Nessa Páscoa, cerca de 800 trabalhadores devem “ganhar” o chocolate antecipadamente no Amazonas. Em tempos de crise financeira e, consequente demissões, eles fazem parte do grupo que deve compor a mão de obra temporária no Estado. Dados da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) apontam que cerca de 60 mil contratações temporárias devem ser efetuadas no período da Páscoa, a maior parte delas (55,27%) na região Sudeste. Desse bolo, a região Norte fica com 4,02% do total, ou 2.400 vagas, sendo um terço delas surgidas somente no Amazonas.
Os preparativos para a contratação temporária começaram cedo. A indústria de chocolates Bombons Finos da Amazônia, por exemplo, se antecipou ao período e, desde o fim do ano passado, vem recrutando mão de obra. Ela aumentou em 50% o quadro funcional da empresa, antes formado por 40 trabalhadores.
“Contratamos mais vinte pessoas para garantir a demanda da Páscoa e ainda por conta do lançamento da linha Sabores”, informou o gerente industrial Jorge Alberto Silva. A meta da empresa é aumentar, na mesma faixa percentual, a produção de chocolates para o período. “Na última Páscoa, disponibilizamos ao comércio cerca de 200 mil unidades de chocolate. Esse ano, a expectativa é aumentar para 300 mil”, disse o gerente industrial.
Mas, diferente da análise conjuntural nacional, aqui, a maior oferta de vagas temporárias deve concentrar-se no comércio e não na indústria. “A Páscoa não é uma época muito propícia para contratações, ao contrário do Dia das Mães. Entretanto, as oportunidades, mesmo sendo poucas, são, principalmente, para as demonstradoras de ovos de chocolate disponíveis nas redes de supermercados”, justificou o presidente da CDL-M (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ezra Azury Benzion.
Vagas no país
Das vagas previstas para o Sudeste, 32,37% delas deverão ser ocupadas em São Paulo. Em seguida, aparecem Minas Gerais (12,50%), Rio de Janeiro (8,05%) e Espírito Santo (2,35%). Por regiões, o Sul apresenta o segundo maior percentual de vagas a serem ocupadas (20,29%), seguido do Nordeste (12,24%). No Centro-Oeste e no Norte do país, a ocupação de vagas temporárias prevista é de 8,17% e 4,02%, respectivamente.
Do total de 2.400 vagas para a região Norte, 41% delas devem ser oferecidas no Pará. O Amazonas aparece em segundo, seguido por Rondônia (13%), Tocantins (9%) e Amapá (3,2%). Nas últimas posições figuram Acre (3%) e Roraima (2%).
Das 60 mil contratações temporárias projetadas pela Asserttem para a Páscoa, 60% estão distribuídas para a indústria e 40% ao comércio. No ano passado, foram projetadas 54 mil contratações temporárias. “E nós fomos até surpreendidos, porque, na checagem, foram 57 mil contratações”, disse a diretora de comunicação da Asserttem, Jismália Oliveira Alves. Em 2009, o aumento estimado é de 5,87% em comparação a 2008.
Efetivações são em média de até 35% no país
Jismália Alves informou que a média de efetivações das contratações temporárias tem sido, ao longo da história, entre 34% e 35%. Este ano, por conta da crise internacional, a previsão é que apenas 11,25% das vagas abertas para a Páscoa serão efetivadas. “A crise também afetou o nosso setor”.
Em dezembro de 2008, a Asserttem registrou um total de 115 mil vagas temporárias, das quais 28,25% foram efetivadas. “Nós tivemos aí uma diminuição de 10% em relação ao histórico dos últimos anos”, disse Jismália Alves. A queda foi causada pela “dinâmica da economia”, assinalou.
Maior Produção
A produção de ovos de chocolate para a Páscoa de 2009 deve ter um aumento de 4,8%, em comparação com a do ano anterior, chegando a cerca de 24 mil toneladas. Desse total, 21 mil toneladas referem-se a ovos industriais e o restante, à produção artesanal. O faturamento da indústria de ovos de Páscoa deve chegar R$ 828 milhões.
A estimativa foi divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados. A entidade calcula que devem ser produzidos um total de 113 milhões de ovos de Páscoa.
Segundo a associação, os produtos devem ficar em torno de 8% mais caros em relação aos valores de 2008, devido aos índices de inflação registrados este ano e aos aumentos dos preços do cacau, leite, açúcar, da embalagem e mão-de-obra.







