Gestão do desconhecido

Em: 1 de abril de 2008
Follow-Up
Follow-Up

A previsão do futuro sempre fascinou o homem. Desde a magia e a astrologia, passando pelos chineses (I Ching), gregos clássicos (Oráculo de Delfos), profetas e videntes (Nostradamus etc.), até os ´think tanks` atuais, a antevisão do porvir é um tema recorrente na História. Para uns, a magia e a profecia eram os instrumentos apropriados para consegui-la; para outros, estudos estratégicos e projeção de tendências constituíam o caminho para encontrá-la. Entre os modernos estudiosos do futuro destacam-se o britânico Arthur Clarke e os americanos Alvin Toffler e John Naisbitt. O primeiro, recentemente falecido (18.03.2008), costumava dizer: “Ninguém consegue ver o futuro. O que tento fazer é traçar futuros possíveis”.
O futuro não é mera projeção de tendências do presente. Em verdade, acontecimentos fortuitos e aleatórios –o acaso– são os fatores determinantes que produzem descontinuidades. Dando um passo adiante no pensamento tradicional, Nassim Nicholas Taleb expõe, de forma original, suas idéias em um livro que ocupa o segundo lugar na lista dos mais lidos da revista Business Week: “The Black Swan: The Impact of The Highly Improbable”. Especialista em gerenciamento de risco, Taleb é professor e `trader´ de bolsa de valores. Originário de uma família ortodoxa grega, nasceu no Líbano, obteve MBA na Wharton School, EUA, e doutorado na Universitè de Paris, França. Ministra aulas na London School of Economics, na New York University e no Financial Institution Center da Wharton Shool. Escreveu também o best-seller “Fooled by Randomness”, publicado em 20 idiomas.
Este assunto, já exposto em recente número de uma revista semanal, foi tratado com maior profundidade em um artigo da\revista HSM Management (A lógica do cisne negro). 

Cisne negro
“Pensemos no ataque terrorista de 11.09.2001. Se esse risco fosse concebível no dia anterior, o atentado não teria ocorrido. Porque, ante essa possibilidade, alguém teria ordenado que aviões bombardeiros sobrevoassem as Torres Gêmeas e que as portas dos aviões comerciais fossem à prova de bala. Então, algo diferente teria acontecido. O quê? Eu não sei”. Com esse exemplo, em estilo provocador e questionador, Nassim Nicholas Taleb ilustra o que denomina de “cisne negro” –um acontecimento que deve cumprir três condições: 1) estar fora do âmbito das expectativas porque nada no passado indica sua possibilidade, 2) produzir forte impacto e 3) apesar de não ter sido esperado, ficar claro e previsível em retrospectiva (ou seja, sua explicação é evidente depois da ocorrência). A metáfora do cisne negro não se refere apenas à raridade de certos acontecimentos, mas também à fragilidade de nosso conhecimento e aos limites do aprendizado baseado na observação e na experiência. Antes do descobrimento da Austrália, acreditava-se que todos os cisnes eram brancos. Foi lá onde foi visto pela primeira vez um cisne negro. A partir daquele momento ficou demonstrada a falsidade do conhecimento fundamentado em milhares de anos de observações da existência exclusiva de cisnes brancos. Mas por que a ênfase nos cisnes negros? Qual a sua relação com o risco e a tomada de decisões? Porque, de acordo com Taleb, um pequeno número de cisnes negros explicaria quase tudo no mundo, desde o triunfo de certas idéias e religiões até a dinâmica de fatos históricos e eventos significativos de nossa existência. Mais ainda, ele diz que a maioria dos descobrimentos revolucionários é fruto de acontecimentos fortuitos e imprevisíveis, mais do que do planejamento. “Durante mais de um século, quase todos os pesquisadores das ciências sociais trabalharam sob a falsa crença de que as suas ferramentas podiam medir a incerteza; é o que tenho visto no campo das finanças e da economia”, afirma. E acrescenta: “Pergunte a quem gerencia sua carteira de investimentos qual é sua definição de risco, e o mais provável é que responda com um indicador que exclui a possibilidade do cisne negro. E, portanto, para estimar os riscos totais, isso n

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar