Em Manaus o preço do tomate, produto que compõe a cesta básica, subui 133,33% no final de março, de acordo com o presidente da Comissão Gestora da Feira da Panair, Ednaldo Feitosa. Fato que gerou contraste na comparação com dados divulgados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) na quarta-feira (10), que na variação mensal chegou a registrar 4,56% de aumento do fruto.
Mas, ambos concordam que o preço sofreu aumento devido ao período sazonal de chuvas que assolaram todo o país e prejudicou a safra do fruto durante o plantio e colheita.
O preço do tomate praticado na Feira da Panair, zona Sul de Manaus, passou de R$ 3 para R$ 7 o quilo para o consumidor, inclusive com o reflexo da semana santa, segundo Feitosa. “Período em que a demanda do tomate aumenta diante da preferência pelo pescado durante a semana santa, no caso este fruto compõe os pratos preparados pelo amazonense”, explica.
Na contra mão, o produto vem mantendo a mesma tendência do mês anterior, porém menor, segundo a supervisora técnica do escritório regional do Dieese no Amazonas, Alessandra de Moura Cadamuro confirmou que a alta de 4,55% ocorreu devido ao aumento de nove dos 12 produtos que compõem a cesta básica. A especialista ainda destaca que o produto, no varejo, teve alta em 12 capitais das 18 pesquisadas pelo Dieese.
“O preço do tomate sofreu grande influência das condições climáticas, e os preços no varejo vêm sendo impactados pelo excesso de chuva desde o começo do ano, diminuindo a produtividade das lavouras e a qualidade do produto. A área total cultivada na última safra também foi menor em relação à safra anterior, o que impactou no preço do produto. Nos primeiros meses do ano o produto apresenta a segunda maior variação fixada em 24,19%, ficando atrás apenas da farinha. Na análise dos últimos 12 meses o preço do tomate sofreu variação de 61,88%”, completou Cadamuro.
Surpresa indigesta
Na Feira da Panair os feirantes estão surpresos com a alta no preço do tomate e a escassez do produto que compõe o cardápio regional diário segundo Feitosa. Ele explica que a causa está nas chuvas que atingiram o Sul do país, principal produtor do fruto, aliado à cultura do consumidor amazonense em utilizar o produto in natura.
“Fomos pegos de surpresa aqui na feira. Não esperávamos este aumento, mas a produção vem do Sul do país foi prejudicada pelas chuvas. Aqui no Amazonas não se produz tomate e nossa Central de Abastecimento não funciona para este produto. Não há estoque regulador e a demanda é muito grande devido à cultura regional do peixe que é preparado com tomate na forma in natura”, explica Feitosa.
Para o gerente comercial da rede de supermercados DB, Guto Cobertt, as fortes chuvas causaram prejuízos na safra de tomate, mas o fenômeno acontece todos os anos e nada é feito pelo poder público para reduzir o impacto negativo nos produtos que compõem a cesta básica para o consumidor final. “Falta iniciativas do poder público em solucionar esta questão junto ao produtor rural do Amazonas que aguardam por incentivos financeiros, orientação especializada e acompanhamento técnico para iniciar e manter a produtividade no interior. Toda quarta-feira é dia de promoção de hortifruti no DB, e acabei de verificar na lista de produtos que o tomate está em falta desde o final de semana, o pouco que temos do fruto está verde e de baixa qualidade para a revenda nas gôndolas”, informou.
Causa e efeito
O consumidor que comprava dois quilos de tomate, com o aumento de R$ 3 para R$ 7 o quilo, passou a comprar meio quilo do fruto na Feira da Panair, segundo o feirante Junior Marques. Ele ainda informa que os alimentos preparados com tomate, também sofreram aumento nos restaurantes, lanchonetes e em outros estabelecimentos da cidade.
“O pessoal de revenda tiveram que aumentar os preços afetando o preço final dos sanduíches, como o kikão e o x-salada, calderadas de peixe, saladas, tudo subiu no bolso do consumidor”, alertou.
A Bahia é o maior produtor de tomate do país, nos municípios de Irecê e Lapão, ainda segundo Marques. Mas, hoje para chegar a Manaus o custo do frete encarece o produto. São duas remessas de 13 toneladas por semana, divididas em 650 caixas de 20 kg entregues na Feira da Panair. Por mês são cerca de 100 toneladas do fruto comercializados na Panair. “Só o frete de Lapão para Belém custa oito mil reais, e de barco até Manaus mais quatro ou cinco mil reais, então o produto fica caro demais. Agora aumentamos o preço de três reais para sete reais o quilo do tomate”, afirma.
Procurado pelo JC, o superintendente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) no Amazonas, Thomaz Meirelles informou que o Amazonas não produz o fruto em questão e por isso não há como atuar no sentido de promover um estoque regulador de entresafras ou durante prejuízos climáticos. Em contrapartida, Meirelles fez questão de divulgar o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). “O objetivo do programa é de incentivar a agricultura familiar, promover ações vinculadas à distribuição de produtos agropecuários às pessoas em situação de risco alimentar e a formação de estoques estratégicos, nesse âmbito vem contribuir para a inclusão social e promover a cidadania do produtor rural no Amazonas”, esclarece Meirelles.







