Indústria testa fôlego com impacto do surto de coronavírus

Em: 11 de fevereiro de 2020
Surto de coronavírus na China preocupa o abastecimento de insumos e componentes do setor de eletroeletrônico da ZFM
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Surto de coronavírus na China preocupa o abastecimento de insumos e componentes do setor de eletroeletrônico da ZFM

Surto do coronavírus na China preocupa o abastecimento de insumos e componentes para países consumidores, e setor de eletroeletrônico do PIM (Polo Industrial de Manaus) já liga o sinal de alerta. A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Eletroeletrônicos) considera preocupante a instabilidade na cadeia logística de importação chinesa e já projeta medidas junto a associados. 

No PIM, representantes de classe já se planejam para criar uma plano estratégico junto com as empresas para que o setor na região não seja afetado. Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, a entidade esteve reunida com especialistas na área de infectologia da prefeitura e do governo do estado para ter conhecimento do vírus e suas ações.

“Nós tivemos uma reunião com a prefeitura e o estado com pessoas especializadas na área de infectologia. Foi dito com muita certeza que o vírus por conta própria não sobrevive mais de 48h. Mas, é uma fator que nos preocupa, devido aos próprios produtos que vem da China para o polo industrial e também para a Zona Franca de Manaus. Estamos vendo de que forma podemos lidar com isso. Ainda temos estoques e produtos que estão em trânsito para cá. Isso é preocupante para indústria brasileira e estamos estudando formas de evitar de se proteger desse entrave”, disse.

Apesar da preocupação, o presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento Jr, informou que os insumos que chegam ao Brasil por via aérea, considerados de maior valor agregado, são suficientes para abastecer a produção das indústrias por entre 10 a 15 dias. “Em relação aos insumos que chegam ao país por via marítima, os estoques são suficientes para abastecer a produção por até 90 dias. Estamos conversando com cada um dos associados para avaliar a necessidade de uma ação conjunta”, afirmou.

A China é a principal origem das importações de componentes do Brasil, mostrando US$ 7,5 bilhões em 2019, ou 42% do total. De acordo com a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), o país asiático é um fornecedor importante de componentes para empresas que fabricam produtos para a linha branca como: fogões, geladeiras e máquinas de lavar. Além da linha marrom -como equipamentos de áudio e vídeo- e eletroportáteis (secadores de cabelo, sanduicheira, ventiladores, entre outros). 

Na semana passada, dos 50 associados da entidade, 52% relataram problemas para receber os materiais, dentre eles os fabricantes de celulares, entre elas, a Motorola em Jaguariúna em São Paulo e Samsung em Samsumg em Campinas. A equipe de reportagem entrou em contato com as empresas , mas até o fechamento da matéria, não obteve resposta.  De acordo com a Abinee, 22% das empresas sinalizaram que caso o problema persista, as linhas de produção correm o risco de serem paralisadas, pela dificuldade de manter o ritmo de atividades necessárias. 

"Estamos muito preocupados com os impactos da na produção do setor e continuamos avaliando a situação de perto", destacou o presidente-executivo da Abinee, Humberto Barbato. 

Conforme Barboto, após essa crise, existe o planejamento de descentralização das importações da China, ação que poderá ser feito a médio e longo prazo devido à lentidão do processo de qualificação dos fornecedores.

Na análise do economista Farid de Mendonça Júnior, caso o problema persista, toda uma cadeia da econômica poderá ser afetada com linhas de produção paradas com possíveis demissões. “Os novos pedidos com certeza já devem ter sido afetados, em algum momento as fábricas vão ter falta desses materiais e terão a produção do bem final no mercado prejudicadas. Isso vai afetar as vendas, o comércio e a economia. E se isso se estender nos próximos meses, as indústrias vão precisar adaptar seus sistemas produtivos, e no caso, até cortar funcionários. A tendência se isso continuar, é ter a mão de obra ociosa nas fábricas, e nenhum empresário vai querer isso. E eventualmentes pode ocorrer algumas demissões”, explicou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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