A indústria de bicicletas do PIM voltou a acelerar em fevereiro. As fabricantes entregaram 63.712 unidades, resultado 3,7% superior ao de janeiro (61.437), apesar da quantidade menor de dias úteis. Em relação a fevereiro do ano passado (50.078), quando o Polo Industrial de Manaus ainda convivia com as dificuldades impostas pela segunda onda, o incremento foi de 13,6%. As montadoras produziram 125.149 bicicletas no acumulado do ano, gerando alta de 10,7%, no melhor resultado para o bimestre desde 2013 (127.028).
É o que revelam os dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), divulgados nesta terça (15). A mesma base de dados mostra retração de dois dígitos na emergente categoria elétrica, e uma nova desaceleração nas exportações. A despeito da persistência da crise de abastecimento de insumos, a entidade avalia que a indústria segue em trajetória de recuperação e que o mercado segue demandante.
Em torno de 50% das partes e peças de uma bicicleta são importados, a exemplo de sistemas de freios, transmissões, suspensões e selins. Mas, a expectativa é que o subsetor continue retomando gradativamente o ritmo de produção, já que os fabricantes elaboraram um plano de ação, que abrange toda a cadeia logística, para suprir as linhas de produção nos próximos meses. Diante disso, a Abraciclo manteve suas projeções de encerrar o ano com expansão de 17,4% na produção, totalizando 880.000 unidades.
“A indústria de bicicletas está retomando o ritmo de crescimento do período pré-pandemia, graças a um planejamento bem elaborado para manter o abastecimento de peças e componentes nas linhas de produção. Estudamos bem toda a cadeia logística para minimizarmos a falta de insumos. Com essa estratégia, estamos retomando a capacidade de produção das fábricas e, aos poucos, vamos equilibrar a oferta e a demanda por bicicletas”, destacou o vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, em texto distribuído por sua assessoria de imprensa.
Guerra e pandemia
O dirigente não fez nenhum comentário sobre possíveis impactos na projeção da manufatura, em razão da guerra na Ucrânia –que já produziu um novo choque do petróleo e efeito quase que imediato nas bombas de combustíveis. Em divulgação do dia anterior, ao falar das expectativas de produção de motocicletas, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, assinalou que a entidade está atenta “em relação às instabilidades globais e suas consequências econômicas, que podem afetar os fluxos logísticos, o fornecimento de insumos e a produção de motocicletas”.
Também não mencionou a melhora do cenário na pandemia, com a gradual queda nas estatísticas locais da doença. No mês passado, Cyro Gazola apontou que um dos maiores desafios era o impacto da ômicron. A disseminação da nova variante gerou afastamento massivo de colaboradores, e consequente quebra de ritmo de atividade nas linhas de produção da indústria incentivada da capital amazonense, em janeiro. Em fevereiro, contudo, os números voltaram a declinar e a produção, subir.
O vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo vê na conjuntura atual –que inclui aumento de limitação de renda em virtude das altas da inflação, dos juros e do endividamento –um cenário favorável para a continuidade do crescimento. “O brasileiro descobre, cada vez mais, as vantagens da bicicleta. Antes, ela era apenas uma opção de lazer. Hoje, pedalar representa uma alternativa de transporte seguro e de uma vida mais saudável. Além disso, a bicicleta também passou a ser instrumento de trabalho para os profissionais, que atuam nos serviços de logística e entrega”, enfatizou.
Desabastecimento e ociosidade
Em contraste, o presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Nelson Azevedo, salienta à reportagem do Jornal do Commercio que as fábricas do PIM ainda “sofrem muito” com a crise de abastecimento de insumos. Segundo o dirigente, alguns fabricantes do polo de duas rodas estariam reduzindo ou até fazendo paradas periódicas na produção. Azevedo, que também é vice-presidente da Fieam, acrescenta que isso gerou um baque nos componentistas locais, que trabalham hoje com 40% a 60% de sua capacidade instalada.
“Temos uma inflação altíssima em ferro e aço, mas o maior problema é a falta de componentes, principalmente eletrônicos. Com o aumento da ociosidade, os pedidos também diminuem e muitos fabricantes de bens intermediários estão superestocados de outras partes e peças. Felizmente não temos notícias de dispensa de funcionários, pois as empresas estão fazendo seu planejamento para manter seus colaboradores. Os impactos econômicos da guerra na Ucrânia devem gerar problemas maiores no mercado, temos de esperar para ver. Mas, ainda acredito que teremos crescimento neste ano”, ponderou.
MTB e Elétrica
Com 38.584 unidades fabricadas e sendo responsável por 60,6% do volume total, a MTB (Mountain Bike) liderou o ranking das categorias de bicicletas mais produzidas pelo PIM, ao avançar 30,5% sobre fevereiro de 2021(29.573), embora tenha derrapado 0,3% ante o dado do mês anterior (38.702). Com fatia de 34,1%, a categoria Urbana/Lazer (21.718) teve altas respectivas de 24,3% e 32,6%. Na sequência está a Infanto-Juvenil (1.900 unidades e 3% de participação), com decréscimos de 72,8% e 38,9%, na ordem.
“A Mountain Bike é a categoria preferida dos brasileiros por permitir ao ciclista pedalar no asfalto da cidade ou em pisos irregulares. É uma bicicleta equipada com suspensões e maior número de marchas, entre outros itens que garantem mais desempenho e conforto”, comemorou Gazola.
O segmento que vinha apresentando as maiores taxas de crescimento nos meses anteriores, sofreu derrapagem. A maior retração entre janeiro (1.491) e fevereiro (612) veio das Elétricas, uma diferença de 59% (1.491). Com participação de 1% da produção de bicicletas no PIM, a categoria ainda sofreu um tombo de 57,4% ante o dado de 12 meses atrás (1.436) –período ainda marcado pelos efeitos econômicos da segunda onda em Manaus.
Exportações balançam
O segmento voltou a ter números nas vendas externas contabilizadas no segundo mês do ano, apesar de experimentar nova desaceleração. A Abraciclo informa que o PIM exportou 1.945 bicicletas, o que equivale a uma redução de 8,5% na comparação com janeiro de 2022 (2.126) e a uma elevação de 9,1% em relação ao mesmo mês do ano passado (1.782). De acordo com dados do portal de comércio exterior Comex Stat, os principais destinos foram Paraguai (1.512 unidades e 77,7%) e Bolívia (430 bicicletas e 22,1%).
No bimestre, entretanto, o volume de vendas externas mais que dobrou. Foram exportadas 4.071 bicicletas, o que corresponde a uma alta de 128,3% na comparação com o mesmo período do ano passado (1.783 unidades). Paraguai (3.277 e 80,5%) e Bolívia (430 e 10,6%) também protagonizaram essa lista, sendo seguidos pelo Uruguai (220 e 5,4%).
Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente-executivo do Centro Internacional de Negócios da Fieam, Marcelo Lima, lembrou que os países que adquirem os produtos do polo de duas rodas do PIM compravam similares mais baratos da China, mas optaram pelos manufaturados da indústria incentivada de Manaus, em razão da melhor qualidade e da oferta de assistência técnica.







