A importante arte eletrônica que limpa o nosso mundo

Em: 17 de julho de 2019
Peças de eletroeletrônicos antes lixo, agora estão sendo transformadas em peças de arte
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Peças de eletroeletrônicos antes lixo, agora estão sendo transformadas em peças de arte

Desde que os aparelhos eletrônicos se tornaram descartáveis, principalmente a partir da década de 1980, esse lixo eletrônico se tornou um crescente problema para o planeta. Televisores, computadores, impressoras, celulares e baterias, além de câmeras fotográficas encabeçam a lista das 40 milhões de toneladas desse lixo (segundo dados do Pnuma – Programa da ONU para o Meio Ambiente) geradas no mundo anualmente. O artista plástico parintinense Denizal Melo consegue dar um destino mais útil a ao menos quatro toneladas/ano de lixo eletrônico.

“Em 2012 trabalhava como motorista numa empresa de informática e via aquele monte de computadores que eram descartados, sem mais nenhuma utilidade. Um dia, peguei umas bobinas e fiz uma motocicleta”, lembrou.

“Naquele mesmo ano comecei a fazer um curso de eletrônica e montei uma oficina em casa. Ao mesmo tempo que consertava os aparelhos, fazia outras motocicletas com as peças dos aparelhos que não tinham conserto. Minha esposa falou que eu devia vendê-las, mas para mim aquilo não passava de brinquedos, até que comecei a anunciar na internet, e surgiram os primeiros interessados em comprá-las”, disse.

“Em 2013 já estava empolgado com as vendas das motos. Eu ganhava mais dinheiro com elas do que consertando aparelhos”, falou.

Nos anos seguintes Denizal começou a pedir doação de aparelhos para ter matéria-prima e produzir suas peças, não mais somente motos, mas carros, tanques de guerra, helicópteros, aviões e o que não dava para utilizar, ele fazia uma triagem. Restavam plástico, placas, cabos, conectores, baterias, alumínio, cobre, tudo revendido para empresas recicladoras.

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“Como eu peso todo o material que utilizo, já contabilizei 30 toneladas de lixo eletrônico reciclados nestes sete anos de trabalho”, revelou.

“Já produzi mais de 1.840 peças, dos mais variados tamanhos, todas devidamente fotografadas e catalogadas”, completou.

Os compradores são turistas

Entre as centenas de artesãos existentes no Amazonas, Denizal descobriu ser ele o único a produzir a chamada arte eletrônica mas, pesquisando na internet, tomou conhecimento que existem vários outros artistas trabalhando com esse tipo de lixo pelo Brasil.

“Em 2015 recebi a visita do artista plástico Gilberto Vieira Mendes. Ele ficou sabendo a meu respeito através das redes sociais e veio a Manaus me conhecer. Gilberto é de São José dos Campos, em São Paulo, criador do projeto Arte Reciclável, cujos objetivos são desenvolver a capacidade criativa das pessoas, a educação ambiental, a inclusão e o desenvolvimento social”, explicou.

“Gilberto disse que se eu quisesse aparecer com minha arte, deveria fazer projetos, como o dele. Então criei o projeto Sucatrônica, para ensinar arte eletrônica para crianças e adolescentes. Atualmente dou aulas no Centro Educacional Amazônia, mas estou aberto ao convite de outras escolas”, destacou.

Em 2016, depois de participar da Virada Sustentável ocupando um espaço no Shopping Sumaúma, Denizal foi convidado pela direção do mall a ocupar uma das lojas expondo seus trabalhos. Desde então, junto com outros artesãos, ele está na loja Espaço Sustentável, inclusive sua esposa Andrea Torres, que começou a produzir biojóias eletrônicas já fazendo tanto sucesso quanto as peças do marido.

“Os maiores compradores de nossas peças são turistas. Os manauaras dizem que as peças são feitas com lixo, e são tóxicas, ou seja, eles ainda não têm cultura para enxergar arte em nosso trabalho”, lamentou.

 

Agora a onda são os robôs

Ano passado, com o apoio do secretário Marco Pessoa, da Semtepi (Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação) e de Virgílio Mello, diretor do departamento de Economia Solidária da Semtepi, através do projeto ‘Manaus feita à mão’, Denizal participou da Fenearte (Feira Nacional de Negócios do Artesanato), em Recife, a maior feira de artesanato da América Latina.

“Este ano novamente ele foi enviado, representando o Amazonas porque sua arte é única”, falou Virgílio.

“Ano passado levei 30 peças e vendi todas. Este ano levei 40, e também vendi todas. Participei de um concurso, que eles realizam na Feira, para eleger a melhor peça, e a minha ficou em quarto lugar, uma moto feita com três celulares”, informou.

Motos à parte, agora Denizal está produzindo robôs. Na loja do Sumaúma um deles fica à porta e faz muito sucesso, principalmente entre as crianças, pois tem muitas luzes e uma espada.

“Estou fazendo o maior robô até agora. Mede 1m70 e fala, mexe a cabeça e os braços. Meu objetivo é tornar esses robôs cada vez mais cheios de movimentos”, adiantou.

“No próximo dia 22 vou dar uma palestra sobre a arte eletrônica no colégio La Salle. Estou aberto ao convite de outras escolas. Se cada vez mais surgir pessoas interessadas em produzir este tipo de arte, podemos até não conseguir acabar com o lixo eletrônico do planeta, mas vamos ter uma importante parcela na redução dele”, garantiu.          

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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