Construção civil projeta crescimento de 12% em 2010

Em: 8 de dezembro de 2009
A boa receptividade do mercado da construção civil no Amazonas neste ano, mesmo diante da turbulência econômica que atingiu todos os setores da economia, deve se manter em 2010
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A boa receptividade do mercado da construção civil no Amazonas neste ano, mesmo diante da turbulência econômica que atingiu todos os setores da economia, deve se manter em 2010

A boa receptividade do mercado da construção civil no Amazonas neste ano, mesmo diante da turbulência econômica que atingiu todos os setores da economia, deve se manter em 2010. Os indicadores apontam para incremento de até 12% ante a 2009, que deve fechar com alta superior a 10%. O Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) aponta para taxas superiores a 10% nos próximos anos, a continuarem os programas de investimentos da iniciativa privada e do setor público.
O presidente da entidade, Marcos Túlio de Melo, informou que o desempenho da construção civil está sendo puxado pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “São potenciais enormes para este processo de valorização da construção civil, no desenvolvimento brasileiro, puxado pelas obras da Copa de 2014, principalmente em infraestrutura”, afiançou.
Segundo Marcos Túlio, o setor teve várias décadas de baixo investimento porque refletia o comportamento da economia e dos investimentos privados. Ao avaliar a evolução da construção civil entre 1999 a 2002, o dirigente apontou que o setor teve uma queda brutal, que começou a ser amenizada em 2003, se perpetuando em 2004, decorrente da desoneração de alguns produtos de construção civil e da perspectiva de retomada do crescimento.
Túlio contou que em recente conversa com empresários do setor, numa feira da construção na cidade do Rio de Janeiro ficou impressionado com o entusiasmo diante do mercado, que hoje está “fantástico”. “O mercado vinha crescendo na faixa de 8% a 10% e agora deve atingir a 12%”, informou.
O presidente da Confea informou que, em função da Copa do Mundo de 2014, vários investimentos serão feitos a partir de 2010 para sediar o evento esportivo, que vai acontecer em 12 cidades brasileiras. “No caso do Rio de Janeiro, ainda tem as Olimpíadas de 2016, onde vários empreendimentos vão ser executados envolvendo mobilidade urbana, inclusive recuperação de estádios e toda uma infraestrutura para poder garantir a boa execução da Copa de 2014”, assegurou.
O presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Joaquim Auzier, parabeniza os construtores locais por terem sido capazes de oferecer produtos que a sociedade aceitou bem, mesmo diante da crise global, que abalou a estrutura econômica dos grandes monopólios internacionais. “Estamos vivendo mais do que um estado de graça, porque todos os indicadores demonstram uma pujança da construção do Estado no país como um todo”, disse.

Mercado imobiliário

Ao divulgar o IVV (Índice de Velocidade de Vendas) do terceiro trimestre de 2009, levantado pelo Sinduscon-AM, Joaquim Auzier informou que o desempenho do mercado imobiliário local aumentou 37,17% comparado ao segundo trimestre. “Nossa projeção é que o quarto trimestre de 2009 seja melhor ainda por conta dos lançamentos previstos neste fim de ano”, assegurou.
Segundo o dirigente, dos 4.877 imóveis colocados à venda, entre julho e setembro, a maior parte (1.257) estava na faixa de até R$ 100 mil. O destaque foi para as habitações de R$ 300 mil e R$ 400 mil, que somaram 926 unidades, sendo 361 vendidos. A pesquisa do Sinduscon-AM aponta ainda que a maior parte dos imóveis continua sendo construída com recursos próprios das construtoras, respondendo por 59,24% dos empreendimentos imobiliários lançados.
De acordo com Auzier, os maiores investidores são os próprios empresários locais, haja vista que o Amazonas quase não tem construtora de fora. “Não temos nada contra, mas estamos mostrando que somos capazes de construir empreendimentos de grande porte, a exemplo do que ocorre nos grandes centros do país e, com isso, atrair incorporadoras que vieram fazer parcerias com o pessoal da terra”, defendeu, ressaltando que as grandes incorporadoras locais são todas de fora do Estado. “que findam trazendo muitos recursos para cá”.
Dados do Sinduscon-AM apontam 102 empresas associadas na entidade, mas o dirigente destacou que esse número é maior porque nem todos os construtores estão sindicalizados. No Crea-AM (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Amazonas) são registrados em torno de 3.000, sendo que estão operando em torno de 500.
Um das grandes preocupações do setor é com a baixa quantidade de mão-de-obra qualificada. Auzier disse que o sindicato está realizando vários treinamentos, mas que ainda é insuficiente para atender a demanda atual, que gira em torno de 20 mil pessoas trabalhando direto no setor. “Antes, as construtoras traziam trabalhadores de outros estados, o que não está mais acontecendo porque lá estão enfrentando o mesmo problema, decorrente do grande volume de obras”, informou.
A escassez de mão-de-obra passa por carpinteiro de força, pedreiro, ferreiro e eletricista, por exemplo. “Hoje, a função de pedreiro é mais qualificada porque a forma de construir evoluiu, o que exige maior conhecimento por parte desses profissionais”, contou Auzier, destacando que o setor deve fechar o último trimestre do ano gerando 2.000 empregos, uma resposta ao mercado aquecido.

Profissionais especializados

O Crea-AM aponta que os profissionais de engenharia formados estão entre 10 mil e 12 mil, entre engenheiros civis e arquitetos. O presidente do conselho, Telamon Barbosa Firmino Neto, destacou que existe demanda grande de profissionais habilitados, tanto em Manaus como no Brasil, atuando em construção civil, arquitetura e agronomia. “Uma obra requer profissionais ligados à construção, como engenheiro eletricista e civil, topógrafo e até geólogo, neste caso decorrente da extração de minérios”, explicou.
Telamon lembrou que o Crea é responsável pela regularização de obras, cujos profissionais têm de ser habilitados, o que tem sido uma prática nas obras, principalmente as de grande porte. No entanto, o dirigente reconhece que é necessário incrementar o número decorrente do crescimento das obras na capital amazonense.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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