O Amazonas não precisa provar ao Brasil que é rico. Precisa fazer com que essa riqueza chegue à vida de quem nasceu e trabalha aqui. Essa é uma das grandes contradições do nosso Estado. Temos uma das maiores biodiversidades do planeta, recursos minerais estratégicos, uma indústria que movimenta a economia nacional, rios que formam uma das maiores redes naturais de transporte do mundo e um território com enorme potencial produtivo. Ainda assim, a riqueza do território não se traduz, na mesma proporção, em renda e oportunidades para sua população.
O dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é revelador. Em 2025, o rendimento nominal mensal domiciliar per capita do Amazonas chegou a R$ 1.484, enquanto a média brasileira foi de R$ 2.316. Houve crescimento em relação aos anos anteriores, mas a distância permanece grande. É justamente essa diferença que precisa orientar a nossa discussão sobre desenvolvimento. Não basta comemorar o tamanho da economia. Precisamos perguntar quanto dessa economia se transforma em salário, emprego, empreendedorismo e qualidade de vida para o amazonense.
Defender a Zona Franca de Manaus continua sendo indispensável. Ela é responsável por uma das mais importantes concentrações industriais da Amazônia e precisa de segurança jurídica, competitividade e condições para continuar atraindo investimentos. Mas defender aquilo que conquistamos não significa renunciar ao que ainda podemos construir. O Amazonas não pode depender de uma única matriz econômica. Temos condições de ampliar a produção agropecuária, fortalecer a mineração responsável, desenvolver cadeias da bioeconomia, agregar valor aos produtos da floresta, ampliar o turismo e transformar ciência e tecnologia em negócios. A riqueza que existe no território precisa deixar de ser apenas potencial e passar a produzir prosperidade.
É essa visão que tenho defendido ao percorrer municípios do interior, especialmente no Sul do Amazonas. A região mostra que o debate sobre desenvolvimento precisa abandonar velhos preconceitos. Produção rural, mineração, preservação ambiental e geração de empregos não são conceitos incompatíveis. O que precisamos é de legalidade, fiscalização, tecnologia e segurança jurídica. Em vez de condenar previamente qualquer atividade econômica, devemos estabelecer regras claras para que o produtor possa produzir, o empreendedor possa investir e o Estado possa fiscalizar. O Amazonas não pode ser condenado a assistir de longe à exploração econômica de suas próprias riquezas.
Também precisamos enfrentar um problema que nenhum discurso consegue esconder: não há desenvolvimento sem infraestrutura. O produtor do interior precisa de estrada, porto, energia, internet, armazenagem, assistência técnica e crédito. A empresa precisa de logística competitiva para alcançar outros mercados. O cidadão precisa de transporte e serviços públicos que não dependam de uma viagem de centenas de quilômetros. A discussão sobre a BR-319 e sobre a integração logística do Amazonas, portanto, não pode ser tratada como uma pauta isolada. Ela está diretamente relacionada ao custo de produzir, ao preço dos alimentos, à geração de empregos e à capacidade de o interior participar efetivamente da economia.
O mundo está olhando para a Amazônia por razões ambientais, energéticas, minerais e econômicas. O Amazonas precisa olhar para si mesmo com a mesma atenção. Temos produtos da floresta que podem alcançar mercados sofisticados, recursos minerais estratégicos para novas cadeias industriais e conhecimento científico produzido por instituições que precisam estar cada vez mais conectadas ao setor produtivo. Não podemos aceitar que o valor esteja sempre fora daqui. Se a riqueza nasce no Amazonas, o valor agregado, os empregos qualificados e a renda também precisam permanecer cada vez mais no Amazonas.
O desafio, portanto, não é escolher entre floresta e desenvolvimento. É construir um modelo em que a floresta protegida seja também fonte de conhecimento, inovação e renda, em que a indústria seja cada vez mais tecnológica, em que o interior tenha condições reais de produzir e em que os recursos naturais sejam tratados com responsabilidade e inteligência. O Amazonas não pode continuar sendo lembrado apenas pelo tamanho de suas riquezas. Precisa ser reconhecido pela capacidade de transformá-las em prosperidade.
Terra rica, povo rico não é uma frase de efeito. É uma cobrança. Um Estado que possui tanto não pode se conformar com tão pouco para uma parcela significativa de sua população. Nosso compromisso precisa ser transformar potencial em oportunidade, território em produção, conhecimento em inovação e riqueza em renda. O Amazonas já tem os recursos para dar esse salto. O que não podemos mais aceitar é que continue faltando ao seu povo a prosperidade que o próprio Estado tem capacidade de gerar.






