Milhões morrem de doença renal sem saber

Em: 28 de março de 2008
O perfil das doenças no mundo está mudando e as doenças crônicas são, em nossos dias, responsáveis pela maior parte da mortalidade, ultrapassando as doenças infecciosas.
O perfil das doenças no mundo está mudando e as doenças crônicas são, em nossos dias, responsáveis pela maior parte da mortalidade, ultrapassando as doenças infecciosas.

A DRC (doença renal crônica) vem chamando a atenção dos profissionais de saúde em todo o mundo devido ao rápido aumento de sua ocorrência aliado à constatação de que o número de doentes sem diagnóstico é muito superior ao de pessoas de fato atendidas por causa desta doença. Hoje, pelo menos 2 milhões de brasileiros são portadores de DRC e não sabem. Nos Estados Unidos, onde já existem dados mais precisos sobre a frequência da doença, estima-se que aproximadamente 11% da população (cerca de 19 milhões de pessoas) sofram de DRC em algum estágio de evolução. Em outros países essa prevalência tem variado de 6 a 16%.
O perfil das doenças no mundo está mudando e as doenças crônicas são, em nossos dias, responsáveis pela maior parte da morbidade e da mortalidade, ultrapassando as doenças infecciosas. As causas de DRC acompanham esta mudança, de modo que atualmente diabetes e hipertensão arterial passaram a ser as principais causas de insuficiência renal terminal no mundo.
A DRC já é vista como um problema de saúde pública, vindo a tornar-se uma preocupação mundial, entre outras razões, pelo fato de a lesão renal não representar apenas uma ameaça à função dos rins em si, mas ser um determinante importante do desenvolvimento de doença cardiovascular e de morte por esta causa.
O atual conceito de DRC abrange desde alterações mínimas do funcionamento dos rins até a perda definitiva de função, na fase terminal, quando então a manutenção da vida se faz à custa de tratamentos que substituem os rins, ou seja, a diálise ou o transplante renal. No Brasil, há 70 mil pacientes em diálise e estima-se que este número chegue a 125 mil em 2010. Pesquisa da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) com 546 Unidades de Diálise do Brasil mostra que aumentou 72% o número de pacientes em diálise entre 2000 e 2007.
Uma das maiores dificuldades para lidar com a DRC é que, de um modo geral, não se faz o diagnóstico da doença nas fases iniciais. Na maior parte dos casos, a DRC é assintomática, dificultando a sua detecção. Entre os seus sintomas, citam-se: inchaço de rosto, pernas ou de todo o corpo, urina muito espumosa, urina avermelhada ou com sangue, náuseas/vômitos ou palidez acentuada sem causa evidente, pressão alta, entre outros.
A solução é fazer diagnóstico precoce, quando ainda é possível evitar ou retardar a progressão da doença para perda definitiva da função renal. Dois tipos de exames muito simples podem detectar a doença ainda no seu início: um exame de urina (Urina I, sumário de urina, diferentes nomes em todo o país) e a creatinina no sangue. No caso de indivíduos com diabetes, é recomendável a pesquisa periódica de microabuminúria (proteína em pequenas quantidades na urina), que deverá ser repetida anualmente se negativa na primeira avaliação. Dessa forma, tem-se a oportunidade de diagnosticar a nefropatia diabética em fase inicial, quando ainda pode ser revertida a sua instalação e consequente progressão.
Não existe no Brasil um programa oficial de prevenção de DRC. Com o objetivo de divulgar o conhecimento sobre a doença, seus riscos e como preveni-la, o Comitê de Prevenção de Doenças Renais da Sociedade Brasileira de Nefrologia iniciou em 2003 a Campanha “Previna-se”. A campanha, que dura o ano todo, é realizada por voluntários e este ano abrangerá 400 localidades em todo o País, que fazem rastreamento de DRC na população, quase sempre por meio de testes de urina. Os indivíduos de risco para DRC (com proteinúria e/ou creatinina sérica elevada) são orientados e encaminhados para acompanhamento médico.
Deve ficar claro que a prevenção da DRC não se baseia na espera por sintomas ou manifestações evidentes da doença, que podem surgir tarde demais. Por isso, é importante fazer exame de urina e dosagem de creatinina no sangue regularmente, especialmente quando se faz parte de um grupo de risco (ou seja, quando se tem diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, familiares com DRC). Só assim, milhões de brasileiros terão oportu

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar