Para o deputado estadual Wilson Lisboa (PCdoB), o problema da saúde e da falta de médicos no interior do Estado é pior do que o governador Omar Aziz (PSD) descreveu quando da leitura de sua mensagem anual na Assembleia Legislativa, na última terça-feira (5). “Na verdade, indo além do que disse o governador, não morre uma Santa Maria de pessoas por dia em nosso Estado. Morrem também um Menino Jesus e um São José diariamente”, desabafou o deputado ao Jornal do Commercio, fazendo uma analogia com a recente tragédia que resultou na morte de mais de 280 pessoas na cidade gaúcha de Santa Maria. “Morrem dezenas e dezenas de adultos, jovens e crianças, por falta de assistência médica, todos os dias”, apontou.
De acordo com Lisboa, o CRM (Conselho Regional de Medicina) é responsável pelos maiores problemas que emperram a fixação de profissionais médicos no interior. “Hoje, temos uma carência de 250 médicos nas cidades interioranas e o CRM tem a sua parcela de culpa nisso tudo, o CRM tem que ter boa vontade, tem que sair da mesmice e entender que médico no mercado não é uma questão de concorrência, mas de boa vontade política. O CRM deve parar com a mesmice da sua burocracia e entrar em acordo com a UEA e o Governo do Estado para poder suprir as necessidades dos municípios com médicos que querem trabalhar no interior e o Conselho não deixa”.
Para enfrentar o problema, o parlamentar encaminhará em breve projeto de lei ao plenário da Aleam com o objetivo de facilitar aos profissionais que cursam Medicina no exterior a regularização de seus diplomas em dois anos, seguindo os exemplos de Estados como Acre e Ceará. “Hoje há uma legião de estudantes de Medicina, centenas de profissionais, fazendo cursos no exterior e que querem trabalhar no Amazonas, mas têm problemas com relação aos diplomas”, diz.
Com a aprovação do seu projeto na Aleam, esse problema seria solucionado, garante Lisboa. “A regularização dos diplomas ocorrerá em dois anos. O profissional se credenciará na Universidade, que vai avaliar o currículo do cidadão para ver se as grades curriculares são iguais. Aqueles currículos que não baterem, a Universidade mandará os profissionais corrigirem as falhas, fazerem cursos complementares que poderão acontecer na própria UEA ou nos hospitais. Temos gente estudando em Cuba, nos EUA, na Bolívia e na Argentina. Uma vez revalidado o diploma do profissional, ele teria mais três anos de compensação no município onde trabalhou, perfazendo um total de cinco anos”, detalha.
SUSAM
Segundo Wilson Lisboa, a SUSAM (Secretaria de Estado da Saúde) luta com sérias dificuldades lojísticas para atender as demandas do interior, o que contribui para o agravamento dos problemas da saúde na maioria das cidades. “Se hoje um idoso enfarta ou sofre um AVC no interior, o serviço aeromédico só sai de Manaus se houver leito disponível em determinado hospital. Do contrário, o coitado fica lá entregue à própria sorte, por conta dos serviços de urgência e emergência que sempre ocupam os leitos nas unidades de saúde da capital, e aí o cara fica lá e morre”.
O projeto do parlamentar oferece solução também para esse tipo de problema. “O nosso projeto contempla leitos e médicos especialistas para que a lojística da SUSAM quanto ao interior seja cumprida à risca. Temos que ter cota de leitos e de UTI para a população interiorana, temos que ter médico que faça o primeiro atendimento. É preciso que no interior existam as especialidades básicas: ginecologia e obstetrícia, pediatria, clínica geral e cirurgia”, destaca ele.







