Nascido na cidade de Recife, em Pernambuco, e com sangue de comerciantes correndo nas veias, o diretor-presidente do grupo Tropical Multiloja, Allan Kardec Bandeira de Mello, é um dos grandes cases de sucesso no mundo empresarial amazonense. Há 40 atuando no comércio baré, o pernambucano embarcou em Manaus nos anos 70 para dar continuidade a uma cultura e paixão empreendedora herdada da família.
Tudo começou em 1979, na Rua Marquez de Santa Cruz, no centro da cidade, onde o pequeno empreendimento iniciou a trajetória com vendas de produtos importados, e logo em seguida migrou para armarinho com variedades baseadas no gosto e na necessidade do consumidor manauara. Contagiado pelo surgimento da Zona Franca de Manaus em 1969, e com o solo fértil que o modelo proporcionou para o crescimento, o empresário investiu todo tempo e energia para construir uma marca que atualmente gera 500 postos de trabalho direto.
“Vim para trabalhar em Manaus com parentes que já atuavam no comércio. Comecei a trabalhar com meu cunhado como sócio durante 12 anos, em um negócio muito pequeno ainda. Por muitos anos vendemos bijuterias e muitas miudezas. Após isso, fomos para armarinho, utilidades domésticas e hoje trabalhamos com cosméticos, recém nascidos, cama, mesa e banho e diversas variedades. Tudo dá muito trabalho, mas é o que sei fazer. Amo Manaus, uma cidade que me recepcionou e deu grandes oportunidades. Aqui é a terra das oportunidades”, disse.

Apaixonado pelo que faz, seu perfil visionário e inovador é refletido em cada detalhe de suas lojas, onde em cada prateleira existem novidades e produtos diferenciados no mercado que atendem as necessidades ao consumidor. Para Kardec, a vida dentro da atmosfera do comércio vai muito além do lucro e do crescimento profissional, é um cenário onde a razão e a paixão andam lado e são norteados pelo planejamento e informação.
“Você fica viciado nisso. Quem está de fora pensa que o comércio é só dinheiro e não é. É a sensação. É adrenalina. É o risco. É você acreditar em um produto e fazer o projeto acontecer. É preparar um natal e um volta às aulas. É saber lidar com os altos e baixos da economia que vai refletir direto no seu negócio e você fica nessa onda. Isso vicia. É um jogo que você usa suas estratégias e busca informações para se programar e vencer. ”, afirmou.
Crescimento
Um dos pontos que contribuiu para o crescimento da marca nos últimos anos dentro no mercado, foi a valorização do capital humano e o investimento em produtos inovadores, que atendem as necessidades do dia a dia do consumidor. Para continuar crescendo dentro do mercado e mostra diferencial frente a concorrência, o empresário anda em constante processo de pesquisa em busca de novidades e produtos que atraem o consumidor.
“O segredo é você vivenciar isso no dia a dia. Cumprementar o funcionário, visitar os setores e sempre buscar informações no mercado trazendo diferenciais que atraiam o consumidor, além de um bom atendimento. Todos os dias surgem novos produtos aqui. Todos os dias é preciso se reinventar. O que faz o cliente consumir? A necessidade e a emoção. É o pós venda é saber enxergar aquilo que ele precisa. É um produto que você viu na mídia e você tem informações que te dar vontade de adquirir aquele produto. ”, disse.
Com seis lojas espalhadas pela cidade, em 2019, a empresa completou 40 anos de atuação gerando 500 postos de trabalho direto. De acordo com Kardec, durante esse tempo de atuação houve muita luta e muito desafios para manter o empreendimento firme no mercado. Na atual situação econômica que se encontra o país, o empresário se mostra muito preocupado com os constantes ataques contra Zona Franca de Manaus, e ressaltou que em breve pretende passará a direção para os filhos manterem viva a chama empreendedora da família.
“Tenho 66 anos anos de idade e nos próximos cinco anos pretendo passar o bastão para os meus filhos. Estou nessa terra maravilhosa muito preocupado com o que possa acontecer com a Zona Franca, mas continuamos na luta. Gosto dessa cidade que me recepcionou muito bem. E só acredito nas coisas honestas e princípios éticos. Acredito o trabalho feito da forma correta rendem bons frutos”, disse.
Em meio a uma situação de instabilidade política e econômica, o empresário se mostra preocupado com os rumos que as decisões são tomadas pelas lideranças do país. Com isso, ele acredita que será necessário muito tempo para que o Brasil volte a trilhar um caminho rumo ao crescimento.
