Cinco contos terrivelmente fantásticos de Natal (4)

Em: 26 de dezembro de 2024

Era domingo, véspera de Natal. Joel acordou atrasado naquele dia. Nem deu tempo de tomar café direito. Apenas pegou um pedaço de pão que estava encima da mesa e saiu mastigando. Quando a esposa terminou de falar (— “Não se esqueça de comprar os preparativos para a ceia”), ele já estava dobrando a esquina.
No estacionamento do maior shopping da cidade, as crianças gritavam desesperadamente: “Queremos ganhar presente”; “Queremos ganhar presente”. — “Joel, você apareceu, que alívio!”, disse o organizador do evento. — “Deixa comigo que daqui para frente eu assumo”, respondeu Joel.
No palco, enquanto músicas natalinas eram tocadas, Joel chamou o organizador do evento para um canto e lhe disse: — “Estou preocupando! Temos aqui muitas crianças e poucos presentes. O que vamos fazer?”. — “Eu não sei! Não faço a mínima ideia!”, respondeu o organizador do evento.
Naquele momento, Joel teve uma ideia. Lentamente e pensativo ele caminhou para o centro do palco. Pegou o microfone e perguntou: — “Quem quer ganhar um presente?”. A resposta foi em coro: — “Eeeeeu”. — “Mais vocês sabem que para ganhar presente tem que merecer, não é?!”. — “Siiiiim”. E as crianças começaram a gritar mais alto ainda: — “Queremos presente”. “Queremos presente”.
Houve um principio de tumulto, mas Joel continuou: — “Não se preocupem, todos que estão aqui vão receber um presente, porém, para ser justo, vou fazer uma pergunta e quem souber a resposta vai receber o presente primeiro, tudo bem assim?”. — “Siim”, responderam as crianças, já mais calmas!
— “A pergunta é a seguinte — continuou Joel —, Quem foi o primeiro Papai Noel do mundo?”. Nenhuma criança subiu ao palco! — “Vamos?! A pergunta serve também para os pais de vocês”, disse Joel. Depois de alguns minutos, um pai de uma criança respondeu:
— “Foi São Nicolau, um arcebispo turco que viveu no século IV e costumava ajudar, anonimamente, pessoas com dificuldades financeiras, colocando um saco de moedas de ouro nas chaminés das casas. Sua transformação em símbolo natalino ocorreu na Alemanha e se espalhou pelo mundo todo!”.
— “Bravo”. “Viva!”. “Muito bom”. “Palmas para ele”, dizia Joel. “O primeiro Papai Noel foi São Nicolau!”. “Hoje Papai Noel não traz mais moedas e sim presentes. Mas só ganha presente, noite do dia 24 de dezembro, as crianças bem comportadas, estudiosas e obedientes aos pais, como vocês, não é?”, indagava Joel.
— “Vamos Joel, distribua logo esses presentes, as crianças já estão ficando impacientes”, ordenou o organizador do evento. — “Mas não têm presentes para todos”, disse Joel. — “Olha aqui!”, disse o organizador do evento mostrando uma montanha de presentes. — “Quem doou tudo isso?”. — “Milagres acontecem Joel”. Com ajuda de todos, Joel organizou as crianças em fila e naquela manhã ele distribuiu mais de sete mil brinquedos.
À tarde, quando Joel chegou a sua casa, percebeu a sua esposa preocupada. — “Tudo em ordem por aqui?”. — “Mais ou menos”, respondeu Maria. — “O que aconteceu?”. — “Estou preocupada porque vejo que você não trouxe o que eu lhe pedi”. — “Não se preocupe Maria, Deus proverá”, respondeu Joel.
À noite, faltando um pouco mais de uma hora para o Natal, os seus amigos de infância e de profissão, Natanael, Rafael, Ângelo e Angélica apareceram, cada um trazendo um prato. Os vizinhos, percebendo os preparativos para a ceia na casa de Joel, também se aproximaram. Logo a mesa ficou farta!
Quando deu meia noite, o sino da igreja tocou ao longe. Maria entoou, em forma de oração, uma música natalina de melodia agradabilíssima e foi acompanhada por todos. “Noite feliz, noite feliz. Ó Senhor, Deus de amor. Pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa Jesus, nosso bem”.
Por fim, Joel pediu que todos dessem as mãos e lembrou o verdadeiro motivo daquele encontro: — “Hoje é o dia do nascimento do Filho de Deus, Jesus Cristo, Nosso Salvador! Quero desejar um feliz e abençoado Natal para todos nós e para todas as famílias do nosso querido e amado Brasil”. E levantando uma taça de vinho, disse: — “Feliz Natal!”. E todos responderam: — “Feliz Natal!”.

Luís Lemos

É filósofo, professor universitário e escritor, autor, entre outras obras, de "Filhos da Quarentena: A esperança de viver novamente", Editora Viseu, 2021.
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