Ministério das Comunicações se rende à produção da ZFM

Em: 20 de dezembro de 2007
No início do mês, após o lançamento em São Paulo do sinal da TV digital aberta, Hélio Costa defendeu num programa de tevê o fim da exclusividade dos incentivos
No início do mês, após o lançamento em São Paulo do sinal da TV digital aberta, Hélio Costa defendeu num programa de tevê o fim da exclusividade dos incentivos

A aprovação de novos projetos na última reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa ) para a produção de set-top box, aparelho conversor que vai permitir ao televisor analógico receber o sinal da TV digital, e a perspectiva de que esse produto chegue ao mercado brasileiros no primeiro semestre do próximo ano ao preço aproximado de R$ 300, levaram o Ministério das Comunicações a baixar o tom das críticas contra a exclusividade dos incentivos fiscais para a fabricação do produtona ZFM (Zona Franca de Manaus).

Segundo o secretário de telecomunicações do ministério, Roberto Pinto Martins Loureiro, que representou ontem o ministro Hélio Costa na audiência pública sobre o assunto na Caindr (Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional), a questão dos incentivos já foi definida em maio passado quando foi aprovada no Congresso a Medida Provisória nº 352, que garantiu a exclusividade da ZFM.

No início do mês, após o lançamento em São Paulo do sinal da TV digital aberta, Hélio Costa defendeu num programa de tevê o fim da exclusividade dos incentivos para as indústrias do PIM (Pólo Industrial de Manaus).

“O que o ministro quis dizer é que não dá para conviver com o preço do set-top box em R$ 1.200, isso é impossível. Alguma coisa teria que ser feita”, justificou o secretário Roberto Pinto Loureiro.

O secretário de telecomunicações disse que o anúncio da produção em maior escala em Manaus aprovada no CAS fez com que o ministério das Comunicações apostasse na queda do preço do produto no mercado. “Eu acredito que o preço desses conversores pode cair de quatro a cinco vezes. A expectativa é que ele chegue ao mercado consumidor a R$ 300,00”, previu.

Além do representante do Ministério das Comunicações, participaram como expositores na audiência o diretor de política tecnológica do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Manuel Fernando Lousada Soares; o representante do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Saleh Hamedh; e o coordenador de tributação sobre a produção da Receita Federal, Helder Silva Chaves.

Reunião serviu para mostrar insatisfação de parlamentares

Para a presidente da Caindr e autora da proposta de audiência, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) a reunião serviu para mostrar que os parlamentares da região não estavam satisfeitos com a posição do Ministério das Comunicações, muito diferenciada de outros setores do governo. “Os dados revelados nos debates demonstram que a Zona Franca tem capacidade para colocar no mercado brasileiro quantidade suficiente de conversores a um preço acessível. Esse debate da produção incentivada em outros Estados já está superado”, disse a parlamentar.

O deputado Marcelo Serafim (PSB) também fez duras críticas as posições do ministro Hélio Costa.

O representante da Cieam, Saleh Hamedh, disse que algumas indústrias do PIM já estavam fabricando o produto e o pólo está preparado para atender ao mercado conforme o aumento da demanda. Com a transmissão restrita a São Paulo, as demandas iniciais são pequenas. “Quero deixar claro que todos estão convencidos de que os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus deverão atingir a expectativa de preço que o mercado vai exigir”, disse.

Hamedh explicou que o produto possui agregação de tecnologia de última geração desenvolvida especificamente para atender ao mercado brasileiro. “Em virtude da opção governamental de ter um padrão nacional sofisticado”, completou.

Expectativa positiva

Por causa da demanda de 80 milhões de aparelhos analógicos no país, o representante do Mdic, Manuel Lousada Soares, disse que o governo tem a convicção de que os preços inicialmente praticados no mercado “irão cair fortemente no futuro próximo”.

Soares destacou que as indústrias amazonenses estão em produção crescente do conversor para a TV a cabo e satélite e não terá problema para atender o mercado nacional com o conversor para a TV digital. “Dados nos

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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