Tendo reduzido sua produção em nada menos do que 20% entre o auge alcançado em setembro e o mês final de 2008, a indústria brasileira deve ter registrado resultados melhores na pesquisa industrial que o IBGE divulgou na última sexta-feira correspondente ao mês de janeiro. Para alguns, isso será considerado um sinal de que “o pior passou” e que a economia, que certamente teve um recuo em seu PIB no último trimestre do ano passado em função da crise industrial, se encontra de novo pronta para voltar a crescer.
Será esta a senha para que as políticas econômicas que o governo vem tomando para combater os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira e que vêm se revelando tímidas nas áreas de juros e crédito, sejam parcial ou inteiramente interrompidas.
Dois indicadores referentes ao maior centro econômico do país, São Paulo, alimentam a expectativa de um positivo balanço da produção industrial para o primeiro mês do ano:
a) A projeção da FGV/Eletropaulo é de um aumento de 5,7% frente a dezembro na série com ajuste sazonal, após três quedas consecutivas que resultaram em resultado negativo total de 19,2%;
b) O Indicador de Nível de Atividade, o INA, calculado pela Fiesp e que também vinha de três meses de redução (-1,1% em outubro; -5,4% em novembro e -13,1% em dezembro), teve expansão de 6,2% em janeiro frente ao mês anterior com dados ajustados. Todavia, comparado ao mesmo mês do ano anterior, o INA, teve queda de 15,7%.
É importante indagar se o melhor resultado projetado para janeiro reflete um início de recuperação ou simplesmente consiste em um ajuste de produção da indústria brasileira.
Como se sabe, desde setembro, o aprofundamento da crise internacional afetou de maneira muito adversa o comércio exterior brasileiro, a evolução do crédito doméstico e as expectativas de nossos consumidores e empresários, determinando um significativo e imediato recuo das exportações, do consumo e do investimento privado. O processo se revestiu de tamanha intensidade que certamente todas as empresas de qualquer segmento industrial em pouco tempo passaram a sentir diretamente os seus efeitos, o que as levou a redefinirem seus planos de produção.
Diante das dificuldades de avaliação da intensidade da queda dos mercados e do próprio risco agora muito maior de subestimativa da retração das vendas, a opção empresarial predominante recaiu por reprogramar a produção pela pior expectativa. Restringir ao máximo a produção também concorreria para reduzir estoques de matérias-primas e produtos intermediários, um fator que aprofundou a queda da produção nos ramos produtores desses bens.
O que está ocorrendo na indústria pode ser interpretado como um ajuste da produção que nos meses mais críticos da crise industrial caiu em alguns casos para além da retração dos mercados. O ajuste é parcial, no sentido de que não recompõe integralmente a produção anterior à crise, o que somente será possível com a restauração da demanda aos seus níveis pretéritos, uma expectativa que ainda não se apresenta. Sendo assim, a melhora da produção industrial de janeiro não se confunde com um início de recuperação, devendo, pelo menos por enquanto, ser concebida como parte de uma readequação da produção e dos estoques de matérias primas, bens intermediários e bens finais a uma nova demanda que os efeitos da crise tornaram muito menor.
Sintomas de reativação da indústria e da economia seriam mais efetivos se partissem não de meros ajustes dos planos de produção com destaque para certos setores dentre os mais afetados pela crise mundial como é o caso da indústria automobilística, mas de mudanças em variáveis e fatores capazes de contribuir para o aumento das exportações, reativação do crédito doméstico, melhora das expectativas empresariais de longo prazo e das decisões de investimento e interrupção do progresso do desemprego, aliada a uma maior disposição de compra de bens duráveis financiados por parte das famílias.
Até agora em nenhum desses casos foi detectado indício de melhora, pelo contrário. Segundo os últimos dados do Banco Central e do Ministério do Desenvolvimento, em janeiro o crédito e as exportações tiveram o seu pior desempenho desde o início da crise.
Ajuste industrial contribui para a política econômica
Em: 8 de setembro de 2015
Tendo reduzido sua produção em nada menos do que 20% entre o auge alcançado em setembro e o mês final de 2008, a indústria brasileira deve ter registrado resultados melhores na pesquisa industrial que o IBGE divulgou na última sexta-feira
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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