Uma gestão democrática à frente da Aleam, seguindo os preceitos constitucionais, sem reeleição. É o que o deputado Josué Neto (PSD) promete para o biênio 2013/2014. Ele quer governar para os servidores, nega planos de se candidatar a deputado federal nas próximas eleições e fala da união PSD/PSDB.
Jornal do Commercio – O senhor esperava ser eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas?
Josué Neto – Não esperávamos, embora tenhamos uma experiência acumulada de oito anos de vida parlamentar. Foram dois anos de vereador na Câmara Municipal de Manaus e seis anos como deputado na Assembleia Legislativa. Esses anos nos ensinaram a olhar com amor e carinho todo mundo e, obviamente, o servidor público. A Aleam tem áreas de esporte e lazer para socializar os seus funcionários; temos departamento médico/odontologico, fisioterapia, enfim são várias especialidades médica à disposição de todos.
JC – Como será a “cara” da Aleam com Josué Neto?
Josué – Nós vamos sempre pregar a democracia. É claro que vamos votar com o Governo do Estado quando suas matérias forem boas, de grande importância para a população amazonense. Quando houver matéria polêmica, seja do Governo, seja dos Tribunais, etc, nosso comportamento será o mesmo. Tenho certeza de que a bancada minoritária terá a sua função e sua participação entendida e assegurada na Assembleia Legislativa.
JC – Pela terceira vez um membro da família Cláudio de Souza é eleito presidente da Aleam. Primeiro foi o saudoso Josué Cláudio de Souza Pai, depois o radialista e hoje Conselheiro de Contas Josué Filho, e agora Josué Neto. O senhor é o terceiro dessa linhagem…
Josué – Vejo isso como algo que não fazia parte dos meus planos. Não foi movida qualquer gestão para que isso acontecesse. Eu defendia a reeleição do deputado Ricardo Nicolau (PSD), mas houve impasse e uma questão de vida partidária onde surgiu o meu nome como terceira via. Vamos fazer agora uma administração moderna, de valorização dos nossos servidores. Vamos dar voz à oposição e trabalhar muito pela melhoria da casa. Sabemos que falta arrumar melhor a casa, a Aleam. A imprensa reclama sempre da internet na casa, mas vamos trabalhar bastante, vamos respeitar a Constituição do Estado e batalhar para corresponder àqueles que apostaram em nossa eleição.
JC – O senhor defendeu a reeleição na Aleam. Como o senhor vai tratar essa questão em 2013?
Josué – Hoje nós temos uma Constituição que proíbe a reeleição. Então, desde já eu quero dizer que, quando terminar meu mandato em 2015 à frente da Assembleia Legislativa, não vamos pleitear reeleição, comigo não haverá reeleição. Não vamos apresentar PEC nem coisa alguma sobre reeleição. É da minha vontade apenas cumprir meu biênio e confio em meus colegas que me apoiarão nisso. Temos certeza de que teremos colegas valorosos que poderão assumir a presidência da casa a partir de fevereiro de 2015. A PEC da reeleição é uma página virada, é um assunto que não é salutar para ninguém.
JC – A sua eleição para o lugar de Ricardo Nicolau foi surpreendente a apenas dois dias antes do pleito. Como foram as articulações?
Josué – O meu partido, que é o PSD, partido do governador Omar Aziz, já havia fechado questão sobre a eleição, e os nomes que estavam no páreo eram os dos deputados Ricardo Nicolau e Marco Antônio Chico Preto. A partir do impasse que se criou entre os grupos pró-Nicolau e Chico Preto, o PSD resolveu apontar o meu nome como solução. Graças a Deus, o partido agiu certo e a bancada se uniu. Foram 21 votos a três.
JC – Há uma grande expectativa dos servidores da Aleam em torno do seu nome. O que o senhor tem a dizer a eles?
Josué – O servidor da Aleam pode esperar um Josué que terá como referência o deputado Belarmino Lins (PMDB), que teve seis anos de mandato, e o deputado Ricardo Nicolau (PSD), que presidiu o Poder nos últimos dois anos. Eu tenho uma experiência adquirida pelo que eu vi do trabalho do deputado Belarmino, muito querido pelos servidores, e pelo que vi de Nicolau, que manteve a tradição de valorizar os servidores. Eles podem ter certeza de que nossa gestão vai melhorar a relação da presidência com eles. Não vamos dar nenhum passo para trás, vamos andar para frente com eles.
JC – O senhor vai continuar tocando o pacote de obras do deputado Ricardo Nicolau?
Josué – Sem dúvida, vou tocar sim, até porque nós temos uma missão de continuar o que está dando certo. Vamos construir a passarela, tão reclamada pelos servidores, e facilitar a travessia da avenida Mário Ipiranga (antiga rua Recife) até a Assembleia. E vamos, inclusive, providenciar estudos visando a construção de uma passarela subterrânea. Faremos um estudo técnico para demonstrar a viabilidade de uma obra dessas para aliviar os problemas urbanos de Manaus. Cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo possuem diversas passagens subterrâneas. Obras assim não prejudicam o trânsito, pelo contrário. As passagens subterrâneas também ajudam as pessoas portadoras de deficiência.
JC – O fato de o PSDB fazer parte da mesa diretora que o senhor vai presidir significa a adesão dos tucanos ao governo Omar Aziz e uma aliança do PSD com eles em 2014?
Josué – Nós faremos na Assembleia o que será realidade também na Câmara Municipal de Manaus onde os quatro vereadores do PSD votarão com Bosco Saraiva para presidente daquele Poder. Já existe um sinal concreto de que os dois partidos caminharão juntos na Aleam e na CMM. Por enquanto é só isso. No momento, conversamos com todas as correntes políticas, até com as oposições que trataremos sempre com o maior respeito no Legislativo Estadual. Na mesa da Aleam procurei formar o leque mais democrático possível de partidos e garanto que daremos atenção à oposição.
JC – Comentou-se que o senhor estaria articulando uma candidatura a deputado federal. Esse projeto seguirá em frente em 2014?
Josué – Pelo contrário. Os últimos deputados estaduais que saíram da Assembleia e se elegeram deputados federais foram Humberto Michiles e Lupércio Ramos. No meu caso essa pretensão não existe. Eu estava empenhado em ajudar a reeleger o deputado Ricardo Nicolau na presidência da Aleam e não havia plano B. No momento não tenho nenhuma outra pretensão, senão a de administrar bem a nossa Assembleia Legislativa.







