mas dessa vez senti uma inspiração de Nossa Senhora e resolvi fazer esse livro para comemorar os 25 anos de Academia Amazonense de Letras, com o objetivo de imortalizar as crônicas de Dom Sérgio”, falou.

A palavra do pastor

‘Primeiras Crônicas’ foi lançado no mês passado, na Catedral Metropolitana de Manaus. O livro possui 230 páginas, contendo 90 crônicas, um memorial fotográfico, entrevistas da web e bibliografia. Antes do lançamento, uma missa foi presidida pelo próprio homenageado, concelebrada pelo bispo auxiliar Dom Tadeu Canavarros e pelo arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva, contando com a presença também de vários presbíteros da arquidiocese de Manaus.

No lançamento, além dos padres e diáconos, estiveram também presentes seminaristas, religiosos, leigos, políticos, autoridades e amigos tanto da organizadora do livro quanto de Dom Sergio.

“Hoje nos reunimos aqui para fazer o lançamento de um livro, que não é simplesmente um livro e sim uma obra feita aos poucos com o intuito de dizer uma palavra que fizesse sentido para os homens e mulheres do nosso tempo e que levasse ao leitor a palavra do pastor”, falou o arcebispo na ocasião do lançamento.

“As crônicas falam sobre o que eu presencio no dia a dia, de minha vida pessoal, passando pela religião e até política”, adiantou.

Em abril deste ano, devido a problemas de saúde, Dom Sérgio Castriani enviou ao papa Francisco um pedido de renúncia do cargo de arcebispo.

“Até agora estou aguardando ele aceitar meu pedido e indicar um novo arcebispo para assumir as funções do cargo. Enquanto isso, continuo escrevendo crônicas”, revelou.

Quem quiser adquirir ‘Primeiras Crônicas’, o livro continua sendo vendido no Centro Arquidiocesano São José, localizado na rua Major Gabriel, 767, centro. Informações: 3212-9000.

 “Desde quando me tornei arcebispo metropolitano de Manaus, em 2012, e vim para cá, de Tefé, comecei a escrever as crônicas”, Sérgio Castriani – Arcebispo de Manaus

Biografia de Castriani

Sérgio Eduardo Castriani nasceu em Regente Feijó/SP, em 31 de maio de 1954. É filho de Aurelio Castriani, oficial de justiça, e de Anna de Mello Castriani, professora. Foi formado na Congregação do Espírito Santo, tendo seus primeiros votos religiosos ocorridos no dia 2 de fevereiro de 1975, ordenando-se padre em 9 de dezembro de 1978, em São Paulo.

Como padre, o primeiro trabalho de Sérgio Castriani foi realizado na cidade de Feijó, no Acre, em 1979, na diocese de Cruzeiro do Sul. Depois foi diretor da Casa de Formação dos Estudantes de Filosofia de sua congregação religiosa em São Paulo, na Vila Mangalot. Foi ecônomo da Casa Provincial, em São Paulo, e conselheiro geral de sua congregação, por seis anos, época em que viveu em Roma, na Casa Generalícia.

Foi conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo e como padre dedicou-se como assessor da Pastoral da Juventude. Nomeado bispo coadjutor, por João Paulo II, em 1998, para a prelazia de Tefé, tornou-se bispo titular, em 2000. 

Em maio de 2007, foi delegado pela CNBB, na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em Aparecida. 

No dia 12 de dezembro de 2012 foi nomeado pelo papa Bento XVI arcebispo metropolitano da arquidiocese de Manaus e empossado no dia 23 de fevereiro de 2013, em uma missa realizada na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição. Recebeu o pálio, das mãos do papa Francisco, na Basílica de São Pedro, em 29 de junho de 2013.

Devido a problemas de saúde, em abril de 2019 Dom Sérgio pediu sua renúncia do arcebispado e aguarda decisão do papa Francisco.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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