O resultado global do balanço de pagamentos brasileiro, com saldo em novembro de 2007 de US$ 6,4 bilhões, o maior desde que teve início a crise internacional, não deve evitar a análise detida sobre certos pontos. De um lado devem ser considerados os novos impactos de uma crise externa que parecia neutralizada nos meses de setembro e outubro. De outro, deve ser avaliado um comportamento em transações correntes que pode “ter vindo para ficar”.
No primeiro caso, uma análise ainda que rápida mostra indícios de que a crise internacional voltou em novembro a ter efeitos sobre o fluxo de capitais para o Brasil. Como ocorreu em agosto, quando também se apresentaram esses sinais, os impactos da crise internacional sobre as contas brasileiras não têm a intensidade e a repercussão interna que tiveram no passado.
Mas não deixaram de repercutir sobre, por exemplo, o volume de IDE para o país, que em novembro voltou a cair com relação a outubro, este um mês que parecia indicar que os valores elevadíssimos do período pré-crise internacional haviam sido retomados. Em outubro, o IDE somou US$ 3,2 bilhões, caindo para US$ 2,5 bilhões em novembro. Notar que o valor correspondente a julho, antes do início da crise internacional, fora de US$ 3,6 bilhões.
Papéis domésticos
Rigorosamente o mesmo encadeamento pode ser feito para os investimentos estrangeiros em papéis domésticos de longo prazo e ações. Em outubro desse ano, o fluxo correspondente a esse item somou US$ 6,1 bilhões, após ter caído significativamente em agosto e em setembro. Notar que o valor relativo ao mês precedente à crise fora de US$ 6,7 bilhões. Voltou a “desabar” em novembro, acusando -US$ 461 milhões.
Portanto, o setor externo brasileiro registrou sim as conseqüências da reviravolta do quadro internacional que se apresenta desde novembro. Três fatores compensaram o resultado relativamente negativo do IDE e o resultado francamente adverso de investimentos estrangeiros em papéis domésticos. Primeiro, um valor elevado e positivo para ativos brasileiros no exterior, de US$ 2,4 bilhões, contra valores negativos elevados nos meses anteriores (-US$ 4,8 bilhões em outubro). Em segundo lugar, um aumento para níveis mais próximos aos do período anterior à crise de novos empréstimos de médio e longo prazos, obtidos pelas empresas brasileiras no exterior, com desembolso em novembro de US$ 3,8 bilhões (US$ 3,8 bilhões em outubro).
Finalmente, um significativamente reforço, após declínios muito expressivos em setembro e outubro, dos capitais de curto prazo dirigidos para o Brasil. O item “curto prazo e demais” somou US$ 1,4 bilhão em novembro, contra US$ 0,5 bilhão no mês anterior.