“O Brasil nos últimos quatro a cinco anos está numa situação complicada com a economia baixa. Tivemos um período de falsa estabilidade e de repente veio a realidade. Não sou economista, mas não acredito que vamos resolver a questão da economia de forma rápida. O comércio tem um certo risco. Ele não é uma ciência exata. De repente o governo segura os investimentos e a economia vai lá para baixo. Isso repercute imediato no consumo. Enquanto isso, vamos continuar trabalhando acreditando no mercado e buscando novas formas para crescer mais”, disse.
Guia Rápido
Nome: Tropical Multilojas e Atacadão Tropical
Segmento: Utilidades domésticas, papelaria, festa, decoração, produtos licenciados, louças e vidros
Sedes: Tropical Multiloja Lista de presentes – Saldanha Marinho; Tropical Bebe praça Tenreiro Aranha e Shopping Manaus ViaNorte – Loja 1 Piso L1.
Tropical Multiloja Bebê – Rua Saldanha Marinho, 530; Praça Tenreiro aranha e Shopping Manaus ViaNorte – Loja 1 Piso L1.
Tropical Utilidades Domésticas e Decoração
Rua Saldanha Marinho, 530 e Shopping Manaus ViaNorte – Loja 1 Piso L1
Tropical Armarinho – Rua Marques de Santa Cruz, 65 em frente ao porto e Shopping Manaus ViaNorte – Loja 1 Piso L1.
Festas – Praça Tenreiro Aranha e Shopping Manaus ViaNorte – Loja 1 Piso L1
Tropical Cosméticos – Rua Miranda Leão, 161, Centro
Funcionários: 500

Ponto de vista – Allan Kardec Bandeira de Mello, diretor-presidente do grupo Tropical Multiloja
O empresário Allan Kardec se mostrou bastante preocupado com a atual situação econômica do país e os seus reflexos no comércio. Ele destacou também, as constantes dificuldades enfrentadas pelo empresários, como os impostos elevados, concorrência desleal e a de empresários que atuam dentro a ilegalidade comercial.
Jornal do Commercio: Na sua visão como o comércio está se comportando frente a essa crise econômica?
AK: Estamos em tempo de guerra, temos que baixar os custos, tem que fazer muita conta, tem que pensar que o bolso do consumidor diminuiu, a concorrência aumentou e você tem que se reinventar. Tem que pesquisar muito, tem que calcular e pensar no poder de aquisição do cliente. Não é pensar no que você pode vender e sim no quanto ele pode comprar. E pesquisar e saber o que as pessoas buscam nesse momento de “cinto apertado” da economia. Muita gente perdeu o emprego e os salários estão muito reprimido. Você tem que pensar: o que faz as pessoas comprar meu produto? É meu atendimento, meu produto e preço justo. As pessoas estão fazendo conta e procuram onde elas vão ser bem atendida e onde a empresa tem credibilidade. A questão não é só preço. Existem muitos fatores.
JC: Reforma da previdência e tributária são os caminhos para alinhar a economia?
AK: A Previdência tem que acontecer. Não tem volta, tem que ser feita. O País não aguenta mais. Tem que ver essas aposentadorias que são indecentes e imorais e acabar com isso. E uma pessoa que tem 65 anos tem que receber uma aposentadoria que ele possa se manter. Agora a população está envelhecendo e pouca gente contribuindo, como essa conta fecha? O governo vai ter que aumentar os impostos? Tirar o investimento de áreas essenciais como a saúde, educação e segurança para colocar só na aposentadoria? Tem que acontecer a reforma. Tem que acontecer. Agora tem casos, como eu vi de um senador que trabalha 180 dias e pode se aposentar de forma integral? Será que isso é honesto e decente? Isso é imoral. Pessoa que tem duas ou três aposentadorias?
JC: Quais as estratégias que o empresário está usando para sobreviver nessa crise econômica?
AK: Você tem que pesquisar e fazer a leitura daquilo que o seu cliente precisa. Fazer conta, porque a logística aqui atrapalha demais e a concorrência, hoje você concorre com pessoas que você não sabe nem de onde vem, que não paga imposto e nem registra funcionário e está concorrendo direto. Com certeza existem lojas que o consumidor compra e a loja não emite nota fiscal nenhuma. Como você que paga seus impostos religiosamente consegue concorrer com essa loja? Infelizmente nosso povo não tem a cultura de exigir a nota fiscal. Dizer: “ou você dar a nota ou eu não volto mais a comprar aqui”. Porque alguém vai pagar essa conta. Essa cultura atrapalha qualquer pessoa que quer trabalhar dentro da legalidade. É uma coisa que o governo deveria verificar isso. Porque a grande maioria não paga da forma correta.






