A diferença entre o preço do álcool combustível e gasolina em Manaus está abaixo do percentual de 30 pontos recomendado pelos especialistas, tornando-se mais vantajoso abastecer com gasolina quando o veículo aceita os dois combustíveis. De acordo com os números mais recentes da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) o preço médio do álcool comercializado no período de 29 de novembro a 5 de dezembro foi de R$ 1,904; enquanto o litro da gasolina era vendido por R$ 2,617 –uma diferença de 27,24%. A agência reguladora pesquisou 79 postos em todo o Amazonas.
No interior do Estado, a situação é bem diferente. Como existem apenas três estradas, o acesso a algumas cidades onera bastante o valor do combustível para o consumidor. Em Tefé (a 525 km de distância de Manaus), o preço médio do álcool ficou em R$ 2,300, com pouco mais de cinco centavos de diferença do litro da gasolina (R$ 2,948). A pesquisa da ANP é realizada semanalmente e o município não apresentou variação no preço médio de ambos os combustíveis no período de 22 a 28 de novembro.
Segundo o gerente de negócios da Ticket Car, Marcelo Nogueira, a logística de distribuição dos combustíveis tradicionalmente encarece o produto vendido nos estados distantes dos centros produtores. “A região Norte é a que mais sofre com isso, já que não existem áreas para plantações de cana-de-açúcar na Amazônia, por exemplo. Não há como produzir combustível suficiente”, argumentou Nogueira. A Ticket Car gerencia sistemas de crédito para abastecimento de frotas particulares e realiza periodicamente pesquisas sobre o setor.
A assessoria de comunicação da Reman (Refinaria de Manaus), unidade da Petrobras na capital amazonense, informou que o Amazonas produz apenas 30% da gasolina consumida e compra o restante do Rio de Janeiro.
Barato sai caro
Nogueira destacou ainda que os motoristas com veículos flex – movidos à gasolina e álcool – podem optar pelo combustível mais barato, geralmente o derivado de cana-de-açúcar, só quando a diferença é superior a 30%. “Apesar de ser mais barato, o álcool é consumido mais rápido. Por isso, é necessário sempre calcular a diferença de preço antes de abastecer, para o barato não sair caro”, completou.
As estatísticas da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos) mostram que, no período de janeiro a outubro deste ano, 2,1 milhões de carros de passeio deixaram as concessionárias de veículos, frente a 244 mil veículos comerciais leves.
Mercado de etanol
De toda a cana-de-açúcar processada no Brasil na primeira quinzena de novembro, 56,55% foram destinadas à produção de etanol, contabilizando a produção de 1,2 bilhão de litros, sendo 440 milhões de etanol anidro e 777 milhões de hidratado. A produção de açúcar, por sua vez, totalizou 1,5 milhão de toneladas.
O álcool anidro é um álcool com no mínimo 99,5% de pureza e o álcool hidratado, têm 94,5% de pureza. Este último é usado nos veículos. As usinas de etanol vendem o álcool anidro às distribuidoras para a mistura na gasolina.
No acumulado da safra, a produção de etanol chegou a 20,4 bilhões de litros na segunda quinzena de novembro e a de açúcar alcançou 26,2 milhões de toneladas.
“Esses números evidenciam a dificuldade de produção de açúcar no último terço da safra e o avanço da produção de etanol anidro em relação à de hidratado, tendência que já havia sido observada no último mês. Na primeira quinzena de outubro, a produção de etanol anidro representou 31,7% de toda a produção de etanol no período. Já na segunda quinzena de novembro esse valor cresceu, atingindo 36,2%”, concluiu a assessoria de imprensa da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar).







