Percentual de famílias em Manaus endividadas aumenta na virada do ano

Em: 9 de fevereiro de 2020
80% das famílias manauenses ouvidas em janeiro de 2020 se dizem endividadas
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80% das famílias manauenses ouvidas em janeiro de 2020 se dizem endividadas

O percentual de famílias de Manaus que se dizem endividadas aumentou com força na virada do ano, na contramão da média nacional. Em termos de inadimplência e falta de capacidade de honrar com compromissos financeiros, entretanto, os consumidores da capital amazonense se saíram melhor do que os brasileiros em geral e estão tendo mais facilidade para resolver suas pendêcias. 

A informação está nos números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgados nesta sexta (6). O levantamento levou em conta a quantidade de famílias com dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestações de carro e de seguros.

Na sondagem, 80% das famílias manauenses ouvidas em janeiro de 2020 (499.674) se dizem endividadas, números muito acima dos apresentados em dezembro de 2019 (76,9% e 480.111) e de janeiro de 2019 (67,9% e 418.139). É também o maior número na série histórica de 13 meses fornecida pela CNC, após três retrações seguidas no indicador. 

Em âmbito nacional, o indicador de endividamento das famílias brasileiras diminuiu na mesma comparação de períodos. Chegou a 65,3%, em janeiro de 2020, após ter alcançado o maior patamar da série histórica em dezembro (65,6%). Houve alta, porém, na comparação com janeiro do ano passado, quando o indicador alcançou 60,1%.

O índice de inadimplência em Manaus, por outro lado, recuou de 27,8% (173.660) para 26,6% (166.051) e também ficou menor do que os 33,2% (204.307) de 12 meses atrás. O percentual de famílias brasileiras com dívidas ou contas em atraso também diminuiu no período, ao passar de 24,5% para 23,8%. Foi a terceira retração mensal consecutiva, mas o número nacional foi maior do que o de janeiro de 2019.

O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que permaneceriam inadimplentes também andou para trás em ambos os casos. Em Manaus, foi de 13,3% (83.035), caindo em relação a dezembro (14,8% e 92.116) e janeiro de 2019 (15,4% e 95.159). No país, foi de 10% para 9,6% na variação mensal, mas permaneceu acima do patamar de 12 meses atrás.

Entre as famílias manauenses ‘penduradas’ por compromissos financeiros, a maioria (38,1%) se assume “muito endividada”, seguidos por aqueles que se dizem “pouco endividados” (21,1%) – em ambo os casos, predominam os consumidores que ganham de dez salários mínimos para cima (38,8% e 50%, respectivamente). Na sequência, vêm aqueles que se dizem “mais ou menos endividados” (20,7%) – faixa onde predominam aqueles que recebem menos de dez salários mínimos (22,5%).

Cartão e comprometimento

Em Manaus, assim como na média nacional, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito. Em nível local, 77,1% apontaram esse meio de pagamento como responsável pela situação – sendo que o percentual é maior entre os que ganham mais (97,4%). Carnês (42,5%) comparecem na segunda posição – com destaque para os que ganham menos (46,3%). No Brasil, as pendências se concentram em cartão de crédito (79,8%), carnês (15,9%) e financiamento de carro (10,9%).

Em média, as famílias de Manaus consomem 35,3% de sua renda para pagar dívidas – contra 29,4% da média nacional. A maioria (47,2%) compromete de 11% a 50% de sua renda mensal com pagamento de dívidas, seguidas por aqueles que gastam mais do que a metade do salário (30,6%) e pelos que limitam os dispêndios a 10% para esse fim (8,9%). 

Demanda represada

“O endividamento não tem reflexos negativos no comércio. O aumento nesse índice significa que uma quantidade maior de pessoas está comprando bens duráveis e, portanto contraindo dívidas. E o fato de a inadimplência ter caído significa menor negativação e maior acesso ao mercado de consumo”, ponderou o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) e coordenador da pesquisa, José Fernando Pereira da Silva.

Na mesma linha, a economista da entidade responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, destaca, em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNC, que havia uma demanda represada por bens que são mais dependentes do crédito, como móveis e eletrodomésticos. “A proporção do comprometimento da renda com dívidas vem caindo desde novembro de 2019 e reforça que o consumo está sendo retomado através do que se pode chamar de dívida responsável, com as famílias se organizando para pagar empréstimos e financiamentos”, explicou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, salienta que, apesar de o endividamento do consumidor permanecer em um patamar elevado em todo o país, a queda nos indicadores de atraso e de inadimplência reforçou que as dívidas têm sido compatíveis com a renda das famílias brasileiras. 

“As melhores condições do crédito têm permitido a ampliação desse mercado ao consumidor, que vem tendo mais segurança para comprar por conta da melhora recente do mercado de trabalho, confirmada pelos últimos indicadores econômicos”, arrematou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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