Marinha em Manaus

Em: 28 de maio de 2025

“Um papa embarcará em um navio de guerra pela primeira vez na história da humanidade.” Com essas palavras o capitão da corveta da Marinha de Guerra Roberto Nunes, comandante do “Pedro Teixeira” que conduzirá o João Paulo II durante a procissão fluvial de São Pedro no próximo dia 11 de Julho, em Manaus explicava aos jornalistas a operação de segurança plena que cercaria o pontífice em 1980. Em meu acervo, para o livro sobre o santo da Igreja Católica encontram-se páginas do Jornal do Comercio de 10/07/1980 coluna “Porto e Comércio” de Ivan Silva. Aí é explicitado todo o roteiro e desenha como foram os passos do papa sob o título: “Navio da Marinha conduzirá João de Deus na procissão.” “…Irá ao encontro das águas nas imediações do entroncamento do Careiro acompanhado de cinco Napaflu.” “Esta era uma sigla querendo dizer Navio Patrulha Fluvial. Os cinco Napaflu” em conjunto, formaram uma cruz sobre as águas do Negro e do Solimões. O Sumo Pontífice dali deu a benção à população ribeirinha e apreciou o famoso encontro das águas “um de seus maiores desejos” segundo o jornalista. O cortejo fluvial seguiu até a denominada Serraria Pereira onde se delineou a procissão com a participação das já inscritas 3.000 (três mil) embarcações. Uma colossal procissão a merecer citação no Guiness Book. Para nós de Manaus de 650 mil habitantes e quase que 100% de cristãos – católicos, era a vivencia das Horas Intensas. O percurso foi Serraria Pereira, S. Raimundo e Roadway. Segundo a determinação da Flotilha do Amazonas os cincos Na. Pa. Flu.que comandavam o cortejo papal ficaram assim distribuídos para que inexistisse algum incidente: Na frente o navio “Amapá” conduzindo a imprensa televisada. No centro ia o “Pedro Teixeira”, conduzindo o pontífice e sua comitiva. Atrás o “Raposo Tavares” levando autoridades. Nas laterais achavam-se os NaPaFlu, “Rondônia “ e “Roraima” direcionando a imprensa falada e escrita. Os cincos isolavam o cortejo pontifical das 3000 embarcações (a fim de evitar perigos) em 100 metros de distância nos quatro extremos da cruz fluvial de corvetas. Em cada uma delas tinha armamentos como 1 canhão, 2 morteiros navais, 6 metralhadoras, 2 lanchas de desembarque (armadas com potentes armas de fogo) e 1 helicóptero para eventuais emergências. O fato é que a romaria foi mais celebração da visita do sucessor de São Pedro (primeiro papa) e padroeiro dos pescadores. E os pescadores afluíram em massa a prestigiar a festividade religiosa. A vocação natural da terra é a pesca e desde aquela época se ouviam clamores pela construção de um terminal de pesca a fim de não haver desperdício de alimento. E no entanto dias passados, li em uma reportagem que por dia são estragadas 25 toneladas de peixe. Isso em 2014! Tudo ainda pela ausência do terminal pesqueiro. A Marinha do Brasil em Manaus, sempre esteve presentes nos eventos religiosos da terra. Sua padroeira e a Virgem Imaculada Conceição. Por isso ela é PRESENÇA CONTINUA ao lado da Igreja Católica. Merecedora de louvores pelo ato em gratuidade e voluntário à Santíssima Virgem. No projeto MEMÓRIA MUNDI – (memória do mundo) este artigo, constante em meu livro (1980 – João de Deus em Manaus) foi exibido para o comitê da UNESCO. A Marinha, pois destacou-se como “lâmpada que arde em santuário”. Ininterruptamente.
PS – A Corveta ia armada por que Nostradamus havia previsto um assassinato de um Papa onde dois rios se encontram (Rio Negro e Solimões) e isso espalhou-se em Manaus. As autoridades públicas pediram que a Corveta fosse com esse armamento defensivo.

CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP

Carmen Novoa

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