Manaus registra pior qualidade do ar do mundo, com índice de 637

Em: 17 de outubro de 2026

IQAir classificou o ar da capital como perigoso na manhã deste sábado; na sexta-feira, cidade já liderava ranking nacional de poluição

Manaus atingiu o pior nível de qualidade do ar entre as cidades monitoradas pelo ranking internacional da IQAir na manhã deste sábado (17), quando o índice chegou a 637 pontos às 7h. A classificação, considerada perigosa, ocorre em meio à fumaça que encobre a capital amazonense há semanas, provocada por incêndios florestais no estado e em regiões vizinhas.

O índice AQI+ da plataforma ultrapassou duas vezes o patamar de 300 pontos, a partir do qual a qualidade do ar é classificada como perigosa. Nessa faixa, toda a população pode sofrer efeitos graves da poluição, e não apenas pessoas com doenças respiratórias ou outros grupos vulneráveis.

No mesmo horário, a IQAir registrava índices menores em cidades de outros países. Singapura apresentava 226 pontos, enquanto Mumbai, na Índia, tinha 174. Kolkata e Delhi registravam 163 pontos cada. Os valores são de uma consulta feita no início da manhã e podem variar ao longo do dia.

Às 9h, o índice de Manaus havia recuado para 531 pontos, mas permanecia na categoria mais grave da plataforma. O principal poluente indicado era o material particulado fino PM2,5, cujas partículas podem penetrar profundamente nos pulmões.

Capital já liderava ranking nacional

A situação se agravou após Manaus registrar, na sexta-feira (16), a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras. Naquele dia, por volta das 6h, a IQAir apontou índice de 167 pontos, classificado como insalubre.

O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também identificou concentrações elevadas de partículas na capital. No bairro Aleixo, zona centro-sul, o nível chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico, enquanto no Tarumã, zona oeste, a medição era de 39 microgramas por metro cúbico.

A piora da qualidade do ar levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino e das atividades acadêmicas presenciais da UEA na sexta-feira, como medida preventiva para reduzir a exposição à fumaça.

Risco à saúde

A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse, falta de ar e agravamento de doenças como asma e bronquite. A poluição também está associada a riscos cardiovasculares, especialmente quando a exposição é intensa ou prolongada.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis. Diante da situação, especialistas recomendam evitar atividades físicas ao ar livre e reduzir a entrada de fumaça nos ambientes fechados.

A crise ocorre em meio ao avanço dos incêndios no Amazonas. O governo federal investiga a possibilidade de ações criminosas organizadas por trás de parte dos focos, enquanto equipes estaduais e federais continuam mobilizadas no combate ao fogo.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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