Safra de grãos será 0,3% maior no Amazonas, aponta revisão da Conab

Em: 9 de fevereiro de 2020
A produção total no Estado deve acumular um total de 38,8 mil toneladas no período, segundo a estatal
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A produção total no Estado deve acumular um total de 38,8 mil toneladas no período, segundo a estatal

A mais recente revisão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de janeiro, manteve a estimativa de crescimento de 0,3% para a safra de grãos 2019/2020 no Amazonas. A produção total de arroz, feijão, milho e soja no Estado deve acumular um total de 38,8 mil toneladas no período, segundo a estatal – contra as 38,7 mil toneladas registradas na safra de 2018/2019.

A área de plantio, contudo, ainda é menor do que na safra anterior (17,9 mil hectares) e não passou de 17,4 mil hectares, uma diferença de 2,8%. A boa notícia é que os números refletem também um aumento de 3,1% na produtividade das culturas de grãos em solo amazonense, já que a relação entre quilograma e hectare subiu de 2.162 (2018/2019) para 2.230 (2019/2020).

Para efeito de comparação, o incremento na produção de grãos no Amazonas ficou bem aquém do brasileiro. A safra foi revista para cima neste caso e deve ser 2,5% maior, com mais de 248 milhões de toneladas. Ao contrário do ocorrido em nível local, a área de plantio segue maior (+1,5%), totalizando 64,18 milhões de hectares. O índice de produtividade nacional (1% e 3.864kg/he), contudo, ainda é comparativamente inferior ao do Amazonas.

Apesar da expectativa de aumento global na produção, apenas metade dos itens que compõem a cesta amazonense de grãos tem projeção positiva. O arroz é o produto com o melhor número e a Conab manteve sua estimativa para a safra local (+14,8%), que deve passar de 2.700 (2018/2019) para 3.100 toneladas (2019/2020). “O cultivo de arroz é voltado para consumo próprio em sistema de sequeiro, pois não é suficiente para atender as demandas locais”, assinalou o relatório da Conab. No caso do milho, ainda se espera crescimento de 3,3%, com 28,4 mil (2019/2020) contra 27,5 mil toneladas (2018/2019).

A retração mais sensível vem do feijão. A estimativa da Conab é que a safra de 2019/2020 (2.600 toneladas) soja 18,8% inferior à de 2018/2019 (3.200 toneladas). Juntamente com Tocantins, o Amazonas é um dos Estados da Região Norte, que cultivam o feijão-caupi, cujo cultivo entre setembro e outubro. No que se refere à soja, espera-se que a colheita sofra redução de  5.300 (2018/2019) para 4.700 toneladas (2019/2020), o que equivale a um recuo de 11,3%.   

O recuo nas expectativas para o feijão e para a soja é reflexo da redução nas áreas de plantio de ambas as culturas. O primeiro teve seu campo encolhido em 20%, de 3.500 para 2.800 hectares. Já a segunda sofreu corte de 9,1% na extensão de plantio e não passou de 2.000 mil hectares. Em contraste, arroz (+16,7%) e milho (+1,8%) ganharam terreno, com 1.400 e 11,2 mil hectares, respectivamente. 

Em termos de produtividade, feijão (+2,3%) e milho (+1,4%) alcançaram índices de crescimento positivos para a razão quilograma hectare, segundo a Conab – 921 e 2.536, respectivamente. Soja (2.325 kg/he) e arroz (2.239 kg/he) foram na direção contrária, com recuos respectivos de 3,1% e 0,5%.  

Questão ambiental

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, considerou positiva a constatação de que, em linhas gerais, a estimativa de safra feita pela Conab é crescente para o Amazonas e atribuiu o crescimento à “confiança no momento econômico” ações do governo do Estado. Disse ainda que, diante do imperativo da preservação ambiental, fica difícil acompanhar o ritmo de produção nacional.

“É muito bom saber que os números da Conab apontam para um crescimento na produção de grãos. Acredito que, com as ações que estão acontecendo no Sul do Estado, região propicia para a atividade, nossos números de soja, milho e arroz deverão aumentar. Além disso, é perfeitamente possível produzir em áreas antropizadas, campos naturais, de forma sustentável”, declarou.

Dados contestados

O secretário estadual estranhou, no entanto, a queda da safra de soja e disse que os dados merecem revisão, dadas as expectativa para produção no Sul do Amazonas. O ex-superintendente da Conab, administrador com especialização no agronegócio e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, concorda.

“É preciso avaliar melhor esses dados para uma resposta mais precisa. Principalmente no caso da safra de soja em Humaitá, que vem crescendo, e não diminuindo. Antes de qualquer divulgação, a Conab, o IBGE e o Idam deveriam se reunir para ver o que realmente está acontencendo”, concluiu. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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