Precisamos unir esforços em agendas comuns, diz superintendente da Sudam

Em: 10 de outubro de 2019
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Superintendente da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), Paulo Roberto Correia da Silva, destaca investimentos da autarquia na Amazônia e fala da importância dos estados do Norte de unir esforços para dinamizar desenvolvimento da região. Há mais de 4 anos como superintendente da SUDAM, Paulo Roberto é formado em Administração, com experiência em gestão de instituições públicas e privadas. 

Em entrevista ao Jornal do Commercio, ele falou dos desafios frente a superintendência e do modelo de gestão implantado para direcionar os trabalhos para o crescimento da região. A meta é buscar  a cooperação federativa e participação social, para que a região amazônica torne-se cada vez mais dinâmica, integrada, sustentável e competitiva.

Durante o período de 2009 a 2018, o Amazonas foi o estado com maior destaque de incentivos fiscais concedidos pela Sudam. Foram 1.051 incentivos fiscais que geraram mais de 90 mil empregos diretos e indiretos. A soma chegou ao total de R$ 34.7 milhões em investimentos  atraídos e mantidos.

Jornal do Commercio — Diante dos desafios da Zona Franca de Manaus qual a importância do investimento da Sudam no Amazonas?

Paulo Roberto — A SUDAM procura olhar os estados amazônicos a partir de suas potencialidades, diferenças e peculiaridades, prova disso, é que o estado do Amazonas foi o Estado que se destacou quanto aos empreendimentos beneficiados com a concessão de incentivos fiscais administrados pela superintendência. Os incentivos fiscais ajudaram a atrair e a manter no Amazonas, 34 bilhões de reais, nos últimos 10 anos, que foram investidos pelas empresas beneficiadas por esse programa. Para se ter ideia, foram 1.051 incentivos fiscais concedidos e  investidos na manutenção e atração de mais de 400 empresas, gerando mais de 450 mil empregos diretos e indiretos.

JC – Como o senhor enxerga esse novo momento da economia e de que forma os estados da região norte podem se unir para buscar alternativas frente ao modelo ZFM?

P.R – Embora tenhamos efeitos econômicos positivos, como exemplo, a liberação dos saldos de contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) estimulando o consumo, e o aumento da confiança do empresariado retomando os investimentos, o Brasil está em uma fase de redirecionamentos e ajustes estruturais imprescindíveis e definidores. Tais como o das políticas tributárias, fiscal e previdência que precisam ser equacionadas. E como não é uma ilha isolada, vive em meio à intensa disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, além do conturbado cenário político e econômico de seus vizinhos sul-americanos.

Diante desse contexto, os estados do Norte precisam unir esforços em torno de agendas comuns, com ações compartilhadas que dinamizam o crescimento da região com benefícios não só econômicos, como sociais. E um bom exemplo é o modelo Zona Franca de Manaus, esse polo industrial que consegue viabilizar uma base econômica, agregando indústrias de alta tecnologia em um único espaço, gerando inúmeros empregos e renda. Estou podendo acompanhar de perto, ao participar de seu Conselho de Administração- CAS, como substituto do Ministro do Desenvolvimento Regional.

JC — Quais as principais ações desenvolvidas pela Sudam em 2019?

P.R — A SUDAM atenta em definir objetivos e metas institucionais que elevem a qualidade de vida da sociedade amazônica. Ela continua trabalhando intensamente em 2019, sem perder o fôlego em momento algum, capacitando e orientando o seu corpo técnico, para viabilizar, de forma responsável, os incentivos fiscais as empresas que se fixarem na região, ampliando as potencialidades e as oportunidades de negócios, gerando mais empregos e renda a população. Firmando convênios para efetivar projetos de desenvolvimento imprescindíveis para o enfrentamento de entraves ambientais, logísticos e sociais, além de se preparar para viabilizar o PRDA (Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia), com os seus mais de 300 projetos incluídos pelos estados amazônicos, observando os preceitos da  PNDR (Política Nacional de Desenvolvimento Regional).

JC – Como a autarquia vem trabalhando com o governo federal para alinhar o desenvolvimento da Amazônia?

P.R — As ações da SUDAM sempre convergiram com as agendas estaduais e programas federais, em prol do desenvolvimento regional. Sempre se inserindo em ações de articulação e participação em diferentes frentes, atentando-se ao fortalecimento dos instrumentos de financiamento e os arranjos institucionais, que assegurem a cooperação federativa, articulação setorial, participação e controle social. Ou seja, pactuando uma governança saudável e duradoura, que alie competitividade com equidade. 

JC –  Qual a articulação da autarquia com a bancada dos estados da Amazônia para defender o modelo ZFM?

P.R – Intensifiquei as visitas aos governadores, prefeitos e parlamentares da bancada da Amazônia, além de encontros periódicos com o ministro do desenvolvimento regional, e de outras pastas, além de federações e instituições de classe. O propósito foi de firmar parceria e fortalecer a defesa desse relevante polo industrial de Manaus, que muito vem fazendo pela integração socioeconômica da região ao restante do País, ao reunir em um só espaço, indústrias nacionais e multinacionais com alto valor agregado e tecnologia de ponta, ampliando as possibilidades do Brasil se inserir em grau de igualdade ao mercado externo.

JC – Como alinhar o desenvolvimento dos estados da região norte com a forma de pensar do Ministro Paulo Guedes?

P.R – Penso que unindo esforços e trabalhando de forma conjunta e integrada, pensamento dele também, ao falar, repetidas vezes, da importância do pacto federativo que contemple Estados e municípios nos mais variados assuntos. O momento agora é trabalhar nesse sentido.

Paulo Roberto Correia da Silva

IDADE: 41 anos

QUALIFICAÇÃO: Administração de Empresas Públicas e Privadas pela UFAM (Universidade Federal do Amazonas), com pós-graduação Latu Sensu MBA em Empresas e Negócios e Especialização em Auditorias Fiscal e Tributária.

EXPERIÊNCIA: Desde 2012, Paulo Roberto Correia, exercia o cargo de Gerente Empresarial de Empresas Públicas e Privadas na Caixa Econômica Federal em Manaus, onde permaneceu até ser nomeado superintendente da Sudam (Superintendência Do Desenvolvimento da Amazônia) em 17 de Agosto de 2015.

ÁREA DE ATIVIDADE: Administração 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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