William Ruto, um dos líderes do partido do candidato à Presidência Raila Odinga, afirmou a centenas de partidários perto do parque Uhuru, em Nairóbi, que “eram pessoas pacíficas e não queríamos violência, é por isso que vamos nos dispersar pacificamente agora”.
Odinga convocou a manifestação para protestar contra os resultados da eleição presidencial de 27 de dezembro, vencida oficialmente pelo chefe de Estado, Mwai Kibaki. A oposição, no entanto, acusa o governo de fraude.
Autoridades quenianas proibiram manifestações no país. Ao menos 342 pessoas morreram na onda de violência política e étnica que explodiu no Quênia após o anúncio da vitória de Kibaki nas eleições.
Desabrigo e violência
Um total de 100 mil pessoas foram desabrigadas pela violência que afeta o país desde o último dia 27 de dezembro, segundo um balanço da Cruz Vermelha queniana. Cerca de 4.500 pessoas fugiram do país para o vizinho Uganda, e centenas foram para a Tanzânia.
Anteriormente, policiais atiraram bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água contra os manifestantes, e deram tiros para o alto para dispersar a multidão. O chefe de polícia Mark Mwara disse que os manifestantes eram “hooligans” e os acusou de atacar postos de gasolina e supermercados. Algumas lojas da cidade foram incendiadas. Líderes da oposição esperavam levar mais de 1 milhão de pessoas às ruas, mas apenas centenas se mobilizaram. Segundo Ruto, no entanto, um novo protesto deve ocorrer na próxima terça-feira.
Embora ambos os lados digam que estão “abertos para o diálogo”, Odinga e Kibaki vêm basicamente trocando acusações de que o outro lado visa estimular a violência étnica no país. Odinga se recusa a reunir-se com Kibaki sem que ele admita a derrota na disputa eleitoral.
O embaixador dos EUA no Quênia, Michael E. Ranne-berger, pediu o fim da violência na TV. “Isso tem que ter fim”, disse ele em entrevista à TV queniana. “Kibaki e Odinga precisam dialogar e dar fim a essa violência”.
A Comissão de Direitos Humanos do Quênia pediu que Kibaki concorde com uma revisão independente dos resultados nas urnas. “O Quênia não sobreviverá a este momento se nossos líderes não agirem como homens de Estado”, disse a organização em comunicado.







