Alta do Dólar aponta para desaceleração econômica da indústria

Em: 11 de março de 2020
Novo coronavírus e o impacto da alta da moeda norte-americana ‘assusta’ indústria diante do reflexo nos negócios
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Novo coronavírus e o impacto da alta da moeda norte-americana 'assusta' indústria diante do reflexo nos negócios

Os preços da indústria nacional desaceleraram para 0,32%, na passagem de dezembro (+0,65%) para janeiro, com 18 das 24 atividades apresentando variações positivas de preços. O acumulado de 12 meses também perdeu força e foi de 6,33% – contra os 5,19% do levantamento anterior. Os dados foram extraídos do IPP (Índice de Preços ao Produtor), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Há dúvidas sobre a evolução do indicador – que mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes – nos próximos meses. A escalada do dólar é um fator negativo na composição de custos da indústria nacional e a paralisação que começa a se espraiar pelo setor – em face da pressão do Covid 19 sobre o fornecimento de insumos – também ameaça bater à porta com preços mais caros.

Bens de consumo – que têm mais peso na cesta de produtos do PIM – apresentaram a única variação negativa na lista de grandes categorias econômicas elencadas no indicador do IBGE. O dado negativo veio do fato que bens duráveis (+0,56%), como veículos e eletrônicos tiveram maior peso do que os semiduráveis (-1,61%), a exemplo de vestuário e tecidos. Bens de capital (+1,26%) e bens intermediários (+1,33%) sofreram maior elevação, sinalizando repasses para os fabricantes de bens finais, nos próximos meses.

As quatro maiores variações observadas na virada do ano se deram entre os segmentos de indústrias extrativas (+5,52%), metalurgia (+3,11%), borracha e plástico (+2,01%) e alimentos (-2,01%). No acumulado de 12 meses, os destaques vieram das indústrias extrativas (+29,71%), refino de petróleo e produtos de álcool (+19,81%), outros equipamentos de transporte (+10,07%) e farmacêutica (+9,84%). 

Metalurgia e dólar

Vale destacar que a metalurgia apresentou alta de 3,11% na comparação de janeiro de 2020 com dezembro de 2019, a maior variação desde setembro de 2018, trazendo o acumulado em 12 meses para 3,12%. O resultado do mês foi obtido graças, principalmente, aos produtos do setor siderúrgico, o qual apresentou (+3,76%). O segmento é vital para um dos carros chefes do PIM, o polo de duas rodas. 

Vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas)  presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Nelson Azevedo destacou ao Jornal do Commercio que, além de comprometer os custos fabris do setor, o panorama de dólar em alta sempre acende a luz amarela da inflação na indústria, em um ao que já se mostra menos promissor.

“É algo que preocupa, principalmente com esse problema do coronavírus e do fornecimento dos insumos. Temos conversado feito consultas periódicas aos associados e as empresas estão se planejando para isso. A dúvida é como será a situação em abril. Vamos ver como a coisa evolui, mas ainda estamos otimistas”, amenizou.   

Alimentos e petróleo

De acordo com o gerente do IPP, Manuel Campos Souza Neto, o resultado de janeiro é o menor dos últimos seis meses. “O motivo foi a redução nos preços da indústria de alimentos (-2,01%), principalmente nos produtos derivados das carnes bovinas, suínas e aves, que nos meses anteriores pressionaram a inflação da indústria, por conta da crescente demanda da China. Essa demanda arrefeceu”, assinalou, em texto veiculado pela Agência IBGE.

Em contrapartida, os preços da indústria extrativa subiram 5,52%, puxados pelo minério de ferro. Foi a maior alta entre as 18 atividades cujos preços cresceram em janeiro. “Nos últimos 12 meses, os preços dos produtos derivados de petróleo variaram 19,81%. Na indústria de alimentos a variação foi de 9,01%, e na atividade extrativa, 29,71%, gerando a média acumulada de 6,33%”, acrescentou Manuel Campos.

Já economista e vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus, Pedro Monteiro, disse ao Jornal do Commercio que a escalada do dólar, associada à evolução dos preços internacionais de commodities importantes para a manufatura ajudaram a estrangular os ganhos do segmento em um mercado mais pulverizado e com demanda comparativamente tímida em relação a outras praças brasileiras.

“Apesar da queda do petróleo registrada hoje, sentimos bastante o efeito das altas dos meses anteriores, que impactaram muito no custo das embalagens plásticas. Ao mesmo tempo, o aumento da concorrência externa traz dificuldades para as empresas repassarem essa diferença ao consumidor. Ainda não sentimos efeitos em decorrência do coronavírus, mas a sinalização de uma desaceleração econômica, com perspectivas de menos investimentos e vendas, assusta”, encerrou.  

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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