Considerado um dos maiores conhecedores do interior do Estado do Amazonas e alçado ao cargo de vice-governador do Estado em 2010, José Melo de Oliveira é natural do município de Eirunepé. Economista e professor é formado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Foi eleito deputado federal duas vezes, em 1994 e em 1998. Em 2002, foi eleito Deputado Estadual.
Nos anos de 2005 e 2006, foi presidente da SNPH (Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Amazonas). Em 2006, assumiu a Segov (Secretaria de Governo do Amazonas), que comandou até abril de 2010, saindo para concorrer à vaga de vice-governador.
Em visita ao Jornal do Commercio o professor José Melo, falou sobre questões importantes para o estado, conhecido por sua aproximação com os municípios do interior, ele assegurou que o Estado investirá efetivamente na resolução dos principais gargalos apresentados pelos 61 municípios do Amazonas. Estão na mira do governo os setores de telefonia, saúde, segurança e infraestrutura. O vice-governador também assegurou para o segundo semestre do ano a entrega da ponte sobre o Rio Negro.
“A ponte está praticamente pronta, estive lá recentemente e eles estavam fazendo a última conexão necessária para a ligação até Iranduba, na próxima semana já será possível percorrer todo o trajeto (não aberto ao público)”.
Jornal do Commercio – O senhor sempre desempenhou o papel de interlocutor das necessidades do interior junto ao governo do Estado. Essa relação mudou com sua ida para o cargo de vice-governador?
José Melo – Divido essa tarefa com o Drº George Tarso, que é o secretário de governo. Mas continuo acompanhando as necessidades do interior, pois lá estão os maiores gargalos do Estado.
JC – Quais seriam esses gargalos?
Melo – Devemos levar em consideração as problemáticas naturais do Amazonas que possui tamanho continental. Temos problemas com telefonia, saúde, segurança e infraestrutura. Todos esses pontos fazem parte das prioridades do governo, entretanto estamos focados na questão da saúde. Hoje quem mora em Manaus encontra de maneira fácil um posto de atendimento, mas para quem mora em comunidades distantes da capital, isso é uma problemática que pode ser fatal.
Nossa tarefa é corrigir essa realidade. Recentemente o Barco Pai (Pronto Atendimento Itinerante) foi inaugurado, e agora percorre com diversos atendimentos lugares quase inacessíveis. Outro fator que nos preocupa é o da segurança pública, sobretudo com o avanço do trafego de drogas por conta das grandes áreas de fronteiras.
A infraestrutura de um modo geral também requer atenção. Municípios que estão localizados à beira de grandes rios não disponibilizam água encanada para seus moradores, a falta de ruas asfaltadas também fazem parte do grupo de questões á serem resolvidos, ruas organizadas contribuem para o aumento da qualidade de vida da população.
JC – A responsabilidade sobre a saúde é dividida com o governo federal e municipal. Essa divisão tem dado resultados positivos?
Melo – O governo federal hierarquizou o setor em alta complexidade, média e atenção baixa. Essa última é de responsabilidade do município, contudo, os municípios não possuem estrutura e médicos, enfermeiros e muitas vezes não dispõem de estruturas físicas apropriadas. Esse fato sobrecarrega os hospitais administrados pelo Estado, que muitas vezes atendem situações ambulatoriais.
Estamos elaborando juntamente com a associação dos municípios um termo de ajustamento de conduta, para que em uma ação conjunta possamos realizar nos municípios a melhoria dos serviços.
Passamos por uma situação ingrata, o Estado atende uma pessoa que necessita de atenção baixa e não recebe nada por isso. Agora se esse mesmo caso acontece no município ele é remunerado pelo serviço, então é necessário que aconteça esse ajuste.
O governador tem procurado atender também as necessidades das mulheres do interior. Foram comprados mamógrafos para a sede de cada município, o objetivo é a redução da incidência do câncer nas mulheres e homens.
JC – Com pouco mais de 100 dias de governo, o que pode ser comemorado? Quais os maiores desafios?
Melo – Existem muitos aspectos em avanço, segurança, saúde, mobilidade urbana. A educação trilha um caminho maravilho. O Amazonas foi o Estado que mais progrediu na educação nos últimos dez anos. Temos um brilhante secretário o professor Gedeão Amorim, o governador vê a questão como prioritária.
Adotamos projetos que viabilizam estudo de qualidade para crianças, jovens e adolescentes, além de disponibilizarmos projetos voltados para os mestres, que hoje possuem capacitação através das mídias.
