‘O interior é minha paixão’

Em: 28 de outubro de 2014
‘O interior é minha paixão’
‘O interior é minha paixão’

José Melo, governador reeleito de forma acirrada, conta a força política para realizar os projetos relevantes para o Estado do Amazonas, para a manutenção do modelo ZFM (Zona Franca de Manaus) e para a requalificação da cidade de Manaus. O novo governo dará prioridade para a Educação, Saúde, Segurança Pública e geração de emprego, segundo disse o governador em entrevista concedida à Rede Amazônica, com a presença das equipes de reportagem do G1 Amazonas, Portal Amazônia, Amazon Sat, CBN Amazônia e do Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – O senhor pretende reduzir o número de secretarias e reduzir os gastos do governo estadual?
José Melo – Eu vou dar agora uma estudada no novo governo, eu tenho muitos compromissos que tenho que cumprir com o povo do Amazonas. Para cumprir esses compromissos eu preciso de recursos. E para isso eu tenho que poupar no custeio do Estado, o que significa muita coisa, modernizar os procedimentos todos é uma forma. Ter maneiras de adquirir os bens que o Estado consome de forma centralizada, para todos as secretarias e ali vou ter uma redução de custo. E também vou pensar num governo menor do que está aí, que esteja mais fácil de administrar. Um governo mais leve, concentrado naquilo que são funções de Estado e aquilo que não for função do Estado, naturalmente, a iniciativa privada vai tocar.

JC – Sobre o anúncio da saída do superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, como o governador reage a essa decisão?

JM – A saída do Thomaz da Suframa será um golpe muito grande para a Zona Franca e para todos nós. Eu considero o Thomaz um dos técnicos mais competentes que eu já conheci e na prorrogação da Zona Franca de Manaus, ele foi de forma anônima, poucas pessoas sabem, ele foi fundamental na costura que nós fizemos com resto do Brasil em relação a prorrogação da lei de informática por mais dez anos. Thomaz foi fundamental, foi interlocutor, foi a voz técnica que todo o mundo ouviu. E foi também fundamental na negociação que eu e o Arthur, ele e o Afonso fizemos com o governador Alckmin, de São Paulo, em relação a acabar com a guerra fiscal.
A saída do Thomaz da Suframa será um golpe muito forte em relação a esse clima de hoje, com paz, tranquilidade, de crescimento em relação à ZFM, que tem um grande desafio: Muitas empresas querem vir se instalar agora aqui. Temos a questão dos terrenos. Temos o desafio de estender para a Região Metropolitana os benefícios da Zona Franca de Manaus para que possamos ter terrenos melhores do que nós temos hoje no Distrito 2, muito acidentados. E o Thomaz era o maestro se tudo isso. Eu espero que ele repense. Espero que o governo federal também tenha lá sua participação nisso tudo. Porque a saída do Thomaz hoje seria um grande desserviço para esse novo horizonte da ZFM.

JC – O senhor teria alguma sugestão de nome para substituir o doutor Thomaz Nogueira na superintendência da Suframa?
JM – Essa indicação é da Presidência da República e eu sinceramente nem penso na hipótese do Thomaz sair da Suframa. Se depender de mim e dos meus argumentos, o Thomaz permanecerá por lá. Porque, eu repito, será fundamental para esse novo momento que nós vamos viver da ZFM.

JC – O que o senhor espera da relação com o governo federal, com essa nova configuração que vem por aí?
JM – A configuração é a mesma, não mudou. Afinal de contas nós tivemos um relacionamento melhor possível com a presidente Dilma, antes com o presidente Lula. Ambos tiveram muitos votos aqui no Amazonas, sempre tiveram por parte do governo do Amazonas um tratamento muito especial nas eleições. A presidente Dilma é uma moça que está completamente madura, ela lutou a sua luta, eu lutei a minha luta, ela se reelegeu e eu também. Acima das querelas políticas está a responsabilidade dela com o povo do Amazonas e a minha também.

JC – As zonas Norte e Leste vão ganhar novos Centros da Família, contemplados no projeto de proteção à juventude amazonense no combate ao tráfico de substâncias ilícitas e no estímulo à educação. Qual o prazo de entrega dessas obras?
JM – Olhando a questão do tráfico de drogas, nós vamos construir 15 escolas de tempo integral em Manaus. Serão construídas nos locais que nós chamamos de áreas vermelhas, onde há maior incidência de criminalidade. Queremos tirar 15 mil jovens das ruas e colocar dentro do abrigo das escolas do Estado e vamos construir dois Centros de Convivência da Família na zona Leste e um na zona Norte de Manaus, tendo em vista esse objetivo também. Mas esse projeto é para 2015.

JC – O prefeito Arthur Neto deu um prazo de 100 dias para apresentar resultados da nova administração, logo que assumiu a Prefeitura de Manaus. O senhor pretender dar um prazo para apresentar resultados do seu plano de governo para o Amazonas?
JM – Não. O prefeito Arthur assumiu um governo novo, eu vou dar continuidade ao governo que já está aí andando e que foi muito bem avaliado quando o Omar (Aziz) estava lá e agora comigo. Eu sempre falei, na minha campanha, e nunca escondi que estava propondo um governo de continuidade. No entanto um governo que tivesse aprimoramento e algo novo, por exemplo: a Santa Casa de Misericórdia adquirida pelo governo estadual para se transformar num hospital infantil referência no tratamento contra o câncer, essa é uma novidade. O Banco do Povo é uma outra novidade. O Pronto Especialista também é outra novidade.

