Acesso ao crédito faz disparar mercado imobiliário na cidade

Em: 8 de junho de 2009
Com acesso ao crédito garantido a partir de programas habitacionais federais, a população amazonense das classes C e D se tornou um dos alvos preferidos das construtoras
Com acesso ao crédito garantido a partir de programas habitacionais federais, a população amazonense das classes C e D se tornou um dos alvos preferidos das construtoras

Com acesso ao crédito garantido a partir de programas habitacionais federais, a população amazonense das classes C e D se tornou um dos alvos preferidos das construtoras, o que levou especialistas a afirmarem que o segmento de imóveis econômicos e su­p­­er-econômicos será o grande responsável pelo crescimento do setor da construção civil no Estado em 2009.
No entendimento do engenheiro e diretor da Civilcorp, Arnaldo Pereira, a aposta nas classes mais carentes é tão grande que muitas empresas estão mudando o foco de produção para atender à demanda da chamada nova classe média.
Segundo o especialista, o segmento é tão promissor que pode sustentar o mercado nos próximos quatro anos a despeito do atual momento de instabilidade financeira.
“Mesmo com o boom da construção civil ocorrido nos dois últimos anos, somente as vendas de empreendimentos populares tem segurado os negócios. Esse era um nicho em que havia demanda reprimida, agora em franca expansão com os investimentos para a Copa do Mundo”, explicou.
Segundo Pereira, os empreendimentos populares são um grande nicho de mercado que tem crescido nos últimos anos, por conta do amadurecimento econômico, do aumento do emprego e da renda da população, além das facilidades na obtenção de crédito.
“Programas habitacionais como o ‘Minha Casa, Minha Vida’ são essenciais tanto para que, no próximo quadriênio, possamos assistir a uma série de fatos preponderantes na inserção das classes carentes por habitação, quanto para a evolução dos negócios na capital”, completou.
A opinião do executivo tem fundamento, já que, segundo o sócio-diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, todo ano surgem no país 1,2 milhões de novas famílias, 80% delas nas classes C, D e E. Em entrevista ao Jornal do Commercio, o especialista apontou que, nos próximos dez anos, essas novas famílias da base da pirâmide constituirão a grande demanda do setor imobiliário, tendência seguida na capital amazonense.
“Compreender o universo desse novo consumidor e entender que o setor imobiliário precisa deixar de ser elitista é vital para construtoras e imobiliárias. Embora apenas 16,3% dos brasileiros morem em habitações alugadas, dados comprovam que 54% dos brasileiros têm na casa própria o maior sonho de suas vidas”, afirmou.

Modelo dá impulso

O engenheiro e diretor da Construtora Capital, Pauderley Avelino, concordou que a modalidade impulsionará o setor da construção civil este ano, por conta da demanda reprimida de muitos anos, mas lembrou da necessidade de o empresariado local ficar atento e, junto com o governo, lutar para preservar o que já foi conquistado, especialmente entre as classes C e D.
“Os pilares de sustentação de nosso ciclo virtuoso chama-se emprego e renda. Se o comprador não tiver recursos e crédito, o mercado fatalmente vai despencar”, alertou.

Riscos no investimento

Avelino pontuou ainda os riscos que as empresas do setor podem ter com a disposição em investir nesse segmento, entre os quais a inadimplência e uma possível inflação na indústria da construção como um todo. “Realmente, a inflação é um grande desafio, mas a indústria só investe onde há consumo e tem investido para atender esse momento no Amazonas. Se os preços aumentarem muito, gerarão inflação, aumento da taxa de juros e impedirão que o setor cresça. É algo que estaria prejudicando o próprio setor”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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