Tivemos três desafios no início do ano que estamos conseguindo equacionar. O primeiro foi o da segurança pública, que com a realização do concurso para a entrada de 2.500 homens e a implantação do ronda nos bairros dará um salto importante. O segundo foi a questão social, o governador criou uma secretaria destinada para os portadores de necessidades especiais, a ideia é minimizar o sofrimento dos excepcionais. O último foi o desafio da geração de novos empregos.
JC – O resultado do Censo 2010 apresentou significativo Êxodo nas zonas rurais do Amazonas. Alguns parlamentares de oposição na Ale-am (Assembleia Legislativa do Amazonas), atribuem o fato a falta de investimentos e a implantação de programas frágeis (Terceiro Ciclo, Zona Franca Verde) voltados para o setor primário. O senhor concorda?
Melo – Acredito que as pessoas precisam estudar com mais afinco o assunto. Tivemos dois momentos no Amazonas, com a instalação da Zona Franca de Manaus, tivemos um grande êxodo vindo do interior, por isso o governo criou junto com alguns órgão como Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), Idam, Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural) alguns artifícios para chamar novamente essa população para seus lugares de origem. Isso deu muito certo, hoje existem pessoas que conseguiram estabilizar sua vida e estão trabalhando junto com suas famílias. Esses caboclos migraram sim, mas das comunidades para as sedes municipais.
Em Manaus essa migração é feita em especial por pessoas vindas de outros Estados, em principal do Pará, Ceará, Maranhão. E a vinda delas representa o quanto nossa economia é pujante. Quem possui o mínimo de qualificação profissional consegue manter uma vida digna em Manaus.
Se eles realizassem um estudo profundo sobre o assunto veriam que essa é uma variável simplista. Ao inverso disse deveriam fazer sugestões para a melhoria das ações do governo, estamos prontos para recebê-las.
JC – Existem inúmeras expectativas com relação a duas grandes obras na capital. A primeira é sobre a finalização das obras da ponte sobre o Rio Negro, a segunda diz respeito a escolha do monotrilho como sistema de transporte coletivo visando os jogos de 2014. Essas obras já possuem data marcada para inauguração?
Melo – A ponte está praticamente pronta, estive lá recentemente e eles estavam fazendo a última conexão necessária para a ligação até Iranduba, na próxima semana já será possível percorrer todo o trajeto (não aberto ao público). A empresa que ganhou a licitação para o fornecimento das defensas já está produzindo o material. Na última terça 26, três empresas apresentaram proposta para a licitação destinada à iluminação, ainda essa semana saberemos quem será a escolhida. Em agosto ao setembro estaremos inaugurando a ponte sobre o Rio Negro, que é fundamental para a abertura de um novo horizonte econômico no Amazonas.
O monotrilho foi escolhido por seu histórico de sucesso nas cidades que já adotaram o sistema. Além de ser mais barato no quesito desapropriação, ele é essencial para a mobilidade urbana não só para o período da cota, mas como um legado para o Estado.
JC – As obras do prosamim estão caminhando timidamente, o projeto está nos planos do governo estadual em 2011?
Melo – Começamos a governar de forma efetiva em 1º de janeiro. Começaremos a agir de verdade nos meses de verão não só na capital, mas também nos projetos voltados para o interior. O prosamim 2 já foi aprovado, apresentaremos dez projetos para os dez municípios mais importantes do Estado, os meses iniciais do ano são historicamente complicados para o trabalho em obras por conta das chuvas.
JC – As ações realizadas em conjunto pela prefeitura vão continuar?
Melo – Sim. Uma ação importante que acabamos de desenvolver foi a de combate a Dengue. E isso salvou o Estado de uma epidemia ainda maior, gastamos R$ 60 milhões na ação. Estamos sempre dispostos a trabalhar dessa forma, acredito que vai de encontro aos anseios da população.
JC – O governador Omar Aziz será o líder do PSD no Amazonas. O senhor pretende acompanhá-lo na empreitada?
Melo – Sou PMDB e não pretendo mudar de partido. A ida de Omar para o PSD, é importante para a criação de uma coligação forte no Estado. Ele vem de um partido com pouca representatividade, e isso era um fator um tanto negativo, o PSD será um partido que contribuirá ara o desenvolvimento do Estado, mas não pretendo sair do PMDB.