JC – Para os municípios do interior do Estado quais são as prioridades do governo José Melo?
JM – O interior é minha paixão. Eu tenho duas grandes paixões, uma é a educação e outra é o interior. Para o interior nós temos aí um tratamento muito especial, eu vou conseguir financiamento para nós asfaltarmos três mil quilômetros de estradas vicinais. E nesses três mil quilômetros nós vamos implantar três projetos: criação de peixe em cativeiro que é muito importante, o Amazonas vai se transformar no maior produtor de peixe de água doce do mundo; vamos também consorciar com o açaí, que tem mercado mundial hoje e também trazer para o Amazonas aquela mandioca que foi desenvolvida em Cruz das Almas, na Bahia, que dá seis a sete vezes mais do que a nossa aqui. Lutar pelo polo produtor de fármacos e pelo polo produtor de cosméticos, dois polos importantes para alavancar a economia, e junto ao governo federal lutarmos para termos aqui no Amazonas um polo produtor de gás químico e petroquímico para utilizar o subproduto do petróleo e do gás que temos aqui.

JC – Governador a base da sua campanha com foco na Educação. Qual a prioridade do seu governo?

JM – A prioridade das prioridades será Educação. Na Educação nós vamos ancorar todas as políticas do governo. A exemplo da Educação, nós temos a área da Saúde, Segurança Pública e geração de Emprego e Renda, são as quatro prioridades que vamos ter no nosso governo.

JC – Sobre as obras da Cidade Universitária o cronograma está sendo cumprido?
JM – Nós estamos em pleno andamento, a obra continua. Temos recursos para concluir essa primeira fase e a UEA com um novo crescimento da Zona Franca de Manaus vai ter mais aporte de recursos destinado à essa obra grandiosa. Vamos continuar a construir o Campus, imagino que em cinco ou seis anos nós teremos construído a totalidade das unidades que compõem o Campus da UEA.

JC – Quando o senhor começa o processo de composição do novo secretariado?
JM – Eu vou sair uns cinco dias para descansar no interior e na volta eu vou cuidar de concluir o governo atual. Há dispositivos constitucionais que impõem que fechemos o ano e ao mesmo tempo que vou juntamente com o grupo de técnicos pensar já num novo governo. Imagino que daqui uns 60 dias eu esteja com tudo pronto para apresentar para a sociedade.

JC – Qual o tipo de relacionamento que o senhor pretende ter com a nova Assembleia Legislativa?
JM – Essa eleição foi muito generosa para nós que fizemos a maioria dos deputados estaduais, também dos deputados federais e fizemos um senador e o governador. A minha relação com todos que foram eleitos, mesmo aqueles considerados de oposição, é muito boa. Um exemplo disso é o Sinésio, que foi eleito pela oposição e é meu amigo de muito tempo, se elegeu por lá mas é meu amigo.

JC – De que forma o senador eleito Omar Aziz, o prefeito Arthur Neto e o vice-governador Henrique Oliveira vão participar da nova estrutura de governo?

JM – O Omar vai atuar ancorando as nossas necessidades lá em Brasília, trazendo recursos para que possamos ajudar o povo. O Henrique vai ser fundamental no governo, vai me ajudar do mesmo jeito que eu ajudei o Omar, ele vai ter muitas tarefas. E o prefeito Arthur vamos continuar a parceria que deu certo, que deu bons resultados para a cidade de Manaus. A parceria vai continuar para enfrentarmos juntos os problemas que envolvem a cidade de Manaus.

JC – Qual a estratégia do seu governo para a manutenção da ZFM e para a reconstrução da BR-319 ?
JM – Todos nós agora temos que descer do palanque e temos que pensar em relação ao Estado. A bancada do governo agora vai ser unida e juntos vamos defender os interesses do Amazonas. A Zona Franca de Manaus foi prorrogada, isso não tem volta, os incentivos fiscais estão aí preservados. Agora é hora de nos unirmos em defesa desse modelo que hoje nos sustenta, é importante para o Amazonas, mas é também importante para o Brasil.
A BR-319 é fundamental para baixar o custo de logística, que é muito alto na nossa cidade, no nosso Estado. Hoje nós temos 110 a 120 quilômetros que vai até o Tupana totalmente asfaltado e degrada as áreas laterais e depois temos 400 quilômetros que vai de Tupana até a divisa de Humaitá. Ali a minha proposta é que nós envelopemos esses 400 quilômetros protegendo as laterais com gradil, de 100 em 100 metros construir passagens para que os animais possam circular de uma margem à outra da rodovia em segurança.
Mas o Amazonas precisa, tem necessidade e tem o direito de ter uma saída para o resto do Brasil. Vamos juntar todas as forças para o mais rápido possível asfaltarmos a BR-319.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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