O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) teve leve impacto sobre os negócios das corretoras de seguros, segundo avaliação de executivos do ramo. Os segurados foram os principais prejudicados com a mudança da alíquota do imposto, instituída pelo governo federal como medida compensatória após a extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). A alteração estabeleceu o acréscimo de 0,38% nas tarifas dos contratos dos seguros.
O presidente do Sincor (Sindicato dos Corretores de Seguros, Capitalização e Previdência Privada no Estado do Amazonas, Acre e Roraima) e proprietário da G G Moura Corretoras de Seguros, Gilvandro Guedes de Moura, afirmou que os empresários estão apreensivos quanto à outra possível ampliação da taxa do IOF.
“Não houve grande impacto no mercado com o a elevação de 0,38%, mas há uma insegurança de que o presidente determine um novo aumento deste imposto”, comentou o dirigente.
Conforme Gilvandro Moura, as taxas de todas as apólices sofreram aumento. A tarifa do seguro de vida e congêneres retroagiu com os anos até chegar a zero. Mas, com o aumento do IOF deixou de ser isenta e passou a ser cobrada por 0,38% mensalmente. Nas operações de seguros privados de assistência à saúde, a percentagem pulou de 2% para 2,38%. No segmento de automóveis e bens, hoje a alíquota cobrada é de 7,38% com o devido ajuste.
Aumento justificado
Apesar do ônus da alteração ter recaído sobre os segurados, o executivo disse que não tem recebido muitas reclamações. “Um ou outro cliente comentou sobre o acréscimo, no entanto como é uma imposição do governo federal não há muito que fazer”, disse.
O empresário lamentou a elevação da carga tributária no setor, que segundo ele, já é um grande fardo para os brasileiros.
O decreto com as mudanças sobre a incidência do IOF em operações de seguros foi publicado no dia 3 de janeiro. “As empresas tiveram até o dia 9 deste mês para se adequar às novas regras, mas a partir do dia 10 as alíquotas começaram a vigorar com incremento de 0,38 ponto percentual”, explicou. Mas, as alterações atingiram também as operações de resseguro, passando de 0% para 0,38%.
Segundo o presidente do Sincor, os valores dos contratos aplicados hoje são diversificados, variando de acordo com a corretora. “O plano de seguro de vida individual na G G Moura tem parcelas de até R$ 9 por mês”, garantiu. Porém, o maior retorno financeiro da agência vem dos negócios fechados com as indústrias, como o seguro saúde empresarial.
Apólice de R$ 240 mil vai beneficiar 4.700 pessoas
Recentemente, a empresa G G Moura firmou apólice no valor de R$ 240 mil, que vai beneficiar ao todo 4.700 funcionários do cliente. O valor pago ao mês pela empresa segurada será de R$ 912,00 ao mês, calculado com o IOF de 2,38%. Anualmente, o pagamento total da empresa será de R$ 10.944 mil. Em conseqüência, o executivo acredita que as empresas vão transferir o custo com despesas de seguros para o preço final do produto.
Na agência de seguros Lesley, o volume de vendas não perdeu o ritmo mesmo após o aumento da alíquota do IOF. “Até o momento não sentimos nenhuma oscilação na demanda de seguros”, afirmou a proprietária Lesley Arruda.
Segundo a executiva, não houve decréscimo na procura pelos seguros de veículos -carro-chefe dos negócios da empresa- nos stands da corretora instalados em concessionárias e agências bancárias.
A corretora oficial da Lesley afirmou que apesar do acréscimo da tarifa ter sido de 0,38%, os custos vai ficar onerados para os planos de seguros com valores altos. Porém, a agência não recebeu nenhuma reclamação por conta da mudança no IOF. “Nossa preocupação é que o governo federal não se satisfaça e aumente ainda mais o imposto”, disse.
A expectativa da empresária é que os negócios sejam afetados, mas que as conseqüências possam ser medidas somente em longo prazo. Além dos seguros de carros, a Lesley faz operações de seguros de vida, saúd







