A Black Friday brasileira já não cabe em uma sexta-feira. Essa é uma das principais conclusões do relatório “Black Friday: o que acontece entre o clique e a aprovação”, lançado em outubro pela Appmax. O estudo analisou mais de 1,7 milhão de pedidos processados em novembro de 2025 e comparou cada indicador da data com o comportamento de um dia comum. O objetivo é oferecer ao lojista uma referência concreta para planejar a edição de 2026, marcada para 27 de novembro. O material está disponível para download gratuito em appmax.com.br/relatorio-black-friday.
Uma semana inteira de pico
Segundo o levantamento, a sexta-feira da Black Friday movimentou 3,36 vezes a média diária de outubro, mas respondeu por apenas 21,3% do volume da semana. Os sete maiores dias de 2025 foram justamente os sete dias da semana da data, e o domingo seguinte foi o segundo dia mais forte do ano, à frente da Cyber Monday. O estudo também afasta a ideia de que a data apenas antecipa compras de dezembro: na semana seguinte, as vendas seguiram 45% acima da média de outubro.
O crescimento veio acompanhado de pedidos maiores. Na comparação com 2024, o volume da Black Friday subiu 33,9% e o ticket médio, 16%.
Quem compra muda na data
O relatório mostra que a Black Friday recompõe o perfil do comprador. A idade média cai de 46 para 41 anos, e o público de 18 a 29 anos compra 4,65 vezes mais do que em um dia comum, o maior salto entre as faixas etárias. Os solteiros passam a ser maioria (57,6% dos pedidos), e consumidores abaixo da classe C multiplicam as compras por 4,27. As mulheres continuam respondendo pela maior parte do volume, com 70,2% dos pedidos.
Para o varejo, o dado tem consequência direta na estratégia de mídia: segmentações construídas com base no cliente do resto do ano tendem a sub-representar justamente o público que mais cresce em novembro.
Entre as categorias, Casa e Decoração registrou o maior salto (6,1 vezes), seguida por Alimentos e Bebidas (5,2 vezes) e Esportes e Fitness (4,9 vezes). Moda e Acessórios cresce menos, mas segue com o maior volume absoluto.
Cartão e Pix dividem o checkout
Cartão de crédito (65,1%) e Pix (34,3%) somam mais de 99% do volume da data, enquanto o boleto cai 56%. Um achado contraintuitivo chama atenção: mesmo com tickets maiores, o consumidor parcela menos. A média de parcelas recuou de 3,82 para 3,65, e os pedidos em 12 vezes caíram de 7,2% para 3,5%. No Pix, a conversão também melhora na data: 80,8% das cobranças geradas foram pagas, contra 75,2% nos dias comuns de novembro, com mediana de 69 segundos entre a geração do código e o pagamento.
O estudo indica ainda que o volume alto não derrubou a aprovação. No cartão, a taxa chegou a 97,27% na sexta-feira, acima da média de setembro e outubro, enquanto o chargeback da safra da semana caiu 37,7%.
Recuperar vendas e transformar comprador em cliente
A data também se mostrou a melhor do ano para recuperar vendas que pareciam perdidas. Com a Recuperação Inteligente da Appmax, que usa inteligência artificial para conversar com o cliente pelo WhatsApp, a taxa de conversão na Black Friday foi de 16,7%, ante 9,7% na média de 2025, alta de 72%. No caso de cartões recusados, a recuperação dobrou, de 7% para 14,2%.
O desafio está no pós-venda. Embora 90,5% dos compradores de novembro fossem novos na base, a recompra em 90 dias foi de 3,9%, abaixo dos 5% registrados por quem comprou em outubro. Para o relatório, a Black Friday funciona como um canal de aquisição em escala, e o retorno do investimento depende de estratégias de relacionamento, como réguas de comunicação e cashback, para estimular a segunda compra.
Projeção para 2026
Os indicadores do primeiro semestre de 2026 sustentam a expectativa de uma Black Friday ainda maior. No período, o volume dos lojistas da base Appmax cresceu 59%, o número de transações subiu 47% e a aprovação de cartão avançou 0,9 ponto percentual. Com mais lojistas disputando a atenção do mesmo consumidor, o estudo conclui que o resultado da data tende a ser decidido mais pela preparação da operação do que pela demanda.
O relatório completo, com dados e recomendações práticas para cada tema, pode ser baixado gratuitamente em appmax.com.br/relatorio-black-friday.














