Descontrole do MST

Em: 12 de março de 2008
A exemplar decisão da mineradora Vale do Rio Doce de processar civil e criminalmente os dirigentes e membros do MST …
A exemplar decisão da mineradora Vale do Rio Doce de processar civil e criminalmente os dirigentes e membros do MST ...

A exemplar decisão da mineradora Vale do Rio Doce de processar civil e criminalmente os dirigentes e membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que  promovem acintosas depredações em suas instalações pode inaugurar um novo período legalista na relação da sociedade com esse discutível movimento social. Seus integrantes não podem continuar debochando da sociedade, acobertados por uma bandeira inverídica e, em seu nome, desrespeitando as leis e causando prejuízos a terceiros e à população. Governos lenientes têm criado, através da omissão, condições para que verdadeiros criminosos – cujo objetivo nunca foi a reforma agrária – metam-se debaixo de uma lona e saiam fazendo suas estripulias ideológicas.
Um governo sério é sensível à reivindicação dos que realmente necessitam de terra para trabalhar e manter sua família. Mas não pode fraquejar aos que se infiltram e fazem da bandeira um instrumento político de opressão e contestação à ordem constituída. Estes merecem a mais rigorosa punição. Mas não a têm recebido porque, de um lado, o compromissado governo federal os tolera e os estaduais, detentores do poder de polícia, por falta de pulso, não permitem  que suas instituições de segurança cumpram o dever legal de fazer respeitar as leis. Por conta disso, são muitos os registros de resistência, enfrentamentos, depredações, incêndios e outros crimes praticados sob as barbas dos policiais, todos de mãos atadas pelos governantes fracos e omissos.
Se a Vale realmente mover todas as ações cabíveis contra os desordeiros que têm depredados suas instalações e prejudicado o transporte de suas mercadorias e dos passageiros em suas ferrovias, é bem provável que o próprio MST tenha de rever seus procedimentos, expurgue de seus quadros os que em vez da reforma agrária buscam resultados políticos e, finalmente, deixe de atuar na contramão do interesse social. Deixe de patrocinar a quebra de pedágios, o bloqueio de rodovias, a invasão de propriedades produtivas e a depredação de culturas que seus tresloucados integrantes acham inconvenientes por entender ou por ouvir alguém falar. Eles precisam aprender que, numa sociedade organizada, os descontentes devem recorrer à Justiça e não a métodos autoritários e ilegais.
São milhares os prejudicados pelo MST. Há anos que o movimento saiu de sua gênese – a reforma agrária – transformando-se numa entidade extorsiva, ameaçadora e lesiva aos interesses da Nação. Os governantes não podem continuar omissos (ou acovardados) diante das agressões à lei e à ordem vigentes. Se não cumprirem com seu dever de manter a ordem, pode chegar o dia em que nem isso não seja mais possível. 

Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente e dirigente da Aspomil(Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo). [email protected]

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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