“Antes de tudo, o mais importante é ter uma boa educação financeira”

Em: 26 de janeiro de 2010
Cláudio Kayath é um dos sócios e diretor-técnico da Invista Investimentos, empresa manauense de agentes autônomos de investimentos que atua no mercado financeiro como agente do sistema de distribuição e mediação de títulos e valores mobiliários
Cláudio Kayath é um dos sócios e diretor-técnico da Invista Investimentos, empresa manauense de agentes autônomos de investimentos que atua no mercado financeiro como agente do sistema de distribuição e mediação de títulos e valores mobiliários

Jornal do Commercio: Como o profissional do mercado financeiro indica quais os melhores aplicações para investidores iniciantes e com diferentes rendas salariais?

Cláudio Kayath: Não é necessário traçar estratégias distintas para diferentes faixas salariais. Fatores como objetivo, idade e perfil do investidor são mais importantes na escolha do melhor investimento. A questão é saber balancear quanto do capital será aplicado em renda fixa (títulos emitidos por bancos e empresas, com pré ou pós-fixadas). Os fundos de renda fixa podem fazer operações especulativas ou de proteção para obter mais ganho e quanto será na renda variável (rendimento que não é pré-fixado, variando em função das condições do mercado).

JC: Quais os primeiros passos para os interessados em investir na bolsa?

CK: Antes de tudo é importante ter uma boa educação financeira, ou seja, buscar conhecimento e informação. Deve-se procurar orientação com profissionais especializados. No Brasil, as ações são negociadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Para começar a comprar e vender ações o investidor deve fazer um cadastro em uma corretora. As negociações são feitas pelas corretoras habilitadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários); o investidor não procura diretamente na bolsa. O cadastro na corretora é simples e consiste em uma ficha com informações pessoais. O investidor estará apto a operar no mercado de ações (através da corretora) e já poderá traçar sua estratégia para alcançar seus lucros, sempre com a ajuda de um profissional de mercado.

JC: Quais as estratégias para ter sucesso nesse mercado?

CK: As estratégias são semelhantes para qualquer faixa salarial. Todos podem iniciar suas aplicações com um aporte inicial de R$ 1.000, por exemplo, e mensalmente alocar uma parte do capital que conseguir economizar. Isso dependerá da disciplina financeira de cada um. Os investidores conservadores, ou seja, aqueles que têm total aversão ao risco, devem alocar seus recursos na renda fixa. Uma boa pedida é comprar títulos do governo através do Tesouro Direto (programa de compra e venda de títulos públicos para pessoas físicas e, na prática, consiste na oferta de títulos públicos de renda fixa para pessoas físicas). Os investidores moderados podem destinar parte de seus recursos para a renda variável (bolsa de valores). Porém, a maior parte do capital deve permanecer na renda fixa. Já os investidores agressivos ou arrojados devem buscar a renda variável (ações) e reservar uma pequena parte de seus recursos na renda fixa.

JC: Qual o investimento mais indicado para quem espera retorno em um ano e sem riscos de perder tudo o que aplicou?

CK: Um ano é um prazo curto para investir na renda variável. Por exemplo, quem aplicou na Bolsa de Valores no ano de 2008 amargou uma perda média de 40%. Em compensação, quem passou o ano de 2009 aplicando na bolsa brasileira ganhou mais de 80%. Em relação a perdas no curto prazo, na Bolsa de Valores para se perder tudo o que foi aplicado, só se a empresa quebrar. Por exemplo, se você comprar ações como Petrobras, Vale, Banco do Brasil ou qualquer outra empresa sólida, só haverá perda total se alguma dessas empresas falir. As aplicações em ações são de longo prazo, deve-se apostar no desempenho das empresas e nos fundamentos econômicos do país.

JC: De que forma o investidor não corre riscos aplicando em um espaço de tempo curto como 12 meses?

CK: Para quem não quer correr riscos em um prazo tão curto o melhor é ficar na renda fixa. Pode ser o Tesouro Direto, um fundo de renda fixa ou fundo DI, desde que a taxa de administração seja de no máximo 1% ao ano. Normalmente, essas taxas de administração mais baixas são oferecidas a aplicações de valores maiores, daí a dificuldade do pequeno investidor. Em compensação, no Tesouro Direto o pequeno investidor pode comprar títulos do governo com pequenas quantias a custos mais baixos do que os bancos cobram.

JC: Qual o melhor investimento para as pessoas com cinco ou seis anos de prazo para lucro sem receio de aplicações de risco e interessados em ganhar muito, mesmo que tenham que perder um pouco?

CK: Sem dúvida é a renda variável. Enquanto em 2008 as aplicações típicas de retorno em um ano perderam 40% do valor, isso foi compensado com ganho de 80% em 2009. E nos últimos cinco anos a Bovespa rendeu 164%. Quanto maior o prazo, maior a chance de diluir o risco e aumentar a rentabilidade. Para investidores mais agressivos, existem operações seguidoras de tendências que utilizam indicadores técnicos que sinalizam quando comprar e vender uma ação.

JC: Qual o procedimento da Invista para atender clientes totalmente leigos quando o assunto é investir no mercado de ações?

CK: Um dos objetivos da Invista Investimentos é contribuir para a formação de investidores conscientes e qualificados através de seu programa de educação financeira. Os treinamentos da Invista foram criados pensando no investidor local, sendo uma alternativa simples e sem custo para prepará-lo para atuar com sucesso em mercados altamente competitivos. Atualmente oferecemos diversas palestras que incluem temas básicos, intermediários e avançados. Há mais de um ano atuamos na educação de investidores na cidade de Manaus e cerca de 2.000 pessoas já compareceram nos eventos realizados na Sala de Educação Financeira da Invista e em palestras in company.

JC: Destinar os recursos financeiros excedentes em uma única espécie de aplicação é correto?

CK: Quando investimos de­ve­mos balancear todos os tipos de investimentos. Recomendamos que nossos clientes tenham diversas aplicações em ações, títulos públicos federais e em fundos de investimentos. Procure sempre uma corretora antes de tomar decisões sobre o investimento mais indicado para seu perfil e nunca pare de adquirir conhecimentos sobre o assunto. Devemos lembrar que no mercado de renda variável, ações são investimentos de risco, porém, é na Bolsa de Valores que se atinge maiores rentabilidades. Não entre em uma operação sem saber os riscos envolvidos e os potencias de ganho e de perda e deixe os profissionais trabalharem por você.

JC: Qual o recado para quem está lendo esta entrevista e ficou interessado em colocar seus rendimentos em uma corretora de ações?

CK: A maioria dos investidores se deixa seduzir pela promessa de ganhos substanciais de curto prazo, muitas vezes, assumindo riscos desproporcionais as estratégias propostas, indo além de sua capacidade de suportar o risco. A composição da sua carteira não deve ser o resultado de uma série de decisões aleatórias, como indicações de compra feita por um amigo, por exemplo; mas sim, ela deve ser o produto de planejamento deliberado. Antes de montar uma carteira de possíveis investimentos o indivíduo precisa descobrir o seu perfil. Converse sempre com o consultor de sua corretora para definir a melhor estratégia dentro do conjunto de oportunidades para investimento em função do seu perfil. Não há como conseguir retornos maiores se não assumir riscos maiores.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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