Alta de preços de alimentos puxa IPCA

Em: 11 de abril de 2013
Apesar de desoneração da cesta básica, resultado do índice oficial de inflação em março mostra custo elevado
Apesar de desoneração da cesta básica, resultado do índice oficial de inflação em março mostra custo elevado

A desoneração de produtos da cesta básica não foi suficiente para evitar o aumento de preços dos alimentos em março, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o IPCA, os preços dos alimentos subiram, em média, 1,14% no mês passado.
Segundo a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, ainda não é possível avaliar, com clareza, o impacto da medida na taxa de inflação. “Ainda é cedo para fazer uma avaliação mais precisa da desoneração, dado que ela passou a ocorrer no dia 8 de março”, disse.
Mas ela acredita que, apesar de não ter impedido o aumento de preços, a desoneração pode ter contribuído para a diminuição do ritmo de crescimento da inflação, já que em fevereiro a alta de preços havia sido maior (1,45%).
Outros fatores também podem explicar o aumento de preços menos intenso em março, como a previsão de uma safra maior para este ano no país. Entre os alimentos que tiveram maior aumento de preço em março estão a cebola (21,43%), o açaí (18,31%) e o feijão-carioca (9,08%).
Produtos que vinham apresentando altas de preços elevadas nos últimos meses continuaram apresentando taxas de inflação, mas em menor intensidade. É o caso do tomate, que passou de uma inflação de 20,17% em fevereiro para uma taxa de 6,14% em março, e da farinha de mandioca, cuja taxa caiu de 16,15% para 5,11%.

incompatível com teto

Apesar da desaceleração em março, a inflação acumulada no primeiro trimestre é incompatível com o cumprimento do teto da meta do governo para o ano (6,5%). O IPCA acumulado entre janeiro e março, 1,94%, chegaria a uma alta em torno de 7,8% se anualizado.
Uma freada no reajuste dos preços -especialmente de alimentos-, no entanto, é esperada, e ganhos menores de rendimento -o salário mínimo subiu menos neste ano- também devem ajudar a moderar o consumo, preveem analistas.
No primeiro trimestre, o grupo alimentação foi o grande vilão da inflação, com alta acumulada de 4,64%. Destacaram-se os aumentos de produtos como tomate (60,90%), feijão carioca (22,85%), cebola (54,88%), farinha de mandioca (35,18%) e hortaliças (20,71%).
A alta de 6,37% do grupo educação no trimestre também pesou negativamente e não se repetirá no decorrer do ano, já que os reajustes de mensalidades são anuais e incorporados no IPCA de fevereiro.
O grupo habitação foi a principal “âncora” da inflação de janeiro a março, quando registrou queda de 2,08% graças à redução de 18% nas tarifas de energia -medida antecipada pelo governo a fim de segurar a inflação.
Com a postergação de aumentos de ônibus no Rio e em São Paulo articulado pelo governo federal, o grupo transportes subiu 1,48% no trimestre, valor abaixo do ano anterior.
Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE, a principal influência no IPCA acumulado deste ano foi dos alimentos, em decorrência do clima desfavorável no Brasil (seca no Nordeste e chuvas em excesso no Sudeste) e em grandes produtores como Estados Unidos e Argentina.
Nunes dos Santos ressalta, porém, que muitos produtos já mostraram desaceleração em março -embora persista uma “tendência de alta generalizada dos alimentos”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar