Ações socioambientais em imagens

Em: 13 de abril de 2026
A 2ª edição da ‘Ecoa – Mostra Socioambiental de Cinema de Manaus’ pretende atingir o mesmo sucesso da edição anterior.
Curta 'Uity' (Mãe), que retrata a artesasã e ativista Regina Sateré Mawé.
Curta 'Uity' (Mãe), que retrata a artesasã e ativista Regina Sateré Mawé.

Atenção cineasta. Você que deseja mostrar os problemas do mundo, e propor soluções, esta é a hora. Estão abertas as inscrições para a 2ª edição da ‘Ecoa – Mostra Socioambiental de Cinema de Manaus’, evento idealizado pela produtora audiovisual duplofilme e pela organização OCA Amazônia. Os filmes devem levantar discussões relevantes para a pauta socioambiental.

As inscrições gratuitas seguem até 18 de abril, pelo site www.filmfreeway.com/ECOA e a divulgação dos selecionados está programada para o dia 15 de maio.  

“Os filmes da edição passada mostraram que não existe separação entre meio ambiente e vida. O foco está em conflitos concretos, como território, violência e apagamento cultural, com narrativas construídas a partir de dentro, trazendo denúncia, mas também resistência e continuidade”, falou Shalimar Lima, da OCA Amazônia.

“Ampliar o alcance sem perder o enraizamento. A Mostra quer fortalecer a circulação de filmes que nascem dos territórios e garantir que mais pessoas se reconheçam na tela, deslocando o audiovisual dos centros tradicionais e fortalecendo redes locais”, completou Henrique Amud, da duplofilme.

 Imagem do longa documental 'Como matar um rio', de Porto Velho.
Imagem do longa documental ‘Como matar um rio’, de Porto Velho.

Para quem tiver dúvidas sobre qual segmento explorar dentro da temática socioambiental, seguem alguns exemplos: crise climática; economia da floresta e alternativas sustentáveis; conflitos territoriais e direitos humanos; arquitetura e urbanização; águas, rios e territórios hidrográficos; ciência, tecnologia e inovação na Amazônia; educação; povos tradicionais e conhecimentos ancestrais; identidades amazônidas; produção de alimentos; políticas públicas e projetos socioambientais; movimentos sociais de resistência; organizações socioambientais ou de base comunitária; mobilidade urbana; lixo e reciclagem; geologia; arqueologia; fauna e flora amazônica.

 

Não é competitivo

Os cineastas devem atentar para algumas regras a fim de que seus trabalhos sejam aceitos pela curadoria da Mostra: os filmes devem ser inéditos e/ou terem tido sua primeira exibição pública a partir de abril de 2024; devem ter, no mínimo, quatro minutos e, no máximo, 90 minutos de duração. Podem ser animação (de ficção e não-ficção), documentário e filme experimental. Filmes de todo o Brasil são bem vindos mas, de acordo com Henrique, produções da Amazônia Legal Brasileira terão prioridade, bem como as que tenham LSE (Legendas para Surdos e Ensurdecidos), pelo compromisso do projeto com a acessibilidade. Filmes de ficção com atores ou que utilizam IA generativa não serão aceitos. A Mostra não é competitiva.

“Não queremos que seja um evento competitivo porque o foco é troca e construção de rede, e não disputa. Queremos valorizar o encontro entre filmes e públicos, sem reproduzir hierarquias comuns do setor”, avisou Shalimar.

Falando em público, Henrique lembrou que “o público da 1ª edição foi diverso e muito envolvido, incluindo estudantes, realizadores e pessoas fora do circuito tradicional. A Mostra virou um espaço de encontro, onde o público não só assiste, mas se reconhece e se posiciona”.

 Foi realizada uma exibição no barco Banzeiro da Esperança, que seguia para a COP 30.
Foi realizada uma exibição no barco Banzeiro da Esperança, que seguia para a COP 30.

Nesta edição serão selecionados até 30 filmes, depois exibidos nos dias 23 e 24 de maio, sábado e domingo, no Teatro Gebes Medeiros, localizado no prédio do Ideal Clube, no Centro. Além da exibição durante os dois dias, parte das obras irão circular por vários espaços de Manaus durante o restante de 2026.

 

Entender melhor o mundo

O projeto da 2ª edição da ‘Ecoa – Mostra Socioambiental de Cinema de Manaus’ foi contemplado no edital da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura), concebido e produzido pela produtora amazonense duplofilme e pela OCA Amazônia, organização de mulheres amazônidas que trabalha com, entre outras coisas, o fortalecimento de comunidades e organizações da sociedade civil, para criar espaço de circulação para filmes que ficam fora dos circuitos comerciais, especialmente produções amazônicas e periféricas, democratizando o acesso ao audiovisual e fortalecendo vozes locais.

O evento foi idealizado pela produtora audiovisual duplofilme e pela organização OCA Amazônia.
O evento foi idealizado pela produtora audiovisual duplofilme e pela organização OCA Amazônia.

 

“Sim, a Mostra ajuda as pessoas a entender melhor o mundo em que vivemos porque o cinema, quando parte dos territórios, permite que as pessoas se vejam, reflitam e reconheçam suas próprias realidades, abrindo espaço para imaginar outros caminhos possíveis”, afirmou Shalimar.

“Depois do sucesso da primeira edição, produzida de forma totalmente independente por nós da duplofilme, eu, Ricardo Manjaro e Àlex Jansen; e pelas gestoras de projetos socioambientais Shalimar Lima, Lorena Jezini, Aline Salignac e Eva Duarta, da OCA Amazônia, seguimos na empreitada de reforçar o cinema como instrumento de mobilização e resistência coletiva”, concluiu Henrique.

 

 

1ª edição, em 2025

Realizada em abril de 2025, a 1ª edição da Mostra recebeu 110 inscrições de todas as regiões do Brasil, resultando na seleção de 14 curtas e um longa-metragem. Após a Mostra, foram realizadas exibições na Vila de Paricatuba, na Bienal das Amazônias sobre as Águas, no barco Banzeiro da Esperança (que saiu de Manaus rumo à COP 30, em Belém), e no FIINSA (durante a COP 30).

 

 

 

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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