Balanço de pagamentos do país registra superávit em novembro

Em: 20 de dezembro de 2007
De outro, deve ser avaliado um comportamento em transações correntes que pode “ter vindo para ficar”.
De outro, deve ser avaliado um comportamento em transações correntes que pode “ter vindo para ficar”.

O resultado global do balanço de pagamentos brasileiro, com saldo em novembro de 2007 de US$ 6,4 bilhões, o maior desde que teve início a crise internacional, não deve evitar a análise detida sobre certos pontos. De um lado devem ser considerados os novos impactos de uma crise externa que parecia neutralizada nos meses de setembro e outubro. De outro, deve ser avaliado um comportamento em transações correntes que pode “ter vindo para ficar”.

No primeiro caso, uma análise ainda que rápida mostra indícios de que a crise internacional voltou em novembro a ter efeitos sobre o fluxo de capitais para o Brasil. Como ocorreu em agosto, quando também se apresentaram esses sinais, os impactos da crise internacional sobre as contas brasileiras não têm a intensidade e a repercussão interna que tiveram no passado.

Mas não deixaram de repercutir sobre, por exemplo, o volume de IDE para o país, que em novembro voltou a cair com relação a outubro, este um mês que parecia indicar que os valores elevadíssimos do período pré-crise internacional haviam sido retomados. Em outubro, o IDE somou US$ 3,2 bilhões, caindo para US$ 2,5 bilhões em novembro. Notar que o valor correspondente a julho, antes do início da crise internacional, fora de US$ 3,6 bilhões.

Papéis domésticos

Rigorosamente o mesmo encadeamento pode ser feito para os investimentos estrangeiros em papéis domésticos de longo prazo e ações. Em outubro desse ano, o fluxo correspondente a esse item somou US$ 6,1 bilhões, após ter caído significativamente em agosto e em setembro. Notar que o valor relativo ao mês precedente à crise fora de US$ 6,7 bilhões. Voltou a “desabar” em novembro, acusando -US$ 461 milhões.

Portanto, o setor externo brasileiro registrou sim as conseqüências da reviravolta do quadro internacional que se apresenta desde novembro. Três fatores compensaram o resultado relativamente negativo do IDE e o resultado francamente adverso de investimentos estrangeiros em papéis domésticos. Primeiro, um valor elevado e positivo para ativos brasileiros no exterior, de US$ 2,4 bilhões, contra valores negativos elevados nos meses anteriores (-US$ 4,8 bilhões em outubro). Em segundo lugar, um aumento para níveis mais próximos aos do período anterior à crise de novos empréstimos de médio e longo prazos, obtidos pelas empresas brasileiras no exterior, com desembolso em novembro de US$ 3,8 bilhões (US$ 3,8 bilhões em outubro).

Finalmente, um significativamente reforço, após declínios muito expressivos em setembro e outubro, dos capitais de curto prazo dirigidos para o Brasil. O item “curto prazo e demais” somou US$ 1,4 bilhão em novembro, contra US$ 0,5 bilhão no mês anterior.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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