Álvaro maia – “principe dos poetas”

Em: 11 de setembro de 2026

Tenho a estranha mania de guardar artigos de jornais ou de revistas que julgo de suma importância. Foi assim que se deu a publicação da poesia antológica de Álvaro Maia em livro por mim organizado. Um documento imperecível. Era ano de 2013. Mais precisamente, setembro. Revendo meus velhos papeis encontrei uma página inteira de jornal, onde estava transcrito em sua totalidade o belíssimo discurso poético de Álvaro Maia feito no Teatro Amazonas, lotado de intelectuais, autoridades civis, militares e eclesiásticas e toda a sociedade manauara que apreciava a bela arte da oratória a fluir dos poros da alma. A frente de tal magnetizante apelo aos jovens e ao glebarismo (já que o Amazonas continuava esquecido do resto do país, a não ser que auferisse ao poder central, dinheiro que a borracha em seu auge econômico lhes conferia, mas estávamos em pleno marasmo econômico) esse clamor vindo de um jovem de 30 anos foi como um SOPRO DO GÊNESIS à terra inanimada. Estimulou a todos, a perseverança, a ação, a criatividade, a viver usando as palavras do coração para reerguer o Estado combalido pós-desastre gomífero. Diante da edição jornalística, verifiquei que perfazia o nonagésimo ano da locução de “Canção de Fé e de Esperança” a consagrá-lo como o “Príncipe dos Poetas”. Tomei a resolução de organizar aquela joia do poetismo em prosa, num livro. Desejei sua permanência, como um documental de biblioteca. Perene. Pesquisas foram feitas na Biblioteca Pública e no I.G.H.A. Neste último encontramos um fascículo com a cor do tempo, impresso às expensas do próprio poeta e… mais nada. Dizem que em 1973, foi editado um outro “fascículo” através do governo estadual mas até hoje não tive em mãos essa comprovação. Em 2013 a 13 de Dezembro, lancei na Academia Amazonense de Letras o livro “Álvaro Maia – Canção de Fé e Esperança” 90 anos (edição comemorativa) com depoimento superlativo de seu grande amigo Dr. Erasmo Alfaia. Arquivo fotográfico da gestão politica, e do memorial Álvaro Maia construído pelo prefeito Arthur Neto e de sua destruição por vândalos que a tudo depredaram e “outros” surripiaram objetos pessoais, livros autografados, raridades valiosas que não poderiam interessar a gatunos mas a “colecionadores” ou como diria João Leda a meu pai Elias Novoa, “fechemos as portas de nossos escritos aos ratos de bibliotecas…” E como existem pululando por ai todos “perequetés”…! O lançamento no silogeu amazonense foi doado à refinada plateia. A capa e contra capa do livro formaram a caixa mágica das letras. Na frente foto de Álvaro Maia. Garimpei no I.G.H.A. Nos altos de suas paredes numa tela a óleo, pintado o busto do grande poeta. Sem nenhuma inscrição. Identifiquei-o, porque meu pai Elias, seu admirador o tinha em um quadro no seu gabinete. A autora da tela artística: Valquíria Vieiralves. Esta ao viajar para o Sul doou-a ao I.G.H.A. por achar como memorial de um amazônida. Na contra capa exibo trecho bombástico de prosa poética. E ainda hoje atualíssima. “Refletir sempre com ousadia, os mendigos do voto, os negocistas da felicidade do Estado pelas cômodas posições do momento… A reabilitação do expoliado está em marcha. E não mais protelar direitos, não mais aplaudir, leis clandestinas, urdidas em segredos, como os pactos que os salteadores premeditam… Desde o operário ao letrado, encontrarão alento nos poderes obrigados, a empregar os impostos a prol do povo e da terra. Não mais os traficantes da fortuna pública.” (Álvaro Maia). Meus livros, em 1ª edição esgotaram-se depois da palestra proferida na UNINORTE na “SEMANA DE HISTÓRIA” assistida e aplaudida com grande sucesso pelo corpo discente e docente da universidade. Agora ocorre o lançamento da segunda edição, sob os auspícios do presidente da A. A. de Letras em evento comemorativo ao centenário do silogeu amazonense (1918 – 2018). Esta casa A. A. de Letras sempre abrigou os poetas. Dezenas deles. A maioria, pobres por fora. E ricos por dentro. Em sensibilidade no transformar palavras em gemas preciosas. A Academia nunca deverá permitir que adentre naquele recinto uma plateia que pensa que “poetas são gentalha”. Nunca mais adentrem naquele recinto sacro da palavra…

 CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP

Carmen Novoa

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