Crise americana deixa PIM em estado de alerta

Em: 4 de abril de 2008
Atentos à crise exonômica dos Estados Unidos, dirigentes do pólo de Manaus avaliam que ainda é cedo para dizer se haverá desdobramentos negativos à indústria local.
https://www.jcam.com.br/CAPA_A 07 04 2008.jpg
Atentos à crise exonômica dos Estados Unidos, dirigentes do pólo de Manaus avaliam que ainda é cedo para dizer se haverá desdobramentos negativos à indústria local.

A indústria está atenta à crise econômica dos EUA, país que já chegou a marcar posição como principal destino das exportações do Amazonas e hoje figura no quarto lugar entre os clientes das vendas externas do Estado. As lideranças do setor, no entanto, consideram que ainda é cedo para afirmar se haverá desdobramentos negativos para o PIM (Pólo Industrial de Manaus).
Embora tema por um prolongamento da crise externa, o pólo mantém a expectativa de crescer pelo menos 8,7% em 2008, faturando USS 25.5 bilhões. A projeção também é otimista no que se refere à geração de empregos: crescimento de 6,2% e criação de mais 7.440 postos de trabalho até dezembro.
Os números do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) confirmam a avaliação dos dirigentes. As exportações do Amazonas para os EUA caíram 41,53%, passando de US$ 14.40 milhões (2007) para US$ 8.42 milhões (2008) no primeiro bimestre deste ano. Apesar do tombo no fluxo de negócios com os norte-americanos, o volume total de vendas externas do Estado aumentou em 40,56% –US$ 173.27 milhões (2008) contra US$ 123.27 milhões (2007)– no mesmo período.
“Só seriamos afetados em caso de uma catástrofe financeira mundial varrer o Brasil e os demais países, como ocorreu no século passado. Existem vários fatores, como o faturamento, que poderão nos colocar em situação de conforto em relação ao alcance de determinadas metas. Com relação à ampliação da mão-de-obra, ficou demonstrado no primeiro trimestre que existe espaço para a geração de mais postos de trabalho”, ponderou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro.

Situação
confortável
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviço do Pólo Industrial do Amazonas), Antonio Carlos Lima, destacou que o Brasil vive hoje uma situação mais confortável em relação a outros períodos, além de estar mais preparado para enfrentar crises externas, dispondo atualmente de um colchão de US$ 200 bilhões em reservas. “Não há como comparar, por exemplo, com a situação em que vivíamos nos anos 80 e 90. Vale lembrar ainda que mesmo nossos recentes escândalos políticos e as diversas denúncias de corrupção não afetaram o andamento da nossa economia”, observou o dirigente.

Sinaees diz que crise é preocupante

Já o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, demonstra menos otimismo. “Independente de ser ou não o principal destino de nossas exportações, uma crise no maior mercado consumidor do mundo é sim preocupante. É verdade que nossa economia dá sinais de fortalecimento, mas é muito difícil passarmos impunes a um problema mais sério e por um tempo mais longo com o mercado”, opinou.
As lideranças concordam num ponto: embora o principal destino dos produtos do pólo ainda ser o mercado interno, não há muito o que a indústria do Amazonas possa fazer para contornar eventuais desdobramentos negativos de uma crise externa prolongada, que afetaria com a mesma intensidade todos os segmentos do PIM.
Diferente das diversas ocasiões em que o modelo ZFM (Zona Franca de Manaus) foi posto em xeque, não há nenhuma articulação em Brasília para resguardar os interesses do setor nesse sentido, o que não significa que as lideranças estejam de olhos fechados.
“Não existe muito a fazer agora. Precisamos acompanhar o desenvolvimento das ações tomadas pelas autoridades imobiliárias e financeiras dos EUA”, ponderou Wilson Périco.
“A indústria está em estado de observação, mas está claro que os próprios EUA tem interesse em resolver o problema no curto e médio prazo, pois estão sendo rápidos nas medidas”, tranqüilizou Antonio Carlos Lima.
“Estamos atentos aos passos da economia mundial, às ações do governo federal em relação a esse problema e aos movimentos no Congresso Nacional com relação aos interesses do Amazonas”, concluiu Maurício Loureiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar