Entre anseios e frustrações – A democracia votada II

Em: 30 de outubro de 2026

A sociedade brasileira vivenciou um pouco mais de 30 dias para a realização do 2º turno de uma eleição bastante polarizada com os dois candidatos se tratando como inimigos e não como adversários políticos, duas visões de mundo antagônicas, entre a direita conservadora versus a esquerda socialista igualitarista. Isto foi fato até o transcorrer da finalização da votação no dia 25 de outubro, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre frustações, anseios, magoas, gritos e saturação o povo brasileiro eleitor compareceu às urnas para o escrutínio. E as urnas falaram, para uns positivamente (51,79%), para outros negativamente (48,21%) e frustrante, mas a democracia se merece a vontade popular, pois o povo é seu senhor soberano quanto ao voto popular. Os jovens partidários do lulismo se mobilizaram atendendo a solicitação da campanha de Lula e foram às ruas e às urnas dando a reeleição a seu ídolo!!! Mesmo não sabendo o que poderá resultar desta opção.

Após os resultados, a escolha do povo está posta, nada mais é capaz de mudá-la. Resta aos vencidos e aos ganhadores encarrar uma jornada de quatro anos de mandato, bons ou ruins, seja feita tua vontade e não adianta reclamar ou chorar, nada irá mudar tal situação.

A vitória da esquerda no Brasil provocou uma estacada na escalada da direita na América do Sul, no Brasil a esquerda possui extrema-esquerda, como PSOL, PCB, PcdoB, PCO, MST, etc, mas ao contrário da direita que não possui. Portanto, a luta continua acirrada e a sociedade dividida e polarizada ideologicamente.

Politicamente a vitória de Lula foi expressiva ideologicamente, porém começou com graves repercussões negativas, economicamente. Pois o mercado financeiro-econômico apresentou reações negativas no início desta segunda-feira (25/10), na Bolsa de Valores [B]³, o mercado cambial e com tendencias de aumento da inflação e da taxa de juros nominais (SELIC).

O mercado apresentou reação negativa nesta segunda-feira, 26/10, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25). Como se observou a Bolsa chegou a subir 8,8% na primeira semana depois do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) obteve o maior número de votos em relação aos demais competidores.

Segundo afirma Daniel Wainstein, co-CEO e sócio fundador da Seneca Evercore, “A vitória de Lula foi uma surpresa para o mercado, que vinha demonstrando preferência por Flávio e antecipando sua vitória”, “O Ibovespa acumulou 27,3% de aumento neste ano, e parte da expectativa de mudança de governo estava incorporada às cotações. Com a vitória de Lula, o mercado vai rever essa expectativa e deveremos ter uma correção no mercado.”

Já na noite de domingo, os ativos brasileiros negociados no exterior começavam a ir no sentido negativo, segundo o EWZ, fundo de índice que reúne as maiores empresas da bolsa brasileira negociado em Nova York, recuava 18,29% no pregão noturno, cotado a US$ 34,80, uma perda de US$ 7,79 em relação ao fechamento de sexta-feira. E o ETF (Next Funds Ibovespa Linked), principal fundo de índice brasileiro negociado na Bolsa de Tóquio, operava em forte queda no pregão desta segunda-feira, 26 (hora local). Há pouco, a cota estava sendo negociada a 288 ienes, com queda de 11,80%. O prejuízo já havia ocorrido (há US$ milhões em prejuízo).

Frente as reações do mercado, pós a reeleição de Lula, ainda segundo Daniel Wainstein, da Seneca, afirma “Reversão de expectativa, só com sinais concretos de ajuste fiscal”. “É possível haver uma reversão dessa expectativa negativa, caso haja sinais muito concretos de um ajuste fiscal relevante, redução dos juros de longo prazo e recuperação dos lucros das empresas, etc. Também se houver compromisso convincente com a estabilização da dívida pública e respeito à autonomia do Banco Central. “A composição da equipe econômica será fundamental para essa avaliação inicial, assim como o Lula fez no passado tendo alguém como Henrique Meirelles em sua equipe”. “Isso porque, afirma, Lula começará o quarto mandato em uma situação fiscal mais difícil do que a encontrada em 2023. A dívida bruta está próxima de 83% do PIB, contra 72% no fim de 2022, uma diferença de cerca de 11 pontos percentuais. Em 2023, ele assumiu após um superávit primário de 1,25% do PIB e, agora, há um déficit de aproximadamente 0,6% nos últimos 12 meses”. “O governo atual continua, mas com uma clara necessidade de mudar sua trajetória”. A realidade é difícil, mas real para um novo mandato de Lula em uma país à beira do caos econômico-financeiro. As promessas feitas na campanha não serão cumpridas.

Ainda se está tratando de mercado financeiro-econômico. Pós reeleição de Lula, não se adentrou sobre as repercussões no Sistema Econômico, ressaltando segundo o economista Bruno Corano, CEO da Corano Capital, “O tamanho do problema – A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB  (Produto Interno Bruto) em agosto, o maior nível desde março de 2021, segundo o Banco Central. O que mais empurra esse número são os juros: em 12 meses, o governo gastou o equivalente a 8,86% do PIB só com o custo da dívida. A lógica é simples: Com a SELIC em 13,75% e a inflação em 4,58%, o juro real fica perto de 9% ao ano. Para a dívida parar de crescer, o governo precisaria arrecadar mais do que gasta, antes de pagar juros, o chamado superávit primário.

O mercado não é contra o Brasil, mas faz a análise da realidade em que o país se encontra atualmente, o capital não possui partido ou ideologia. Como ressalta a economista Maria Carolina Luchesi, analista da Hike Capital, “com os juros nesse patamar, a dívida continua subindo enquanto o resultado primário não compensar parte relevante desse custo”.

Já Corano projeta “que a dívida se aproxime de 88% do PIB em 2027. O espaço de manobra é estreito. Mais de 90% da despesa primária federal é obrigatória, como aposentadorias, benefícios sociais e salários. O próprio arcabouço fiscal do governo já acionou suas travas com o déficit de 2025, limitando a alta real da folha a 0,6% em 2027 e proibindo novos benefícios tributários”.

E a conta das promessas do ano eleitoral, quem as pagará? Pois as medidas anunciadas no ardor da campanha exigirão pelos menos R$ 40 bilhões de remanejamentos e ajustes no Orçamento de 2027, e as promessas não serão cumpridas, sem antes incorrer em mais gastos públicos.

De acordo com Maria Luchesi, “no cenário de reeleição, as exigências têm endereço certo, a cobrança tende a se concentrar na capacidade de cumprir metas crescentes dentro do arcabouço que o próprio governo criou”. O principal nó é a política de ganho real do salário-mínimo mantida no Orçamento de 2027”. “Como as aposentadorias e benefícios são atrelados ao piso, cada R$ 1 de aumento no mínimo custa R$ 413,2 milhões por ano”.

De acordo com Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, “O mercado não está premiando uma pessoa, está punindo uma Política Fiscal que levou a dívida bruta a 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021, e manteve o país com um dos juros reais mais altos do mundo. Um quarto mandato sinaliza continuidade disso, e quem vende ativos brasileiros não vai dar o benefício da dúvida a um governo que teve quatro anos para ajustar as contas e não ajustou”. “E, por já estar no poder há quatro anos e não ter promovido medidas de cortes de gastos públicos, a continuidade do governo Lula é um risco para a Política Fiscal”. Esse quarto mandato poderá ser exercido como um cheque em branco para a contínua irresponsabilidade na Política Fiscal do governo.

A reação do mercado à reeleição de Lula foi tão negativa que algumas bancas trataram de circuit breaker.  Pois trata-se de um mecanismo de segurança acionado pela [B]3 que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa de Valores em momentos de queda acentuada. O circuit breaker é um sinal de pânico nos mercados e foi acionado apenas 23 vezes na história da Bolsa brasileira, desde 1997 – seis deles em março de 2020, quando a pandemia da covid-19 eclodiu.

Mudando a visão, o Brasil como alguns brasileiros querem é um país insólito, com cidadãos de brios, orgulhosos da nacionalidade, etc, etc,etc… mas conseguem admitir serem governados por longos vinte anos, por outrem ex-presidiário, desqualificado, ardiloso em descomprometimento com a nação, empobrecida, necessitada de todos os serviços sociais obrigatórios de quaisquer governos e ainda se vangloriarem desse tipo, como um fã clube!!! O país faz mais de vinte anos que está atrasado em desenvolvimento econômico e assim permanecerá por mais longos quatro anos. Não se consegue admitir tais atos, porém se respeita em nome de uma dita democracia seletiva implantada por esse regime dele. As perseguições já começaram, a caça aos inimigos políticos se tornará implacáveis (vejam os atos do ministro do STF, Alexandre de Morais, a 7 minutos do término do pleito – na perseguição ao ex-candidato Flavio Bolsonaro. Todos, verão as demasias!!!

Observem isto: Um Povo que aceita passivamente a corrupção e os corruptos, não merece a liberdade. Merece a escravidão. Um país cujas leis são lenientes e beneficiam bandidos, não tem vocação para a liberdade. Seu povo é escravo por natureza. Uma Nação onde a suposta sociedade civil organizada não mexe uma palha se não houver possibilidade de lucros, não é capaz de legar nada a seus filhos, a não ser dias sombrios… Um país onde os poucos que se esforçam para fazer prevalecer os valores morais, como honestidade, Ética, honra, são sufocados e massacrados, já caiu no abismo há muito tempo… (Maquiavel 1469/1527)

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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