A Tecnologia na Saúde – Parte 2

Em: 7 de fevereiro de 2025

É fato que a tecnologia tem assumido um papel cada vez mais decisivo em todas as áreas da sociedade, de forma a agilizar processos, reduzir falhas e otimizar a eficiência. Na saúde também tem sido desta maneira. Desde a invenção do raio X até os dias atuais, com o advento da Inteligência Artificial para análise de exames, as mudanças têm sido constantes e em uma velocidade cada vez maior. O uso da tecnologia na saúde vem mudando a medicina no diagnóstico, na prevenção e no tratamento de doenças, assim como na gestão das unidades de saúde.
Porém, apesar das inovações tecnológicas na saúde serem extremamente benéficas, esta conta também com algumas desvantagens. São elas: Cobertura de seguro, uma vez que nem todas as seguradoras cobrem todas as tecnologias; Proteção de dados médicos: hackers e outros criminosos podem acessar dados médicos de algum paciente; Atrasos no atendimento: pode ocorrer atraso no atendimento; Questões de licenciamento: nem todas as leis estaduais permitem o uso da telemedicina; Preocupações tecnológicas: geralmente é difícil encontrar a melhor plataforma digital para sua clínica ou consultório; Incapacidade de examinar pacientes: determinados provedores não armazenam todos os dados necessários do paciente. Todavia, mesmo com as possíveis desvantagens, os benefícios em usar a tecnologia na saúde ainda são maiores.
Temos por exemplo a inteligência artificial (IA), que é uma grande promessa para melhorar a prestação de atenção à saúde e os medicamentos em todo o planeta; em alguns países ricos, por exemplo, ela já está sendo usada para melhorar a velocidade e a precisão do diagnóstico e da triagem de doenças; para auxiliar no atendimento clínico; fortalecer a pesquisa em saúde e o desenvolvimento de medicamentos e apoiar diversas intervenções de saúde pública, como vigilância de doenças, resposta a surtos e gestão de sistemas de saúde. Temos ainda que a inteligência artificial pode capacitar os pacientes a terem maior controle de seus próprios cuidados de saúde e compreender melhor suas necessidades em evolução. Também poderia permitir que países com poucos recursos e comunidades rurais, onde os pacientes frequentemente têm pouco acesso a profissionais da área, preencham as lacunas no acesso aos serviços de saúde. Contudo, não podemos esquecer que como todas as ferramentas tecnológicas que trabalham com dados e informações, o mau uso da inteligência artificial pode trazer perigos a quem a utiliza. Por isso faz-se necessário o uso correto e regulamentado deste importante instrumento.
Um relatório da Organização Mundial da Saúde – OMS adverte contra superestimar os benefícios da inteligência artificial para a saúde, especialmente quando isso ocorre às custas de investimentos e estratégias essenciais para alcançar a cobertura universal de saúde. O mesmo documento aponta que as oportunidades estão ligadas a desafios e riscos, incluindo coleta e uso antiético de dados de saúde; preconceitos codificados em algoritmos e riscos da inteligência artificial para a segurança do paciente, cibersegurança e meio ambiente.
Outra questão importante a ser analisada são os planos de saúde. Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde), desde o ano de 2018 aproximadamente 4 milhões de pessoas pararam de utilizar os planos de saúde e começaram a depender exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde) para realizar consultas, tratamentos e cirurgias. Esta mudança aconteceu em virtude do endividamento e do desemprego da população, assim como também em decorrência do aumento dos preços dos planos. Todos estes fatores somados causaram uma sobrecarga no SUS, sendo que para que fosse possível atender toda a nova demanda, a solução foi recorrer justamente às tecnologias para a saúde. Existe ainda o fato da grave crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus, que exigiu ainda mais profissionais para trabalhar na linha de frente, assim como as demandas por mais leitos, medicamentos e aparelhos. Mesmo que o nosso sistema de saúde seja um dos mais eficientes do mundo, ele ainda é grandemente prejudicado devido à má gestão e ao desvio de verbas. Conforme a OMS, cerca de 40% dos gastos com saúde são desperdiçados devido a ineficácia da sua administração.

Lisandro Mamud

Lisandro Mamud é administrador, pesquisador em Inovação, Tecnologia e Educação do Núcleo Educotec (Ufam)
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