Balança comercial retrai no Amazonas, aponta dados do Mdic

Em: 6 de fevereiro de 2020
Exportações começaram o ano no campo negativo, a despeito das importações terem crescido na mesma comparação
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Exportações começaram o ano no campo negativo, a despeito das importações terem crescido na mesma comparação

A corrente de comércio exterior do Amazonas travou em janeiro. Ao contrário do ocorrido em dezembro, as exportações começaram o ano no campo negativo, a despeito das importações terem crescido na mesma comparação. Os dados são do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e foram disponibilizados pelo portal Comex Stat, nesta terça (4).

As vendas externas do Estado voltaram a oscilar e interromperam uma sequência de duas altas mensais seguidas, ao totalizar US$ 58.31 milhões, número 24,69% abaixo do patamar de dezembro do ano anterior (US$ 77.43 milhões) e 8,60% aquém da marca registrada 12 meses atrás (US$ 63.80 milhões). 

O saldo das importações, por outro lado, voltou a subir, após a alta do mês passado. Os US$ 950.17 milhões (2019) de janeiro de 2020 correspondem a um incremento de 3,03% em relação ao número apresentado no mesmo mês do ano passado (US$ 922.25 milhões) e a um salto de 36,41% frente a dezembro de 2019 (US$ 696.53 milhões). 

Do lado das compras do Amazonas no estrangeiro, o principal país fornecedor em janeiro de 2020 seguiu sendo a China (US$ 418.37 milhões), seguida por Estados Unidos (US$ 90.69 milhões), Vietnã (US$ 65.70 milhões) e Coreia do Sul (US$ 63.74 milhões). Os dois primeiros aumentaram suas compras, enquanto os demais sofreram retrações.

Os produtos mais importados pelo Estado em outubro foram, como de costume, insumos industriais para o PIM, como circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 137.15 milhões) e partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 132.37 milhões). Celulares (US$ 76.03 milhões) e platina (US$ 65.98 milhões) vieram nas posições seguintes. Houve recuos nos dois primeiros itens e alta nos dois últimos.

O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, observa que, as importações sofrem redução em dezembro, afetando a base de comparação, mas não descarta outros fatores que também possam ter contribuído para o crescimento atípico registrado pelas aquisições estrangeiras do Amazonas em janeiro. 

“O normal é que a indústria compre muita matéria prima em outubro e novembro e diminua um pouco no fim do ano, quando as fábricas dão férias coletivas. Também pode ter acontecido um atraso na chegada das mercadorias, ou mesmo em sua contabilização junto à Receita, e o que era para ser registrado em dezembro, acabou sendo oficializado em janeiro. O importante é que nosso panorama econômico está melhor do que o de janeiro do ano passado, com reflexos no comércio exterior”, ressalvou.  

Câmbio e perspectivas

Destino tradicional dos produtos do Amazonas, a Argentina interrompeu uma sequência de baixas e ampliou em 41,40% suas compras na comparação com janeiro de 2019, de US$ 5.99 milhões (2019) para US$ 8.47 milhões (2020), subindo para o segundo lugar no ranking das exportações do Estado. Só perdeu para a Venezuela (US$ 13.41 milhões), mas ficou à frente da Colômbia (US$ 5.61 milhões), dos Países Baixos (US$ 3.83 milhões) e da China (US$ 3.70 milhões).

A lista de exportações pelo Estado foi encabeçada novamente pelas preparações alimentícias/concentrados (US$ 9.33 milhões), com recuo de 35,61% em relação a 12 meses atrás (US$ 14.49 milhões). Motocicletas (US$ 6,24 milhões), ferro ligas (US$ 5.14 milhões) e aparelhos de TV (US$ 4.26 milhões) vieram na sequência, com elevações para os manufaturados e retração para o item primário. 

No entendimento do gerente executivo do CIN, o decréscimo nas vendas externas do Amazonas já era esperado, pela sazonalidade, e também pelo menor número de dias úteis no mês. Marcelo Lima espera que a apreciação do dólar contribua para tornar o produto regional mais atraente e alavancar as exportações do Amazonas, mas ainda se diz preocupado pela influência da conturbação política em grande parte dos países vizinhos, mercados preferenciais dos produtos do Estado.

“Colômbia e Equador permanecem estáveis, mas Bolívia, Chile e Argentina ainda sofrem problemas. A liderança da Venezuela só se sustenta pela compra de itens não produzidos aqui e fornecidos por atacadistas locais. A boa venda de TVs para o exterior, por outro lado, é uma boa notícia e sinaliza que o Distrito está voltando a apostar na exportação desses produtos. É um ano promissor para o comércio exterior, pois teremos a vinda de delegações dos Estados Unidos, Suíça, Bulgária e países árabes para prospectar negócios aqui, já no terceiro trimestre. Isso nunca acontece nesse período”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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